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PF emite de 400 a 500 vistos de permanência por mês

Região já abriga mais de três mil imigrantes

Por Redação Engeplus

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Foto: Imagem / Nei Manique

Um ano após a Copa do Mundo, persiste na região de Criciúma o que pode ser considerado um legado da competição. Somente agora em junho, mais de 400 estrangeiros receberam o visto de permanência temporária na Delegacia da Polícia Federal, a maioria oriunda do continente africano. Gana é a pátria de origem do maior grupo, superando os haitianos que predominavam no ano passado.

Flexível, a legislação brasileira faculta a imigração por várias razões, entre elas a ajuda humanitária. "Os haitianos que nos procuram facilitam o nosso trabalho porque já chegam com esse visto de permanência, válido por cinco anos", conta Mirella Mendes da Silva, funcionária terceirizada no Setor de Atendimento a Estrangeiros na DPF.

Já os ganenses, na rota para o Brasil desde que a sua seleção participou do Mundial, vêm como refugiados com os senegaleses. "Eles ganham vistos de turistas que precisam ser renovados ano a ano", informa Mirella. "Distribuímos seis senhas pela manhã, seis à tarde, mas atendemos de 20 a 25 estrangeiros por dia de segunda a sexta. A fila já se forma às 4:30 da manhã."

Na busca pelo visto, nem todos são imigrantes. Há também estudantes matriculados na Unesc, a maior parte de Angola. Com eles, a comunicação é tranquila, mas com os demais haja tempo e improvisação. "Como os ganenses falam inglês, os senegaleses e haitianos o francês, às vezes viramos a tela do computador e digitamos no Google Tradutor", relata Mirella. "Não é o ideal, mas ajuda."

ESTÍMULO À GRAVIDEZ
Três ganenses encaminhados ao Presídio Santa Augusta por falsidade ideológica - uso de passaportes sul-africanos falsos - foram as únicas prisões na região desde o início do fluxo imigratório. Fora isso, dois óbitos por causas naturais e um atropelamento com sequelas graves totalizam as ocorrências negativas no balanço da Secretaria Municipal de Assistência Social.

As estatísticas positivas são bem mais numerosas e tranquilizadoras. "Estimamos em cerca de três mil o número só de imigrantes que veio para cá desde a Copa", aponta a secretária Solange Barp. "A esmagadora maioria é de homens em busca de trabalho e a construção civil é o setor que mais os acolhe em Criciúma e municípios vizinhos."

Muitos dos imigrantes chegaram a pernoitar na Casa de Passagem, mantida pela secretaria. "Alugamos quatro casas que servem de parada temporária", esclarece Solange. "À medida que conseguem trabalho, eles se mudam para perto das empresas. Os relatos dos empresários são animadores. Adaptam-se logo às atividades e são muito disciplinados."

O balanço da secretaria alcança também a intimidade dos lares ou o que já se converteu em vida familiar. "Do ponto de vista legal, registramos apenas um casamento, mas alguns casais já ganharam filhos", diz a secretária. "Pelas nossas contas, foram 10 crianças até agora e há nove haitianas grávidas. O medo de perder o visto acaba estimulando a gravidez."

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