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"Não quero dizer que tive sorte, porque outras mães não tiveram", diz mãe de criciumense que sobreviveu em Santa Maria

Moisés da Rosa Tancredo estava na boate Kiss, que pegou fogo na madrugada de domingo e vitimou mais de 230 pessoas

Por Redação Engeplus

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Foto: Fotos: Amanda Garcia Ludwig

O criciumense Moisés da Rosa Tancredo estava na boate Kiss, em Santa Maria (RS), quando o fogo que matou mais de 230 pessoas iniciou. Ele estuda Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) há dois anos e meio e era frequentador assíduo do local.

Sua mãe, Valdete da Rosa Tancredo, estava em casa, em Criciúma, na madrugada da tragédia, sem saber de nada, mas afirma que já estava sentindo uma preocupação que, aparentemente, era sem motivos. "Rezei pedindo para Deus cuidar da vida de meu filho, sem nem saber o que estava acontecendo. Às 6h25min ele me ligou, dizendo que estava vivo e no hospital", afirma a mãe.

Após o contato inicial, Moisés conseguiu entrar em contato com a família por volta das 13 horas. Até lá, sua mãe e seu pai acompanharam o caso pela televisão. Sua irmã, em Curitiba (PR), também ficou aflita por notícias. "Eu via aquelas imagens na televisão e parecia que ele estava lá ainda. Eu não acreditava que ele tinha saído da boate vivo. Ele está em Santa Maria para realizar o sonho de estudar na Federal", se emociona Valdete.

A mãe explica que ouviu seu filho contar sobre a corrida pela vida durante o tumulto. Moisés afirmou para ela que um dos amigos tentou correr para um lado e ele preferiu fugir pelo movimento contrário que, descobriram depois, era o caminho certo para a porta de saída. "O outro lado era o banheiro, onde muita gente morreu", comenta Valdete.

Segundo seu pai, José Antônio Tancredo, o jovem de 23 anos precisou ajudar os amigos que passaram mal. "Ele me disse que conseguiu sair do local quando não aguentava mais. Ele disse: 'Pai, eu saí de lá no último suspiro'. Até agora me sinto desanimado, parece que estou sentindo a mesma coisa de mães e pais que perderam seus filhos na tragédia. É uma sensação de impotência", avalia Tancredo.

Valdete lamenta pelas mães que perderam seus filhos no incêndio. "É um alívio para mim, mas tenho sentimento pelas outras mães. Chorei junto com elas. Que Deus possa confortar o coração de todas. Não quero dizer que tive sorte, porque as outras mães não tiveram", diz.

Confira o vídeo em que Valdete manda um recado para seu filho, que continua em Santa Maria:


Vídeo: Amanda Garcia Ludwig

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