O Balé
O Balé Mazowsze e a etnia polonesa (2)
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre *
A idéia da filial criciumense do Balé Mazowsze integra um elenco de projetos científico-culturais de origem européia, de manifesta predileção do ex-governador Luiz Henrique, iniciada com grande sucesso pelo Balé Bolshoi (Rússia) e continuada com outros empreendimentos originárias da França e da Itália, em andamento.
Essa tentativa de transposição da cultura européia para nosso estado tem sofrido reparos por alguns setores da sociedade, como um professor da UFSC (Nildo Ouriques) que, em artigo no DC de março/2010, faz contundente crítica a tal modelo, classificando essa preferência pelos valores europeus como expressão do eurocentrismo, que tem a Europa como centro cultural do mundo moderno; tal interpretação foi contestada pelo ex-Secretário da Articulação Internacional, Vinicius Lummertz, para quem a cultura científico-cultural do Estado envolve inúmeros países, de todos os continentes.
Na crítica do Prof. Ouriques, “essa predileção (européia) do ex-governador deveria ser objeto de debate público, antes que contemplação passiva ou aceitação domesticada”.
No caso da filial criciumense do Mazowsze, parece que faltou esse debate com a comunidade e, ao que consta, tal discussão ficou circunscrita à fundação cultural do município e à colônia polonesa de Linha Batista. Essa ausência de discussão e envolvimento da comunidade se faz sentir no momento atual em que a escola vive um impasse, pois, não há uma definição clara sobre quem fornecerá os recursos para sua manutenção.
Essa falta de engajamento comunitário é tão evidente que, bastou a presidente do instituto mantenedor do projeto pedir dispensa do cargo, e já surgiram diversos pretendentes a fazer uso do prédio do Pio Correa, a começar pela Câmara de Vereadores. O poder executivo, por sua vez, sequer se manifesta sobre o tema, o que faz supor desinteresse pelo balé polonês.
No artigo anterior, escrito em dezembro/2008, o autor já manifestava preocupação com o custeio/manutenção da escola, nos seguintes termos:
“Será que o município reúne condições financeiras para arcar com os custos do empreendimento, que não gera receitas e sim despesas, uma vez que o ensino será totalmente gratuito? Faz-se oportuno lembrar que o empresariado da cidade não tem sido pródigo em patrocínios tipicamente culturais como esse e as fontes oficiais para custear eventos da espécie são lentas e burocráticas”.
A propósito das manifestações que contestam a validade e custo do balé, com o velho e surrado discurso de que as verbas para tal projeto seriam melhor utilizadas em áreas como saúde e educação, cabe lembrar que os recursos para projetos culturais são oriundos de outras fontes, em âmbito federal e estadual, obtidos diretamente do orçamento ou via incentivos patrocinados por empresários.
Verdade é que, no caso de Criciúma, o retrospecto não tem sido animador: recordem-se as enormes dificuldades que o município tem tido para levantar recursos destinados a eventos anuais já consolidados, como a Festa das Etnias e o Festival Internacional de Corais, como ocorreu em duas oportunidades, nos últimos 4 anos, a despeito de termos expressiva representatividade política, tanto no executivo como no legislativo estadual.
Vale mais uma vez recordar: a cidade está muito atrasada, em termos culturais. Um projeto com a magnitude do Mazowsze seria importante alavanca para superar esse hiato de muitos anos em relação à cultura de outros centros catarinenses de porte semelhante a Criciúma. Pela sua grandiosidade, a concretização do Balé Mazowsze seria um belo presente para a cidade, um divisor de águas, uma atração turística.
Nessa hora decisiva para os destinos do Mazowsze, espera-se que os representantes políticos de Criciúma e região façam um grande movimento conjunto, envolvendo o atual e o ex-governador, com o intuito de viabilizar um esquema seguro e definitivo capaz de garantir a implantação e funcionamento do balé polonês.
Se isto não ocorrer, e o contrato com o Governo Polonês tiver que ser rescindido, será um grande fiasco, perante aquele país europeu, para a cidade, o Estado e o país.
Finalmente, a fim de reforçar e auferir o interesse comunitário pelo balé, está na hora de abrir um grande abaixo assinado, começando pelas assinaturas do Chefe do Executivo e do Presidente da Câmara. Vai ser um termômetro para saber onde estão os interessados em cultura de nossa terra.
* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional e Urbano - ajfabre@gmail.com
