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Dia Mundial da Água

No caminho das águas, uma barragem de impasses

Em série do Jornal da Manhã, Portal Engeplus lembra histórias da Barragem do Rio São Bento

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

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Foto: Bruno Neka Dal Pont / Acervo pessoal

Para marcar o Dia Mundial da Água, hoje comemorado, o Portal Engeplus está reproduzindo reportagens dos jornalistas Denis Luciano e Guilherme Hahn, publicadas no ano passado no Jornal da Manhã, por ocasião dos dez anos da Barragem do Rio São Bento, assinalados em julho.

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Na abertura desta série, publicamos “Da várzea à salvação”, que contou os primórdios da barragem por intermédio de um personagem que viu tudo acontecer naquele espaço, entre Siderópolis e Nova Veneza. Abaixo, a segunda parte, quando o investimento já avança. Mais tarde, a terceira e última etapa.

A barragem sai do papel
O prefeito, o agricultor e o deputado

Texto: Denis Luciano
Fotos: Guilherme Hahn e Bruno Neka Dal Pont

O clima era de excitação política naqueles últimos dias de maio de 2001 em Siderópolis. Acontece que o prefeito José Antônio Périco (PMDB) estava disposto a embargar a obra de construção da Barragem do Rio São Bento. Ele apresentava uma lista de reivindicações, e não era pequena. “Não podemos perder 500 hectares de terras produtivas assim”, reclamava.

O debate era resultado de uma pressão represada por quinze anos, desde quando a comunidade de São Pedro convivia com os comentários concretos de que deixaria de existir ali, no encontro dos rios São Bento e da Serrinha, para fazer surgir um grande lago para servir de água toda a região.

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“Se precisar, vamos sim impedir a Casan de construir”, dizia à época o prefeito Périco, tendo em mãos uma relação com 15 pleitos. E Siderópolis parecia estar com ele na causa. Trazendo a discussão para os dias de hoje, o agricultor Vitório Ghellere, um dos 500 que esteve em reunião com o prefeito e outros líderes naquela agitada segunda quinzena de 15 anos atrás, acha que o município não soube tirar o proveito ideal dos dividendos da barragem. “Siderópolis dormiu no ponto, poderia e deveria ter muito mais retorno do que teve”, cita, lembrando os mais de quatro anos que o Estado levou, depois de inaugurada a barragem, para pavimentar o acesso via Nova Veneza. “Mas os oito quilômetros até Siderópolis ainda estão ali, no chão batido”, lembra.

Entre os pedidos de Périco e da comunidade para a Casan estavam a garantia de abastecimento de água para toda Siderópolis e justamente a pavimentação reclamada por Ghellere e tantos outros. De quebra, a prefeitura queria ainda, da empreiteira OAS, responsável pela obra, garantia de movimento financeiro pelas agências de Siderópolis e contratações de operários pelo Sine do município. “Essa reclamação da água vem da época que o Exército vinha de Criciúma para proibir que a gente soltasse água do rio São Bento para as granjas, para não faltar lá na cidade”, recorda Ghellere.

Mais ou menos, os pedidos foram gradual e parcialmente atendidos, mas um que os antigos moradores não abriram mão a Casan consentiu de pronto. “É mais que necessário a remoção dos sepultados no cemitério de São Pedro para onde as famílias queiram”, repetia Périco, à época, fazendo eco ao clamor popular. E aconteceu.

*Publicada no Jornal da Manhã de 20 de julho de 2016.

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