Engeplus
Esportes

Bateu levou

Queiroz diz não estar arrependido de ter respondido a provocação

"Só respondi ao gesto que fizeram para mim", justifica ex-diretor de futebol

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

Compartilhar:
Foto: Marcelo de Bona

Raimundo Queiroz diz não estar arrependido de ter respondido com gestos obscenos as provocações de alguns torcedores. A reação do diretor executivo de futebol tricolor, durante a segunda etapa do jogo contra o Joinville, acabou culminando com a sua demissão de Queiroz na manhã desta quinta-feira.

Publicidade

“Não me arrependo de forma alguma. Só respondi ao gesto que fizeram para mim. O Brasil tem o defeito muito grande. O bandido pode andar armado e o cidadão não, o bandido pode bater em você na rua e você não, e a torcida organizada pode cometer atos de vandalismo e o dirigente tem que se esconder. Não tenho medo de ninguém, as coisas não podem ser assim. Não é a torcida do Criciúma, mas alguns membros da torcida organizada chegaram na minha frente e fizeram inúmeras provocações e gestos. Respondi com um gesto só, é um direito meu, não fiz em nome do clube, fiz em meu nome. Paciência, não foi a primeira vez e não vai ser a última. Se me provocarem, dependendo do momento que estiver, vou responder, e em qualquer lugar, é meu direito de cidadão”, justifica o ex-dirigente.

Raimundo Queiroz foi contratado pelo Criciúma no dia 13 de novembro do ano passado, na reta final da Série A do Campeonato Brasileiro. Durante o período em que permaneceu no clube carvoeiro, Queiroz garante que não sofreu nenhuma ingerência nas suas ações a frente do departamento de futebol.

“Tive total autonomia para o meu trabalho, não posso reclamar. Todos os atos foram meus, não foi participação, a decisão final foi minha. Se tiver algum mérito, espero que me deem algum. Porque a responsabilidade de bancar o projeto foi minha, se houveram erros, também foram meus. Quem aprovou todas as ações não foi o Cláudio (Gomes) ou o Lédio (D`Altoé) foi o Antenor Angeloni. Todas as ações foram discutidas com o presidente, não recebi ordem, mas recebi apoio para executar o projeto, e vejo que foi lucrativo”, afirma Queiroz.

Confira mais alguns temas da entrevista coletiva de Raimundo Queiroz:

Bater de frente com a torcida

Publicidade

“Fui presidente, diretor executivo, diretor de base, ganhei e perdi títulos. Não é a primeira vez que tenho problema e discuto com torcida. No Goiás tive brigas terríveis para fazer as coisas funcionarem. Nos outros lugares também, é bater de frente e voltar, não vou pipocar para ninguém. Acho que todo ser humano deve respeitar as pessoas, e não se esconder atrás de alguma entidade para desvairar a sua ira em cima de cidadãos de bem. Nesta madrugada, quando estava reunido com os torcedores no pátio, algum me falou que pagava para isso. Falei que não, sou pago para trabalhar, não para ser xingado, se xingar vai ter troco e baixa o dedo, não fala assim, respeito aos meus cabelos brancos. Vivo futebol porque quero, sei fazer outras coisas, fui um empresário de sucesso, mas abdiquei de todo para fazer futebol, porque gosto. Não tiro o chapéu para ninguém, para fazer as coisas sérias, sou honesto. Aonde estiver, sempre vão falar de mim. Espero que o Criciúma não sinta tão cedo saudade de mim. Vai ser um prejuízo muito grande se não aproveitarem tudo o que foi plantado em dezembro”

Projeto de utilizar jogadores da base

“Não fiquei frustrado, e nem me esforcei para trazer jogadores que fossem diferenciados. Nosso primeiro objetivo era revelar atletas, e tenho certeza que esse projeto é fantástico. Ninguém jamais conseguiu fazer um projeto com tantas revelações. Já fiz isso em outras épocas, e agora fiz aqui. Vocês verão o resultado do trabalho que foi feito. Minha preocupação não era trazer atletas para poder suportar o campeonato, era trazer atletas para compor no início para que pudéssemos revelar os garotos que pertencem ao Criciúma. A minha única frustração é forma como as coisas aconteceram. Às vezes algumas interferências que prejudicam um projeto que poderia ter seguimento comigo. Mas a direção do clube deve dar sequência, pois já viram o benefício que o clube está tendo com a forma como o projeto está sendo executado”

Força política

“Tivemos várias partidas em que fomos prejudicados por falhas individuais ou erros de arbitragem. Não reclamamos, ficamos quietos, tentei reclamar uma vez e vi que não tinha fundamento, tivemos que largar de mão. O Criciúma precisa se impor um pouco mais, a diretoria estatutária deve exigir um pouco mais de respeito para poder executar um trabalho de alto nível. Desse jeito, terá sempre um time, nunca uma equipe. O problema do Criciúma não é atleta, é político. Está mais do que visível”

Compartilhar:
Leia a seguirCriciúma oficializa a saída de Raimundo Queiroz
Publicidade