Siderópolis
Novo acidente com caminhão reacende discussão sobre melhorias na rodovia Linha Alexandre da Boit
Projeto está em andamento, mas burocracias tornam o processo devagar, diz prefeitura
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Passados dois meses e meio desde a morte do caminhoneiro José da Silva, de 75 anos, no dia 24 de agosto, em um acidente na rodovia Linha Alexandre da Boit, em Siderópolis, a estrada ainda não recebeu as melhorias aguardadas pela comunidade, que chegou fechar o trecho como forma de protesto. O projeto para alargamento da pista, primeiro passo para amenizar os riscos para os motoristas que transitam pela rodovia, ainda está em andamento, mas sem uma previsão de conclusão, devido à complexidade da obra.
Na tarde desta quinta-feira, dia 10, um acidente semelhante ao que tirou a vida de José da Silva aconteceu novamente na estrada. “Não teve vítima, os danos foram bem menores, mas a situação foi a mesma. Um caminhão precisou parar às margens da rodovia para outro passar e a estrada cedeu”, afirmou Romencito Aléssio, professor e proprietário de terreno às marges da rodovia.
O tráfego intenso é que preocupa os moradores e usuários da estrada. Passam por ali diariamente caminhões de uma mineradora, caminhões de ração para atender os agricultores, caminhões de frango e de laticínios. A chegada da mineradora na região deixou o fluxo de veículos pesados ainda mais intenso. O caminhoneiro vítima do grave acidente em agosto era funcionário da empresa, que para amenizar o problema por vezes realiza melhorias paliativas na estrada por onde passam seus caminhões.
Acidente que matou o caminhoneiro José da Silva em agosto - Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

“Ficou combinado que a mineradora ia auxiliar a prefeitura com o projeto topográfico e encaminharia para a equipe de engenheiros do município. Também está sendo realizado os projetos ambientais. Estamos aguardando a finalização destes projetos para pedir uma audiência pública para ser apresentado para a comunidade, até porque o alargamento deve avançar sobre terrenos e os proprietários precisam estar de acordo com a obra”, acrescentou Aléssio.
Processo longo
A Prefeitura de Siderópolis confirma que a elaboração dos projetos está em andamento, mas reforça que o processo deve ser lento e burocrático. “Pelos levantamentos feitos inicialmente, é uma obra de complexidade. Tem a retiradas de árvores, tem moradores que ainda estão relutando para deixar avançar os seus terrenos. A estrada é irregular, tem rochas para tirar, valas para abrir, além de repensar uma nova drenagem. Tem várias etapas que precisamos vencer”, elencou o assessor de gabinete do prefeito Franqui Salvaro, Romildo Soares, que vem tratando do assunto representando o município.
Ele aponta que é de interesse do município dar celeridade ao andamento do projeto, mas pede cautela para a comunidade. “Inclusive estamos pensando em um projeto para o município, em um futuro, depois de alargar a rodovia, ir atrás de recursos para a pavimentação da estrada. É até um pedido do prefeito que seja pensado desta forma”, destacou o assessor de gabinete.
Mesmo sem dar um prazo, Soares aponta que a proposta da Prefeitura de Siderópolis é que, assim que finalizado o projeto e vencer parte das etapas burocráticas, as melhorias comecem a ser colocadas em prática. “Tem retirada de árvores, por exemplo, que precisa da autorização do IMA (Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina), então leva mais tempo. Agora em trechos onde as liberações dependem apenas da Famsid (Fundação de Meio Ambiente de Siderópolis) e onde não houver nenhum impedimento dos proprietários dos terrenos, a nossa intenção é já começar a executar o projeto. Depois avançamos para os trechos onde são necessárias liberações mais complexas”, disse.
A rodovia liga as cidades de Siderópolis e Nova Veneza, cortando as comunidades de Linha da Boit, São José, São Pedro, Jordão Médio e regiões vizinhas.



