O Chamado 3 é morno e não chega a impressionar

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O Chamado 3 é morno e não chega a impressionar

ESPECIAL / Willian Bongiolo

Doze anos após seu lançamento, O Chamado 2 finalmente teve sua continuação. Em meio a tantos atrasos e adiamentos – o filme era para ter saído em 2015 – O Chamado 3 chega às telonas prometendo uma renovação na franquia. Infelizmente o que temos é apenas um apanhado do que já vimos nos outros dois filmes.

A história segue a personagem de Júlia (Matilda Anna) que fica preocupada com o sumisso de seu namorado (Alex Roe) e investiga uma lenda urbana da fita de vídeo que mata em sete dias. Ela acaba fazendo uma descoberta: há um filme dentro do filme que ninguém nunca tinha notado. A direção de F. Javier Gutiérrez é pobre em imaginação.

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Escolhendo utilizar planos fechados praticamente por todo o longa, ele acaba minando a possibilidade de criar um clima de medo com o cenário. Relegando esse medo a apenas sustos clichês: o cachorro que late alto, bichos nojentos aparecendo do nada e personagens saindo do escuro.

Já a tentativa de atualizar a franquia é subutlizada no filme. A utilização de e-mail, smartphones e tablets são apenas um mero dispositivo narrativo para nos mostrar que a história se passa nos dias atuais. Um desperdício, pois, com um pouco mais de imaginação o diretor Gutiérrez poderia usar essas novas tecnologias para gerar um debate sobre quanto tempo passamos conectados e sobre o perigo disso, ou mesmo apenas nos mostrando que agora o perigo está em todos os lados; infelizmente, não acontece.

Além disso, o longa faz várias referências a outros filmes do gênero e ao próprio O Chamado. Alguns funcionando perfeitamente como a referência ao O Homem nas Trevas quando a casa fica toda no escuro e Júlia tem que se esconder do homem cego, ou então quando Júlia vomita um tufo de cabelo nos fazendo lembrar de Rachel Keller (Naomi Watts) do primeiro filme da franquia. Já outras soam apenas como algo jogado, como na cena do avião logo na introdução nos lembrando de Premonição (algo muito estanho, já que raramente temos longas fazendo referências a filmes ruins).

Por sua vez, o roteiro é a parte menos problemática, mesmo que não convença de maneira eficaz. Se por um lado temos uma boa história da origem de Samara, que encaixa todas as peças deixadas pelos outos dois filmes, por outro lado temos diálogos expositivos e convêniencias para a trama seguir adiante.

É o caso da parte em que a personagem de Júlia fala sozinha explicando pro espectador como as descobertas se encaixam (tratando-nos como ingênuos), ou a cena em que uma das personagens deixa o celular exatamente no lugar certo para que outra o veja.

Por fim, O Chamado 3 pode agadar aos fãs da franquia pelos paralelos que faz com o primeiro filme, e também por vermos, depois de tanto tempo, a Samara voltando a aterrorizar pessoas. É, no entanto, uma sensação muito agridoce, pois como fã do primeiro filme creio que a Samara merecia um filme melhor para sua volta. Espero que a franquia não pare por aqui.

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