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Nova era

Nova era para o carvão: a concretização do CTCL

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre *

Em artigo de 1991, o autor comentava, ao referir-se aos problemas do carvão do sul: “a histórica acomodação das empresas carboníferas, herdada das facilidades da reserva de mercado e da proteção governamental, não estimulou a pesquisa do produto das minas, a fim de garantir-lhe destino mais nobre (...) Mas os subprodutos do carvão, ainda pouco conhecidos, por certo deverão ser buscados, por meio da pesquisa e da experimentação.”

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Há quase 20 anos Criciúma praticamente deixou de produzir carvão e passou, desde então, a contabilizar somente o ônus da tradicional atividade mineira, seja pela perda de empregos e tributos, seja pelas deseconomias ambientais e urbanas, representadas pela poluição dos solos, das águas e do ar e pelos transtornos urbanos ocasionados pelo transporte ferroviário e rodoviário do produto das minas de outros municípios da região.

Em razão disso, pode-se comemorar o ambicioso projeto do CTCL-Centro Tecnológico de Carvão Limpo que vem, se não resolver, pelo menos mitigar boa parte dessa pesada herança da atividade carbonífera, exercida no município há quase 100 anos.

Dessa forma, quando consolidado o projeto, Criciúma troca a atividade primária da extração do minério, com todos os seus inconvenientes, por uma atividade de médio/alto valor agregado e de apreciável efeito multiplicador, como fazem alguns países desenvolvidos. É um velho sonho que se concretiza, uma recompensa para o município que, há muito, deixara de contabilizar o bônus da atividade mineira.

Segundo a SATC (Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina) e o SIECESC (Sindicado da Indústria da Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina), mentores do inédito projeto, o Centro Tecnológico tem por objetivo atuar na condução do desenvolvimento de pesquisa em tecnologias de utilização sustentável do carvão mineral.

A partir de agora, o CTCL passará a atuar não só na condução das ações de planejamento e execução do Projeto de Recuperação da Bacia Carbonífera do Sul, mas também no desenvolvimento de pesquisa em tecnologia de utilização do carvão mineral de forma a impactar minimamente o meio ambiente.

De acordo com esta idéia, o principal foco será a utilização do carvão mineral em tecnologias limpas de geração de energia, visando a atenuação da emissão de gases causadores do chamado “efeito estufa.”

O centro também estará apto a prestar serviços de desenvolvimento tecnológico nas áreas de mineração, geologia e meio ambiente.

A criação do CTCL está, também, associada à formação de recursos humanos para a energia térmica e uso do carvão mineral, já que a Faculdade SATC, com os cursos de Engenharia Elétrica e Mecânica, tem como foco a energia térmica.

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Além disso, o CTCL vai desenvolver tecnologias de produção e uso do carvão de forma sustentável e limpa, incluindo a captura e armazenamento geológico do carbono (CO2), que é vital para o desenvolvimento imediato do setor, sua manutenção e competitividade no horizonte de suas reservas.

Tais tecnologias, em sua principal rota tecnológica, incluem a gaseificação de carvão, que, no primeiro momento, visa a produção de gás industrial (para as cerâmicas de SC), do gás para a geração de energia elétrica e a produção de combustíveis líquidos a partir do minério, incluído o hidrogênio.

O projeto do CTCL contempla, ainda, uma Pré-Incubadora de Base Tecnológica-PRINTEC, que irá oferecer ferramentas de apoio institucional a propostas e idéias com viabilidade mercadológica. Através da PRINTEC, os empreendedores dos mais diversos setores produtivos e de serviços, encontrarão o treinamento e orientação necessários para a elaboração de seus planos de negócios.

Como hospedeira do promissor projeto (na condição de sede do Siecesc e da SATC), Criciúma tem muito a ganhar, não só futuramente, na fase da fabricação de subprodutos do carvão, como na fase de pesquisas, quando o CTCL passará a empregar mão-de-obra altamente qualificada e celebrará convênios com instituições congêneres de alto nível, inclusive do exterior, tornando-se um centro de referência nacional em pesquisa de carvão.

A SATC, por sua vez, consolida seu centro educacional e tecnológico, ganhando experiência para alçar vôos mais altos, como um Centro Universitário ou mesmo uma futura Universidade, com vocação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico da região Sul.

Quem viver verá, certamente!

* Economista, Mestre em Desenvolvimento Regional e Urbano / ajfabre@gmail.com

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