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“Não gosto de receber dinheiro por pena”, esclarece malabarista

Yan Santos, 25 anos, está pela primeira vez nas sinaleiras de Criciúma trazendo sua arte

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Foto: RAFAELA CUSTÓDIO

O que para muitas pessoas é apenas mais um sinal fechado, para Yan Santos, de 25 anos, é uma oportunidade de levar cultura, conhecimento e alegria para quem ali está aguardando a sinaleira abrir para poder seguir seu destino.

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Durante esta semana o Portal Engeplus trabalha em uma série de reportagens com pessoas que realizam seus trabalhos nas ruas de Criciúma. Você acompanha a segunda reportagem da série amanhã, dia 03.

Santos é natural de Blumenau e já atuou como programador e vendedor, mas há sete anos é malabarista e já percorreu nove capitais e mais de 30 cidades do país. Além disso, nas próximas semanas o destino é o Uruguai.

O malabarista chegou a Criciúma há três dias e por aqui ficará até a próxima semana. De acordo com Santos, fazendo malabarismo ele busca trazer arte, felicidade e conhecer novas culturas.

“Não estou prejudicando ninguém. Minha intenção é fazer as pessoas sorrirem e perguntar como elas estão. É preciso entender que isso é arte, é cultura. Não estamos aqui para receber esmola, é o nosso trabalho. Não gosto de receber dinheiro por pena”, explica.

Ainda de acordo com Santos, o dinheiro é o que menos importa. “Eu busco mais o sorriso e a felicidade, a expressão no rosto das pessoas, isso importa mais do que o dinheiro. Me sinto realizado em tirar um sorriso de alguém”, conta.

Com os dias corridos e a tecnologia cada vez mais em alta, mexer no celular enquanto está parado na sinaleira é comum. Mas, Santos afirma que esses detalhes não o incomodam.

“O preconceito talvez seja a falta de informação. Queremos trazer mais distração e principalmente alegria. Que seja segundos diferentes na vida das pessoas”. acrescenta.

Liberdade

Santos revela que ama viajar, ter novos desafios e principalmente adora conhecer novas culturas, por isso iniciou no malabarismo.

“Conhecer novas pessoas, culturas, isso me fascina, me atrai. Além disso, ser malabarista é ter o companheirismo de diversas pessoas que não conhecemos, mas que estão na mesma sintonia que a gente e por isso nos damos bem e somos um grupo que nos encontramos em diversos lugares do país”, relata.

Família

Casado há nove anos, Santos revela que sua esposa trabalha em uma loja em Blumenau, mas que também pratica o malabarismo e que nos últimos dias, enquanto ela estava de férias, chegou a passar um tempo com ele.

Mesmo casado e distante de casa, Santos conta que o afastamento não é um problema para o casal, isso porque para ele, o distanciamento traz saudade e mais vontade de estar perto.

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“Sabemos lidar com isso muito bem, ela também faz malabarismo, com isso, ajuda. Mas, quando estamos juntos conseguimos nos entender bem e dá mais vontade de estar perto dela, justamente pelos dias e semanas e até meses que fiquei longe, e também o relacionamento não vira rotina”, afirma.

Filho único, o malabarista conta que assim como sua esposa compreende, sua mãe também entende. “Desde muito cedo fui independente, isso facilita. Mas, estou sempre indo ver ela”, declara.

Dinheiro

As pessoas acreditam que todos os dias os malabaristas recebem o mesmo valor, mas Santos revela que não. Segundo ele, as fases do mês são decisivas para receber dinheiro.

“Trabalhamos normalmente seis horas diárias e recebemos em média de R$ 60 a R$70. Mas, isso não significa que são todos os dias, é variável”, conta.

Preconceito

“Confundir o malabarista com pessoas pedintes é o que mais acontece”, revela. De acordo Santos, muitas pessoas associam o malabarismo a drogas, porém, isso é totalmente equivocado.

“Não estamos aqui para pegar dinheiro, isso é uma consequência. Nosso intuito é trazer arte. As pessoas precisam entender que isso é arte”, comenta.

Santos ainda disse que alguns povos não estão acostumados a cultura. “Muita gente acredita que arte e cultura é teatro, cinema, peças. Malabarismo também é cultura”, frisa

Novos destinos

Seu próximo destino é Porto Alegre e sua viagem será realizada de bicicleta. Santos deve ir para o Rio Grande do Sul nos próximos dias. Por lá, deverá conhecer Pelotas e a Capital. Logo em seguida irá para sua primeira viagem fora do país, o Uruguai.

“Quero reencontrar pessoas que eu conheci em vários lugares do país. Nessas viagens fazemos muitas amizades e com as idas e vindas acabamos nos encontrando. Isso é a essência”, finaliza.

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