O Day
O Day After das urnas
Por Redação Engeplus
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Criciúma viveu com certeza a campanha eleitoral mais insípida de toda a sua história. A partir do momento em que as pesquisas passaram a mostrar o distanciamento entre os dois primeiros colocados em julho, o pleito perdeu a graça. O que poderia refletir em mudanças de estratégias estacionou na mesmice.
Na tela da TV, de tudo um pouco para tão pouco agregar. Deu galo de candidato cantando, esposa de candidato cantarolando e até candidato sendo confundido com espirro. Na reta final, nem mesmo a imagem de Jesus Cristo foi poupada. Por essa e outras razões, o resultado das urnas apenas reforçou a credibilidade dos institutos de pesquisa.
ONTEM E HOJE
O deputado estadual Décio Góes (PT) disputou quatro eleições de prefeito. Perdeu duas, venceu duas e levou uma. Ele obteve apenas 8.614 votos na eleição de 1996. Ficou em terceiro. Quatro anos depois, conquistou acima do quíntuplo de votos (46.898), cerca de 49% dos votos válidos, fruto de uma virada eleitoral extraordinária.
Em 2004, foi reeleito com 38.891 votos, o equivalente a 38% da soma válida, mas impedido de continuar no cargo pela Justiça Eleitoral. Nesse domingo, contabilizou 31.447 votos (28%) e atribuiu sua derrota ao fato de não possuir duas emissoras de rádio na cidade.
O deputado estadual Clésio Salvaro (PSDB) disputou duas eleições de prefeito. Perdeu uma, ganhou a segunda. Ele recebeu 17.302 votos em 2004. Ficou em terceiro. Nesse domingo, arrebanhou 53.329 votos, o equivalente a 48% da soma válida, e atribuiu a sua vitória à derrota passada.
O candidato nanico Agamenon Godinho (PSTU) fez uma campanha tipicamente camicase em 2004. Disparou contra tudo e contra todos sempre que lhe ofertaram um microfone. Descarregadas as armas e as urnas, amealhou somente 178 votos.
O candidato nanico de 2008 foi Odelondes de Souza (Psol). Ele passou a maior parte da campanha com menos de 1% das intenções de voto. Ponderado, defendeu o diálogo com a sociedade em torno das suas propostas e recebeu 2.322 votos.
O PAI DO CHOQUE
Prefeito eleito Clésio Salvaro retorna a Florianópolis e reassume nesta quarta a presidência interina da Assembléia Legislativa. De lá, acompanha os trâmites do processo que propõe a cassação do registro de sua candidatura no TRE. É consenso entre acusadores e defensores que a fatura será cobrada ou liquidada em outubro.
Enquanto as atenções de Clésio concentram-se na Ilha, seus assessores avaliam o processo de transição e o verão de lua de mel a que ele terá direito. No Paço ou fora dele, o processo já tem o seu guru. Trata-se do professor Celito Heinzen Cardoso, diretor do Instituto Maximiliano Gaidzinski, de Cocal do Sul. Antigo mestre em sala de aula, hoje tutor do plano de gestão.
REAÇÃO OFICIAL
O prefeito Anderlei Antonelli não pretende abrir as portas do Paço Municipal ao prefeito eleito e seus assessores. Prefere escancará-las. “Vou repassar todas as informações que me pedirem, quitar o que for possível, parcelar o necessário e, se quiserem me ouvir, dar algumas dicas”, antecipou na noite de domingo.
Isolado no Rincão e plugado nas emissoras de rádio, Antonelli comemorou a eleição à Câmara dos candidatos egressos do seu primeiro escalão. Além de João Fabris e Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro, incluiu Vanderlei Zilli. “O Zilli adquiriu luz própria, mas também colaborou com o nosso governo e foi beneficiado por ele”, capitalizou.
BOLA DA VEZ
Com os votos ainda quentes, a segunda-feira já deu margem a especulações em torno da composição da futura Mesa Diretora da Câmara. O PMDB elegeu a maior bancada, com cinco vereadores entre os 12, e desponta como favorito nas articulações. Neste caso, o nome de Edinho do Nascimento seria beneficiado uma vez que Zilli já sentou na cadeira.
Articulação distinta, no entanto, pode resultar numa mesa eclética, menos opositora e tão independente quanto neutra. Vai depender das aproximações nos bastidores. Neste caso, maturidade política, experiência na casa e jogo de cintura remetem a um único nome: Douglas Mattos (PCdoB).
ACOMODAÇÃO TÁTICA
A prevalecer o discurso de campanha, ninguém duvida que o primeiro escalão de Clésio terá um perfil pautado pela competência técnica. Bem por isso o nome da vereadora eleita Thati Teixeira conta com simpatias para integrar o executivo. A princípio, para curar uma dor de cabeça chamada Criciúmaprev. Caso a legislação vete, para assumir a Secretaria da Educação.
Tanto num caso como noutro, a convocação de Thati atenuaria um desconforto gerado pelo resultado das urnas para o prefeito eleito. O atual presidente da Câmara, Itamar da Silva, ficaria no máximo poucas horas na primeira suplência da sigla tucana.
PELA MÃO DE DEUS
A eleição do único vereador do PDT, Ezio Jevis Manoel, o Pastor Jevis, assegurou a representatividade evangélica na Câmara, mas criou uma saia-justa para os amigos do apresentador de TV, Ricardo Strauss. Filiado ao mesmo partido, ele perdeu a vaga por três ordinários votinhos. Haja explicação entre os aliados!
BIS
Apontada no início da campanha por correligionários de ser a “queridinha de Décio Góes”, o que chegou a provocar mal-estar nas fileiras petistas, a jornalista e professora da Unesc, Janete Triches, revive a sina. Pela segunda vez, deixa o processo eleitoral como vitoriosa, mas sem cargo.
Em 2000, Janete surpreendeu ao contabilizar mais de 900 votos, creditados a amigos, vizinhos do Jardim Angélica, colegas e estudantes da universidade. Em 2004, ela quase dobrou alcançando 1.701 votos. Na campanha atual, ampliou a base de atuação instalando seu comitê no calçadão da Seis de Janeiro e atraiu 1.793 eleitores.
Por falta de legenda, porém, volta a permanecer na primeira suplência do Partido dos Trabalhadores. Que, por sinal, perdeu uma das duas cadeiras e terá Ivan Westphal, o Camisa, como único representante na casa. Carlos Euzébio, o Kabuki, certamente fará falta. (Nota atualizada às 18:35)
NOS BRAÇOS DO POVO
Cassado pela Justiça Eleitoral em agosto de 2007 por trocar o DEM pelo PP e reempossado em janeiro deste ano, o vereador de Forquilhinha, Ivoney Córneo, teve a titularidade confirmada nas urnas.
CAMPANHA TUMULTUADA
Deu de tudo nessa campanha eleitoral no sul do estado. Veículos apreendidos, cestas básicas confiscadas, cabos eleitorais autuados, eleitor preso por vender o voto, o que caraterizou uma novidade na região (a prisão, não a venda) e até infarto à boca de urna. Infelizmente, fatal.
Fato insólito, contudo, ocorreu bem longe daqui. No interior do município de São Lourenço do Oeste, quatro mesários foram vítimas de intoxicação e tiveram que ser hospitalizados. O juiz local determinou a análise da água mineral e do café servidos na seção eleitoral. Para apurar se houve, de fato, intoxicação ou se foi envenenamento mesmo.



