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Projeto Via Rápida enfrenta primeira negociação tensa

Por Redação Engeplus

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Negociações propostas pela SC Parcerias, responsável pelas desapropriações para a implantão da Via Rápida, provocaram reações e revolta dos moradores da Rua 503, no bairro Ana Maria, na tarde desta quinta-feira. De acordo com as famílias já visitadas pelos mediadores, os valores oferecidos são insatisfatórios.

“Abaixo do valor certo é apelido”, reclamou a manicure Jussara Accordi. “Tenho dois terrenos, mas eles disseram que minha casa está deteriorada e que somando tudo vale R$ 72 mil. Só que por menos de R$ 130 mil não vou aceitar sair. Não quero ser prejudicada nem prejudicar o futuro dos meus dois filhos, mas quem pode dizer quanto vale a minha história aqui?”, bradou.

Há oito anos, Jussara foi a primeira moradora da rua e diz ter comprometido a sua saúde em função dos impasses com a desapropriação, intensificados em outubro. “Por causa do estresse todo já perdi até a visão deste olho”, mostrou, chorando. A avaliação dos imóveis, segundo ela, também não está correta. “Meus terrenos somam 496 m2 e eles arredondaram para 490. Só hoje é que refizeram a conta dentro da minha casa. E ninguém aqui na rua pode fazer melhorias porque eles proibiram de mexer de outubro pra cá.”

O ex-presidente da SC Parcerias e responsável pelas conversas anteriores com a comunidade, Ivo Carminatti, chegou a pressionar por telefone, garantiu Jussara. "Ele disse que se a negociação com os técnicos não fosse aceita durante a visita, os valores determinados pelo juiz seriam ainda menores e que os proprietários iriam se arrepender", relatou.

Engenheiro civil da SC Parcerias, Guilherme Medeiros explicou que a empresa já indenizou boa parte dos proprietários nos 11 km de obras ao longo dos bairros Poço Oito, Primeira Linha, Segunda Linha, Terceira Linha e Jardim Maristela. O único impasse, segundo ele, está ocorrendo no Ana Maria porque os moradores adquiriram a área que pertenceu à CSN e, assim, são donos de fato, com recibo de compra e venda, mas não de direito, como os que possuem escritura.

“Por isso não poderemos indenizar diretamente os moradores", sublinhou Medeiros. "Mesmo quem aceitar a proposta terá o valor depositado em juízo, mas estamos trabalhando com valores de mercado, baseados em avaliações feitas em cada propriedade, considerando as áreas do terreno e da casa, padrão construtivo e estado de conservação”, frisou. “Recomendamos que não fossem feitos mais investimentos porque eles deixarão as casas.”

O negociador da SC Parcerias, Ricardo Belolli, acrescentou que algumas propriedades estão sendo recadastradas porque o número de residências no local mudou depois do levantamento feito em junho e atualizado em outubro. “Há três casas aqui que não estavam antes”, assinalou.

Não há prazo definido para a desocupação dos imóveis, mas na próxima semana os negociadores retornarão à comunidade para uma nova conversa. “Ainda não há uma data limite, mas nosso interesse é resolver o quanto antes”, destacou Medeiros. Cerca de 120 áreas estão sendo desapropriadas para dar espaço à Via Rápida, novo acesso da BR-101 a Criciúma. O montante destinado às desapropriações é de R$ 7 milhões.

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