Quarentena no Estado de São Paulo prejudica escoamento da produção de maracujá do Sul catarinense

Região é a terceira maior produtora da fruta no Brasil

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Quarentena no Estado de São Paulo prejudica escoamento da produção de maracujá do Sul catarinense
Foto: Divulgação

O Estado de Santa Catarina é considerada o terceiro maior produtor de maracujá azedo do país – ficando atrás somente dos Estados da Bahia e Ceará. O sul catarinense representa 95% da produção estadual. A cada nova safra, os agricultores da região colhem aproximadamente 60 mil toneladas da fruta. Dessa quantidade, 80% é direcionada à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Por conta disso, o setor vem sendo fortemente atingido pelas medidas de restrição de circulação de pessoas e atividades econômicas. O Governo de São Paulo determinou quarentena no Estado e a produção de maracujá sul catarinense está encalhada.

O extensionista da Epagri de Criciúma, Diego Adílio da Silva, explica que mesmo com a permissão da entrada de caminhões em território paulista, a movimentação na Ceagesp teve redução. “Diminuiu o fluxo de comercialização e o nosso maracujá emperrou aqui no Sul. Os próprios atacadistas também estão com receio de fazer transporte para lá e ficar se expondo a alguma contaminação. Então preferem realizar o transporte mais próximo dentro de Santa Catarina e não percorrer distâncias maiores, como uma ida até São Paulo”, salientou.

O impacto das medidas restritivas para o combate do coronavírus eleva ainda mais a preocupação dos agricultores. Eles já vinham sofrendo recentemente com perdas de produção por conta da estiagem na região.

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“Agora a situação é ainda mais delicada. A nossa safra começou no fim de dezembro. Até o início da quarentena, o produto estava sendo comercializado normalmente. De duas semanas para cá, ele ficou emperrado em nossa região. E ainda estamos em período de estiagem. Além da pandemia, tem o problema da seca, que já acarretou uma redução de aproximadamente 35% da produção dos pomares nesta safra”, analisou Silva.

Alternativas para o escoamento

A Epagri vem acompanhando de perto o drama. As estimativas do órgão é de que, até o fim da safra, somadas as perdas de produção por conta da estiagem com a não comercialização do que já foi colhido, a queda no faturamento dos produtores de maracujá seja de aproximadamente 50%.

“Ainda precisa fechar o período de safra, que vai até agosto, para calcular corretamente. Mas as projeções indicam para R$ 30 a R$ 40 milhões a menos que deixarão de circular na economia. É uma verdadeira quebra”

Diego Adílio da Silva, extensionista da Epagri de Criciúma
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Em parceria com os agricultores, a Epagri tenta buscar soluções, para o problema estudando alternativas para escoar os frutos armazenados. O caminho seria distribuir a produção de maracujá de mesa (a fruta) que seria encaminhada à Ceagesp para atender compradores paralelos.

“Hoje as saídas seriam os circuitos curtos de venda, fazendo atendimento direto para as redes supermercadistas do Estado. Outra opção seria agregar valor ao produto enquanto fruta, mas dar uma destinação para ele seja por meio da indústria, com a produção de polpas, de geleias, doces, pães e outros produtos que podem ser feitos com maracujá. Aqui em casa, estou testando fazer geladinho de maracujá para compartilhar a receita no site da Epagri com os agricultores”, contou da Silva.

Na região Sul catarinense, são mais de 700 produtores da fruta. Em Santa Catarina, são aproximadamente 2 mil hectares de pomares. Dessa quantidade, 1,9 mil está plantada somente no Sul do Estado.

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