O Tigre
O Tigre muda pra valer e na hora certa
Por Redação Engeplus
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Louvável a agilidade do Criciúma ao lidar com a crise no seu departamento de futebol. Não deixou se arrastar por muito tempo o bate boca entre o técnico e o gerente e ambos se tornaram "ex" quando protagonizaram a segunda briga forte em uma semana.
Fez bem o diretor Gustavo Gazzolla ao aceitar as demissões de Leandro Machado e Homero Santarelli, e a alternativa foi a mais indicada para o momento: o Gélson da Silva conhece a aldeia e sabe com quem vai lidar nesta nova fase.
Gélson chega com força. Traz o seu auxiliar, traz o seu preparador físico e não terá interferências de um gerente que não conhece. Mas a já comentada possibilidade de Luiz Gonzaga Milioli ser o gerente de futebol cria um ambiente de dúvida. Recorde-se o ambiente que cercou a saída de Gélson do Criciúma em 2007: foram com Moacir Fernandes e Gonzaga Milioli os principais desentendimentos do treinador, que deixou o clube mesmo sendo líder do Campeonato Brasileiro.
Leandro Machado deixa o Criciúma constrangido. O trabalho não foi ruim. Os resultados foram bons com um time ainda limitado, que carece de reforços para ir além do que fez até agora. Porém, Machado transmitiu ao longo desses cinco meses de convívio uma insegurança que vem a confirmar algumas confidências de dirigentes do futebol tricolor. Era voz corrente nas reuniões de diretoria que a falta de confiança nos relacionamentos internos era uma constante.
O novo técnico poderá trazer um período de paz para o clube. Mas precisará de autonomia. Enquanto ingerências não evidenciadas porém conhecidas de muitos continuar permeando o trabalho do futebol tricolor, vai se exigir muita sorte, além de competência, para o treinador, jogador ou qualquer profissional que chegar. Cabe ao Gélson apaziguar os ânimos e saber lidar com as forças internas que em outros tempos, de ótimos resultados por sinal, o fizeram sair do clube.
E quanto aos exigentes de plantão, que eles tenham calma com o Gélson, que saibam entender que às vezes é necessário uma retranca, um joguinho mais de resultado do que de espetáculo. É necessário a ciência, os pés no chão, de que o Criciúma tem um time apenas mediano, e que precisa de tempo, e que a exigência precisa se adequar ao momento, que é de transição. Mas de fato, o Tigre mudou pra valer. E na hora certa, pois a partir de agora tem tempo suficiente para chegar em algum lugar. Lugar bom, claro.



