Engeplus
Saúde

Obesidade

Os desafios da obesidade infantil

A organização Mundial de Saúde considera um dos problemas de saúde pública mais graves da atualidade e uma epidemia

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

Compartilhar:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a obesidade infantil um dos problemas de saúde pública mais graves da atualidade. Consumir alimentos altamente calóricos, ricos em gor­dura, sal, açúcar, não ter hábitos saudáveis, entre outros fatores, levam, também, crianças ao sedentarismo, e por consequência, a enfrentar o sobrepeso.

Conforme informações de uma pesquisa de orçamentos familiares do Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE), publicado em agosto de 2010, o peso dos brasileiros aumenta nos últimos anos. Para os homens adultos, de 18,5% para 50,1%, já nas mulheres o exces­so de peso passou de 28,7% para 48%. E as crianças começam a ultrapassar os limites a partir dos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda. O médico cardiologista pe­diátrico do hospital São José, de Criciúma, Marco Aurélio Simon, faz alguns apontamentos sobre os cuidados com crianças que estão acima do peso.

Publicidade

Quais fatores indicam que uma criança é obesa?
Para se fazer o diagnóstico de obesidade se utilizam gráfi­cos e critérios que levam em consideração peso, estatura, índice de massa corporal (IMC) e idade da criança.

Quais os motivos que fazem com que as crianças de hoje sofram com a obesidade?
Hábitos alimentares, pouca atividade física, fatores bio­lógicos, comportamentais, psicológicos estão envolvidos na base desse problema. O grande consumo de fast food, salgadinhos, chocolates, biscoitos recheados, mau hábito alimentar familiar, refrigerantes, produtos industrializados ricos em açúcar, entre outros. Esses fatores são em muito estimulados pelas propagandas na mídia, por brindes vin­dos com os produtos. Associado a tudo isso, há o aumento considerável do tempo em frente a televisão, computado­res, videogames e a consequente falta de atividades físi­cas. Não é necessário ser radical em relação a esses pontos, mas bom senso é fundamental para que exista equilíbrio nas atividades da criança, bem como na alimentação. O tipo de atividade varia com a idade e com a preferência da criança. Vão desde andar de bicicleta, caminhadas pas­sando por aulas de dança, artes marciais, futebol ou outros esportes.

Quais os riscos que a obesidade traz para as crianças?
Traz todos os mesmos riscos que ela traz para um adulto obeso, só que muito mais cedo. Há aumento da incidência de diabetes, hipertensão, distúrbios de colesterol, outros dis­túrbios endocrinológicos, alterações no esqueleto, afeta o crescimento e muito mais. Além disso, pode causar pro­blemas psicológicos, com a autoestima, estresse, ansieda­de, pode desencadear distúrbios alimentares, depressão e muito mais.

Essa doença pode ser considerada uma epidemia?
As duas coisas. A organização Mundial de Saúde (OMS) considera a obesidade infantil um dos problemas de saúde pública mais grave da atualidade e uma epidemia. Em 2010, existiam em torno de 42 mi­lhões de crianças obesas no mundo. Em crianças de 6 a 11 anos, calcula-se que 30,3% possuem sobrepeso e que 15,3% sejam obesas. Dos 12 aos 19, os dados são bem pa­recidos; 30,4% com sobrepeso e 15,5% obesos. No Brasil, estima-se que em torno de 30% das crianças sejam obesas ou tenham, pelo menos, sobrepeso. A cada ano, ao me­nos, 2,8 milhões de pessoas adultas morrem em consequ­ências do excesso de peso. Crianças acima do peso, entre os 10 e os 14 anos, com pelo menos um dos pais obeso ou com sobrepeso, têm 79% de probabilidade de se tor­narem adultos obesos.

Publicidade

Como os pais podem ajudar a combater este problema?
O papel dos pais é fundamental no controle da obesidade. Isso se deve ao fato de que o principal tratamento desse problema deva ser a reeducação alimentar e mudança de hábitos de vida. Sendo assim, não adianta querer que só a criança se alimente direito, toda a família deve aprender a comer de maneira correta, pois crianças seguem exemplos. Se os pais são sedentários, como vão cobrar que os filhos façam atividade física? Outra coisa que não se pode fazer é cobrar excessivamente a criança, pois isso pode levá-la a ficar mais ansiosa e assim comer mais ainda.

Qual o papel do médico na condução do tratamento de uma criança obesa?
O tratamento da obesidade é multiprofissional. Em geral, o pediatra faz o diagnóstico e a avaliação inicial, além de manter o acompanhamento pediátrico da criança. Cabe ao cardiopediatra avaliar as consequências cardiovascula­res, tais como a hipertensão, distúrbios do colesterol entre outros. Além disso, orientar a mudança de hábitos de vida. Também é importante a atuação do nutricionista e até acompanhamento psicólogo. O educador físico participa do tratamento fazendo o planejamento das atividades físicas necessárias para a perda de peso e adequadas para a idade.
Na presença de distúrbios en­docrinológicos (diabetes, doenças da tireóide, etc), o en­docrinologista tem papel fundamental no tratamento e acompanhamento dessa criança. Resumindo, o tratamen­to da obesidade é complexo, envolve muitos profissionais de diversas áreas da saúde. Todos trabalhando juntos com a família em prol da saúde da criança.

Colaboração: Kátia Farias/Comunicação hospital São José

Compartilhar:
Leia a seguirSaúde de Içara lança campanha de Carnaval
Publicidade