Criciúma
No Centro, a greve geral deu o seu recado
Por Redação Engeplus
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“Quem aí quer um picolé?”. A sindicalista que andava entre os manifestantes que chegavam ao Centro no começo da tarde, após marcha que começou no Pinheirinho, não oferecia um refresco, mas um reforço. Os picolés são como o cartaz que carregava a jornalista Janete Triches, uma das tantas manifestantes que foi às ruas nesta sexta-feira, na versão criciumense da greve geral.
“É a nossa luta. É por todos”, resumiu Janete. Uma rosa vermelha e a frase “Não às reformas trabalhista e da previdência”, ilustrava o cartaz, um dos tantos que povoou a mobilização.

Ao se deparar com lojas abertas na rua Rui Barbosa, o movimento protagonizou cena ensaiada lá atrás. “Se precisar, vamos pedir para fechar lojas sim”, antecipava o sindicalista Edegar Generoso ainda na concentração da passeata, organizada nos arredores da Unesc, concentração iniciada ainda na madrugada. “Mas tudo na paz”, definia o também sindicalista Itaci de Sá. Claro, havia os mais exaltados, mas sempre vencidos pelo lema pacífico da mobilização.
Sobre as lojas, em apenas uma na Rui Barbosa os que protestavam não conseguiram convencer o proprietário a fechar as portas e liberar os funcionários. “Ninguém compra aqui”, chegavam a ensaiar no canto alguns dos manifestantes. De resto, cada loja vencida no caminho era uma porta que se fechava e mais algumas vozes que engrossavam o canto contra Michel Temer e as reformas.

Na praça Nereu Ramos, houve a concentração final. “As suas faturas estão demorando a chegar em casa?”. “Estão”, respondeu o público, como que um auditório. Era o diretor do sindicato que reúne trabalhadores nos Correios puxando a conversa ao microfone. “Isso não é culpa dos trabalhadores, mas do sucateamento que estão fazendo com nossa empresa”, realçou Samuel Matos. O sindicalista carregava a agonia dos que atuam nos Correios e estão em greve nacional desde quarta-feira. Muitos vestindo as conhecidas camisas dos Correios incorporaram-se ao pelotão humano ainda nos primeiros metros, pela manhã.

De resto, os discursos realçados durante as falas na praça ao público reunido abordava as pautas das reformas, das perdas trabalhistas e da dificuldade para aposentadoria no novo método proposto pelo presidente Temer. “As pessoas precisam estar cientes do peso das perdas, dos golpes que estamos sofrendo. E esse é o nosso papel, alertar nosso trabalhador do ataque que estão promovendo aos nossos direitos”, destacou a sindicalista Bárbara Teixeira.

Entre as bandeiras que venceram o percurso que cortou a cidade e avançou em direção ao Centro, apenas três de partidos políticos: duas do PCB e uma do PCdoB. “A gente pode carregar bandeira. Somos um partido limpo”, bradou a ativista Valdelir Luiz, criciumense que foi candidata a vice-governadora pelo Partido Comunista Brasileiro na eleição de 2014. O começo da tarde avançava, sob sol e céu azul, e o movimento se escoou pouco adiante da 14h30min. "Criciúma foi um mar de trabalhadores. Fazemos uma avaliação bastante positiva", avaliou Edegar Generoso.



