Polícia Civil elucida homicídio de jovem desaparecida em Braço do Norte e dá detalhes sobre o crime

Ex-sogra e companheiro, além da atual parceira do ex-namorado da vítima foram presos

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Polícia Civil elucida homicídio de jovem desaparecida em Braço do Norte e dá detalhes sobre o crime
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil de Braço do Norte apresentou detalhes do homicídio de Jéssica Elias da Rosa, de 24 anos, durante uma coletiva na tarde desta sexta-feira, dia 24. A jovem, que estava desaparecida desde o dia 20 de janeiro de 2023, foi assassinada e enterrada em uma área de mata fechada em Açucena, em Braço do Norte. O corpo foi localizado na noite dessa quinta-feira, dia 23. A ex-sogra da vítima e seu parceiro, a atual companheira do ex-namorado de Jéssica, além de uma quarta pessoa são investigados no crime.

Responsável por coordenar as investigações, a delegada Jucines Ferreira, afirma que o crime teria sido motivado por desentendimentos entre Jéssica e sua ex-sogra. É que o ex-namorado da vítima, filho da suspeita, foi preso depois de atear fogo na casa e em parentes de Jéssica, fazendo com que a sogra da jovem culpasse a nora pela prisão do filho.

“A ex-sogra da Jéssica detinha um rancor muito evidente. Quando ela prestou o depoimento durante a investigação ela chegou a falar, talvez até sem pensar, que o filho estava preso por conta da vítima. Elas tinham um relacionamento conturbado. Mesmo com o ex-namorado preso, a Jéssica voltou a ter um relacionamento com ele, o que não era aprovado pela sogra, que influenciou seu filho pelo término da relação”, detalhou a delegada.

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O filho da investigada chegou a ser solto e iniciou outro relacionamento com a sua atual namorada, que também é investigada na morte de Jéssica, de quem era amiga. “A partir daí, sogra e nora começaram uma rixa com a Jéssica, promovendo uma disputa entre as amigas pelo amor de uma pessoa que hoje está novamente presa por decorrência de uma investigação de homicídio”, contou Jucines. As investigadas também acusam Jéssica de ter criado um perfil nas redes sociais, se passando pela atual namorada do seu ex, fingindo que ela tinha um terceiro relacionamento.

Os episódios até o crime

Jéssica saiu de casa no dia 20 de janeiro. No dia 21 ela foi sequestrada em Braço do Norte, a uma quadra da sua casa, e colocada em cárcere privada até o dia 23 de janeiro, quando, segundo apontou as investigações, ela foi assassinada e enterrada.

Inicialmente, o sumiço da vítima foi dado como desaparecimento. Na noite do dia 22 de janeiro, Jéssica chegou a mandar uma foto para a família. Com rosto de quem havia chorado, ela teria enviado uma mensagem relatando que havia cometido um erro e que, por conta disso, saiu da cidade.


Foto: Divulgação/PM

“Tempos depois a família nos apresentou informações de que achavam que a mensagem não tinha sido escrito pela Jéssica. Passamos a investigar e vimos que ela entrou em um carro, que depois foi identificado como sendo da ex-sogra dela. Mais pra frente, a ex-sogra da vítima postou uma foto interna de sua casa nas redes sociais e isso mostrou que a parede da casa da foto que a Jéssica mandou era a mesma da casa publicada pela ex-sogra”, explicou a delegada.

Os detalhes do crime foram relatados pelo terceiro investigado no crime, que é companheiro da ex-sogra da vítima. No depoimento ele descreveu a cronologia dos fatos. Depois do sequestro de Jéssica, a vítima foi levada para casa das suspeitas. Tempos depois, foi carregada para uma região erma em Grão-Pará onde foi agredida e, em seguida, encaminhada novamente para a casa das suspeitas.

“Logo após esta tortura, sogra e nora chegaram a ir até a casa da Jéssica falar com a mãe dela. Elas insinuaram que queriam saber onde Jéssica estava porque queriam conversar com ela sobre o perfil fake que a vítima teria criado”, afirmou Jucines.

No dia 23, Jéssica mais uma vez foi retirada da casa das suspeitas e levada para a comunidade de Açucena, em Braço do Norte. No terreno do sítio da irmã da ex-sogra, que não tinha conhecimento do crime, ela foi torturada. “Ela apanhou tanto que o companheiro da ex-sogra da vítima relatou que não sabia se depois da tortura a Jéssica estava viva ou morta. Para evitar mais sofrimento para ela, ele aplicou um mata-leão”, informou a autoridade policial.

O investigado disse que só aceitou colaborar com o crime porque as outras duas investigadas fazem parte de uma facção criminosa e que temia que se não colaborasse seria morto. Ele afirmou ainda não ter realizado as torturas. Após morrer, a vítima foi enrolada em um cobertor, com a cabeça enrolada em um saco plástico e com os braços amarrados e depois enterrada.

“Os suspeitos ficaram sabendo que haveria uma limpeza no sítio e uma semana depois voltaram ao local e retiraram a Jéssica do buraco. Eles levaram ela para uma zona de mata fechada para enterrá-la novamente. Esta ação contou com a ajuda de uma quarta pessoa suspeita que segue sendo investigada. O corpo foi enterrado com 50 quilos de cal, para impedir até que um cachorro conseguisse localizar. O cadáver estava íntegro, conseguimos identificar a vítima pelas tatuagens, mas a cabeça estava desfigurada, não sabemos se pelas agressões ou por efeito do cal”, falou a delegada.

Suspeitos estão presos

A ex-sogra de Jéssica e a atual companheira do ex-namorado da vítima estão presas temporariamente. Ambas foram detidas no último sábado, dia 18, uma delas em sua casa, em Braço do Norte, e a outra quando foi visitar o namorado no Presídio Regional de Tubarão. Já o parceiro da ex-sogra foi preso nessa quinta-feira, dia 23, em uma lavação em Braço do Norte

Os três responderão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver e associação criminosa. As duas mulheres responderão também por crime de tortura.

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