Santa Maria (RS): "Muitos ainda não raciocinaram o tamanho da tragédia", afirma voluntária criciumense
Enfermeira estava na cidade gaúcha para visitar a família e está ajudando as vítimas nos hospitais
Por Amanda Garcia Ludwig - amanda.garcia@engeplus.com.br
EmA enfermeira e professora da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) Luciane Bisognin Ceretta viajou para Santa Maria no último final de semana para visitar seus parentes. A cidade, no entanto, ficou marcada pela tragédia da boate Kiss, que pegou fogo e vitimou 231 pessoas. Luciane não perdeu familiares, mas ajuda como voluntária os ferido que foram encaminhados aos hospitais da cidade.
"Santa Maria é uma cidade em silêncio, que chora a dor das perdas. A sensação que tenho é que muitos ainda não raciocinaram o tamanho da tragédia. Os pais não acreditam que seus filhos morreram e a cena mais horrível que posso citar são os celulares que ainda tocam nos bolsos dos mortos que estavam colocados lado a lado. Foi uma cena indescritível", ressalta a enfermeira.
Segundo Luciane, muitos dos feridos não estavam queimados, mas sim intoxicados. "Os feridos mais graves, que tinham o corpo queimado, foram levados para Porto Alegre. Agora estamos cuidando dos que ficaram intoxicados com a fumaça. Essa situação é um pouco mais perigosa, tendo em vista que os queimados têm a chance de se recuperar, e com quem ficou intoxicado muitas vezes não consegue respirar", explica.
A maior carência de doações é a de sangue. Neste momento, a cidade de Santa Maria recebe doações de diversos lugares. "Os moradores estão se dirigindo aos postos de coletas e aos hospitais para doar. Está todo mundo mobilizado para ajudar essas vítimas", avalia.
De acordo com a responsável pelas captações de sangue do hemocentro de Criciúma, Ana Rúbia Pelegrim Zanette, o Rio Grande do Sul ainda não solicitou nenhum ajuda ao Estado catarinense. Conforme a solicitação, os hemocentros do Estado irão colaborar com a tragédia de Santa Maria.
Colaboração: Douglas Saviato
































