Justiça

Operação Blackout: nove pessoas são condenadas por improbidade administrativa

Contratos públicos

Sentença indica que grupo de empresa agia para direcionar resultado de licitações

Por Lucas Renan Domingos14 de abril de 2026 2 min de leitura
TJSC/Divulgação

Nove pessoas foram condenadas por improbidade administrativa no processo da Operação Blackout, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em julho de 2020 e que cumpriu mandados de busca e apreensão também na Prefeitura de Criciúma. A sentença foi publicada pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Criciúma, Evandro Volmar Rizzo, nessa segunda-feira, dia 13.

A investigação apurou fraudes em procedimentos licitatórios relacionados à aquisição de materiais e contratação de serviços de iluminação pública. A sentença aponta a formação de um grupo de quatro empresas, todas capitaneadas por um dos réus, que concorriam em processos licitatórios de forma simultânea a fim de direcionar a concorrência. Dessa forma, aponta a decisão, pouco importava quem seria a vencedora, já que qualquer uma delas beneficiaria o mesmo grupo.

Entre os condenados estão quatro sócios das empresas envolvidas no esquema, um gestor financeiro do grupo, um representante do conglomerado nas licitações e mais três servidores públicos (uma ex-secretária, um ex-gestor do Fundo Municipal de Saneamento Básico (Funsab) e um engenheiro). As empresas também foram condenadas e ficam proibidas de firmar novos contratos públicos por tempos determinados.

As provas indicaram que ao menos oito licitações da Prefeitura de Criciúma foram direcionadas para beneficiar o grupo entre os anos de 2019 e 2020. Os contratos obtidos superaram o valor de R$ 21 milhões. A sentença ainda revela que o favorecimento ilícito dependia da atuação de agentes públicos cooptados pelos empresários.

No processo, o juiz afirma que o então gestor do Funsab já havia trabalhado anteriormente no setor de licitações e repassava informações privilegiadas, intermediando reuniões, aditivos contratuais e suspensão de certames. A ex-secretária participava dos atos ilícitos ao autorizar a utilização de projetos e orçamentos repassados pelo empresário que comandava o esquema com ajustes de editais e cronogramas. E o engenheiro utilizava documentos elaborados pelo corpo técnico do conglomerado empresarial.

Os réus também precisarão pagar multas que variam para cada um dos réus, sendo a mais alta delas no valor de R$ 6,3 milhões ao empresário que capitaneava o esquema investigado pelo Gaeco. A decisão ainda cabe recurso. Procurada, a Prefeitura de Criciúma informou que ainda não foi notificada da sentença.

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