Justiça

Prefeito de Praia Grande vira réu no processo da operação Maktub

Denúncia acatada

Ele é acusado de fraudar o processo licitatório de construção da rua coberta

Por Lucas Renan Domingos18 de dezembro de 2024 3 min de leitura
Divulgação

Uma denúncia ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foi recebida por unanimidade pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e seis pessoas se tornaram rés, entre elas o prefeito Elisandro Fanica (PP), em uma ação na qual são acusadas de fraudar em conluio um processo de tomada de preços para a construção da obra da chamada rua coberta no município de Praia Grande, no Sul de Santa Catarina. A Justiça entendeu que havia indícios suficientes para a instauração da ação penal pelos crimes de fraude em licitação, frustração do caráter competitivo de licitação e afastamento de licitante.

A denúncia criminal foi oferecida pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos e pelo Grupo Especial Anticorrupção de Criciúma (GEAC) do MPSC e tramita em segundo grau em razão da presença de um agente político com prerrogativa do foro entre os acusados. A sessão foi realizada no dia 10 deste mês e contou com sustentação oral pelo Coordenador-Geral do GEAC, procurador de Justiça Felipe Martins de Azevedo.

As informações que resultaram na denúncia criminal contra os acusados surgiram após a deflagração da Operação Maktub, no Município de Forquilhinha, pela Polícia Civil de Santa Catarina, quando se apurou que o prefeito de Praia Grande, agentes públicos e particulares teriam atuado em conjunto desde, pelo menos, fevereiro de 2023 com o objetivo de frustrar o caráter competitivo da licitação e, por consequência, direcionar a adjudicação do seu objeto para uma empresa previamente escolhida para a realização da obra, antes da abertura do procedimento licitatório. De acordo com as apurações, teria havido ajustes e outros expedientes para frustrar o caráter competitivo da tomada de preços.

Foi apurada pela investigação uma diferença entre o custo real e total da obra entregue pela empresa e aquele previsto no orçamento e projeto. Ao total, o prejuízo aos cofres públicos com a fraude teria sido de R$ 247.675,85. Segundo consta na denúncia, o superfaturamento, somente em relação à cobertura, alcançou R$ 64.234,06.

O prefeito é apontado por ter dado irrestrita liberdade na confecção de documentos que seriam públicos a particulares, bem como negociado preço de forma global e antecipada, aceitado materiais escolhidos pelo particular e os valores que lhe foram repassados. Essa conduta, segundo a investigação, foi apurada como sendo completamente incompatível com a impessoalidade e igualdade de oportunidades que regem as licitações públicas, agindo como se fosse um negócio particular. Além disso, a partir da aceitação do sócio-administrador da empresa investigada em "fazer a obra", ele teria costurado uma parceria muito antes da confecção de qualquer documento detalhado acerca da tarefa e da publicação da licitação.

Outro denunciado, engenheiro do Setor de Planejamento da Prefeitura de Praia Grande, seria o responsável por ter falsificado quase todos os documentos confeccionados pelo empresário vencedor da licitação e outro particular, que embasaram o edital da licitação, a fim de dar a aparência que tivessem sido elaborados pelo servidor público, incluindo o memorial descritivo, a planilha orçamentária, o cronograma físico-financeiro e o projeto da estrutura.

No caso, o prefeito e o engenheiro deram o aval para que pessoa ainda não contratada pela administração pública definisse as regras do edital da licitação da obra, que já nasceu viciada, segundo a investigação, tendo frustrado o seu caráter competitivo. Agora, a ação penal terá andamento e os acusados serão citados para oferecer defesa.

Durante as investigações, o prefeito Fanica chegou a ser afastado do cargo, mas a Justiça autorizou o seu retorno à prefeitura depois de dois meses. Ele foi reeleito prefeito de Praia Grande para o mandato de 2025-2028.

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