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O trabalho acadêmico que parou a praça Nereu Ramos

Por Redação Engeplus

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Foto: Fotos: Douglas Saviato/Nícola Martins

Uma apresentação na praça Nereu Ramos fez parar quem circulava pela área central de Criciúma no início desta tarde. Um grupo de estudantes do curso de Artes Visuais da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) esteve no coração de Criciúma realizando uma apresentação da disciplina de Performance e Intervenção. Enquanto a apresentação se desenrolava, homens, mulheres, crianças e idosos pararam para ver o que acontecia. Sem entender, as pessoas olhavam-se e buscavam uma resposta para exposição de uma mulher com um cartaz na mão, no qual estava escrito Vendo este corpo.

Conforme uma das estudantes, Maíra Vefago, o objetivo da apresentação foi parar os cidadãos e alertar para a venda do corpo. “Nossa intenção é essa, mostrar o corpo como mercadoria. Isso acontece todos os dias e as pessoas acabam não vendo, inclusive, muitos destes homens que estão aqui já certamente já compraram um corpo”, ressalta a estudante.

Uma das espectadoras na praça Nereu Ramos era a estudante Vanessa Lobo, de 21 anos. “Eu estou sabendo o que está acontecendo, mas não estou falando para ninguém, pois o objetivo é provocar mesmo a curiosidade e a reflexão das pessoas”, pontua. Já a comerciante de Fatiane Vital achou muito interessante a iniciativa. “A vida é assim, temos que estar preparados para ver e saber de tudo”, destaca.

Próximo do local, a missionária Miriam Ribeiro, de 33 anos, não aprovou o trabalho do grupo. “Acho um absurdo, é uma falta de respeito, tantas coisas para exaltar, acho que a prostituição é desnecessária. Sei que é um trabalho, mas tem lugar para tudo e aqui não é local para isso”. A comerciante Dilma Cascaes, de uma loja em frente onde acontecia a apresentação, aprovou o trabalho acadêmico. “Ela é uma verdadeira atriz, está representando muito bem”, destaca.

Por fim, Maíra Vefago, considerou como positivo o resultado do trabalho. “Acho que atingimos nosso objetivo, de aguçar a curiosidade do povo”. Já a estudante que representou a personagem com o cartaz na mão, Mahira Silveira, disse que foi uma sensação única os momentos que esteve representando o papel de uma prostituta na Praça Nereu Ramos. “Foi muito bom, quero de novo. A experiência muito boa, as pessoas que passavam por mim tanto me elogiavam como me xingavam, inclusive perguntaram quanto custava meu corpo. Mas no fim, acredito que nosso papel foi feito, essa era intenção: chamar atenção do corpo como mercadoria”, finaliza.

Conforme o professor da disciplina de Performance e Intervenção, Marcelo Feldhaus, as acadêmicas são da quinta fase do curso de bacharelado e depois de um semestre com aulas em laboratório, de discussões em sala de aula, as alunas estão em vários pontos da cidade realizando as performances ligadas ao corpo. “Este é um veículo da arte contemporânea, que traz questões do cotidiano a serem debatidos. A intervenção diz respeito aos espaços públicos e as pessoas acabam se chocando, pois são questões da atualidade que acontecem, mas não são vistas”, explica.

Antes deste grupo simular uma cena de prostitução, outro grupo colocou na praça uma pessoa vestida de pijama e travesseiro com o livro Cinquenta Tons de Cinza nas mãos.


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