Policial recorda
Policial recorda enchentes dos anos 80
Por Redação Engeplus
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Ao ver as imagens da tragédia que assola a região norte do estado, o policial militar rodoviário Raimundo Silvano dos Santos Filho comenta que passa um filme em sua cabeça. Ele atuou nas duas enchentes do início da década de 80 e, se não fosse a recuperação pela cirurgia realizada há oito dias, garante que estaria lá outra vez.
Em meio às recordações, o cabo que atua no posto de Cocal do Sul não consegue conter as lágrimas ao lembrar da menina de quase oito anos que o parou numa rua de Brusque durante uma madrugada de julho de 1983 e, aos prantos, pediu que encontrasse sua mãe e irmão que haviam caídos em um barranco. Não chegou a caminhar 50 metros e encontrou os dois corpos. “Foi um cenário de guerra que tínhamos na memória. Agora o filme volta a passar na minha cabeça. Queria muito estar lá para ajudar outra vez”, diz.
Naquela época, o toque de recolher predominava nas ruas após o entardecer. Silvano fazia parte do policiamento montado e perdeu a conta de quantos corpos desciam pelos rios e ficavam presos nas patas dos cavalos do policiamento. Também nos desastres da década de 80, a fome gerou uma série de saques em mercados e bares. “As pessoas entravam nos locais para matar a fome. A situação era caótica. Não tínhamos energia. A comida e água estavam no fim. Nós ficávamos com o coração na mão”, recorda.
Natural de Aracaju (SE), ele estava saindo da escola de formação militar em Florianópolis quando foi escalado para atuar no auxílio às vítimas da enchente em Gaspar, Brusque e Indaial. Ficou um mês sem contato com a família já que a única comunicação na região era por radioamador.
Ele recorda que ao voltar para casa não foi reconhecido pela filha de um ano. “Vivíamos molhados e sujos de barro. Quando voltei nem minha filha me reconheceu. Só quem vivenciou outras enchentes consegue ter a dimensão do estrago atual”, comenta o policial que hoje reside em Cocal do Sul e recebe as doações de roupas e comidas no posto policial para enviar aos desabrigados do norte.



