Por Jussi Moraes - jussi@engeplus.com.br
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Os mais de 2 mil alunos que estudavam no colégio Energia terão um futuro incerto a partir da próxima segunda-feira, quando estava agendado o início das aulas na escola particular de Criciúma. No final da tarde desta terça-feira o oficial de Justiça Demóstenes Generoso de Souza cumpriu o mandado de despejo e arrombamento da estrutura expedido hoje em regime de plantão pelo juiz da 3ª Vara Cível, Júlio Cesar Bernardes. O prédio da AFAP Ltda. era alugado pela franquia Energia desde 2005 e o último pagamento aconteceu em 2008, alcançando a dívida de R$ 3,8 milhões.
As advogadas da empresa credora chegaram à frente da instituição às 17h30min com o oficial de justiça. No momento foi possível observar os funcionários deixando o prédio, inclusive pela porta dos fundos. Às 19h15min foi arrombada a porta e iniciada a desocupação do prédio. “O juiz nos autorizou retirar todos os móveis das salas e levar para o ginásio. Os bens não ficarão retidos, vamos disponibilizar aos proprietários. Se for preciso, vamos passar a madrugada no prédio”, informou a advogada Grasielle de Bem. Segundo ela, o Energia já sabia que deveria esvaziar o local há um ano, e a empresa tomou o cuidado de ligar para os colégios Marista, Michel, São Bento, Unesc e Esucri para saber se existiam vagas para este ano letivo. “Muito embora fosse nosso direito, tínhamos a preocupação de saber se haveria vagas para estes alunos”, revelou.
Em 2010 foi expedida a primeira ordem de despejo. Conforme Grasiela, em outubro de 2011 o juiz fez a execução provisória para a liberação do prédio de forma voluntária, caso não acontecesse no dia 4 de fevereiro de 2012, o despejo seria forçado. “O contrato tem um fiador, que é uma pessoa física de Florianópolis. O que sabemos é que parte da dívida provavelmente não será paga”, lamentou. Ela afirma que existem algumas propostas para locação do prédio, mas até o momento não tem destino.
O oficial de Justiça informou que serão trocadas, ainda hoje, todas as fechaduras de acesso à escola e, caso apareça algum representante do Energia, receberá o mandado judicial. “Estávamos autorizados a utilizar força policial, mas não foi preciso”, alegou Souza.
O advogado do colégio, Ivo Carminati nos últimos dias trabalhou para reverter a decisão da 3ª Vara. “Eu tentei articular uma audiência na sexta-feira, porém não obtive sucesso. É uma pena, a intenção era evitar o dano social”, afirmou. Segundo o advogado, a defesa do processo desde 2008 foi feito por profissionais de Curitiba (PR).
Pais e alunos preocupados com futuro educacional
Enquanto a equipe de advogados e oficial de Justiça aguardavam em frente à instituição para cumprir o mandado de arrombamento, pais e alunos também estavam no local surpresos com a situação. Guilherme Cardoso, de 19 anos, havia feito a transferência para o curso de Administração da Facierc, faculdade do colégio Energia. De acordo com o estudante, ele tinha passado para a 4ª fase da graduação na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), mas devido ao reconhecimento da instituição que almejava estudar e o valor da mensalidade, havia feito a transferência. “É lamentável, estou surpreso. Vim buscar o boleto para pagar a matrícula e fiquei sabendo. Pior é que não sei se terei condições de continuar a faculdade”, desabafou.
A operadora de seguros Silvia Nuernberg também estava impressionada com o despejo. Ela tem um filho de 16 anos que iniciaria segunda-feira o ‘terceirão’. “A minha preocupação é saber onde meu filho irá estudar agora. Além disso, uma mensalidade já foi descontada”, pontuou. Silvia colocou o garoto no Energia no 2º ano do Ensino Médio devido ao nome da instituição e para que pudesse se preparar para o vestibular.
































