Quinze horas
Quinze horas ao lado dos bombeiros
Por Redação Engeplus
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Pessoas anônimas, movidas pelo desejo de auxiliar o próximo em uma das instituições mais respeitadas do país. Assim são os bombeiros. Por trás das fardas, das patentes, dos nomes gravados nas roupas, histórias. Histórias de alegria, medo, drama e apreensão.
Hoje, no Dia do Bombeiro, o Portal Engeplus faz um breve relato de 15 horas ininterruptas de trabalho passadas ao lado desses bravos profissionais. A equipe de reportagem acompanhou o grupo numa sexta-feira deste inverno com o objetivo de mostrar o corre-corre dos atendimentos nas ruas e o cotidiano dentro de um quartel. Nos trechos a seguir o relato de uma agitada jornada de trabalho.
21:30 - Com a autorização prévia do comandante do 4º Batalhão de Bombeiros Militar tenente-coronel João Carlos Leão Correa a reportagem chega na sede em Criciúma. Descrito pelos profissionais da instituição como um comandante preocupado com a capacitação da corporação e sempre aberto ao diálago, o coronel deixou tudo preparado para a passagem da equipe do Engeplus na instituição. Os jornalistas são recebidos pelo sargento Jair que prontamente deixa a produção conectada com o universo virtual. Enquanto alguns descansam esperando o próximo chamado, outros ficam na cozinha conversando para passar o tempo. Na entrada do batalhão uma pessoa sempre atenta ao telefone e rádio aguarda a próxima emergência. “Se tocar a sirene largamos tudo e saímos correndo”, alerta o cabo Silveira para a equipe de reportagem. E é bem isso que acontece.
São 22:10 quando toca o alarme. De forma rápida, organizada e sincronizada uma equipe corre para o Auto Socorro de Urgência (ASU). A emergência é para socorrer um homem com princípio de infarto. Familiares aguardam apreensivos. Prontamente a vítima é atendida, tem seus sinais vitais controlados e é encaminhada ao Hospital São José. O ASU volta para o batalhão.
02:20 - Em uma noite muito fria o telefone quase não toca. Normalmente os dias de maior ocorrência de acidentes são quintas, sextas e sábados à noite, depois do horário de escolas, faculdades e trabalho quando as pessoas saem para se divertir. Duas equipes permanecem a postos. Elas revezam durante as 24 horas em que permanecem juntas.
02:50 - A sirene toca novamente. Do outro lado da linha uma mulher desesperada avisando que a vizinha está passando mal, no São Defende. Novo corre-corre. Saem para prestar socorro os soldados Albino, profissional que dirige com maestria nas ruas da cidade o ASU, com outros dois companheiros. Com situação asmática grave a vítima é encaminhada ao Hospital São José. Muito mais que mais uma pessoa precisando dos bombeiros, o que marcam as madrugadas são as estórias por trás de cada rosto atendido. “Ela perdeu o marido há dois meses. Uma vizinha deixa os filhos sozinhos e por solidariedade e amizade dorme com a mulher. Não terão nem dinheiro para voltar para casa no dia seguinte”, revela um dos participantes da ocorrência.
03:15 - Na volta ao batalhão os bombeiros vão para os alojamento descansar. A madrugada transcorre tranquila. Para nós jornalistas a ansiedade é enorme e compartilhamos com os profissionais a falta de sono. “Apesar de ter mais de 20 anos de profissão ainda não me acostumei a dormir aqui. Em casa já tenho insônia, aqui então rolo de um lado para o outro. Deito e às vezes descanso algumas horas, mas quando o alarme toca estou pronto para atender a ocorrência”, revela o cabo Silveira, que em menos de dois anos e meio irá se aposentar. De uma famílias de militares, bombeiros e policiais, têm orgulho da profissão. Em um dos Autos Socorro de Urgência vai o nome de seu pai. O irmão é sargento e atua há 36 anos nos bombeiros. “Não sei se conseguirei ficar afastado da função”, observa. Aos 47 anos ele poderá optar por trabalhar mais 10 anos. Depois será obrigado deixar a função por força da idade.
04:00- No rádio a informação de um baleado em Forquilhinha. Bombeiros daquele município atendem a ocorrência. Em Criciúma o desenrolar dos fatos é acompanhado via rádio.
8:00- Novo grupo assume o serviço. Enquanto isso os que estão largando limpam e organizam tudo para os companheiros que irão enfrentar as próximas 24 horas. Na cozinha pães, margarina, doce e maionese acompanhados de café e leite são a última refeição dentro do batalhão até que a equipe volte a trabalho.
“Eu não me imagino fazendo outra coisa”
Hoje no Dia do Bombeiro haverá homenagem aos profissionais, às 19 horas na Secretaria de Desenvolvimento Regional. O soldado Jucemar Apolinário está entre eles. Quando foi convidado pelo amigo para fazer concurso para o Corpo de Bombeiros, Jucemar, de 46 anos e duas décadas dedicados à instituição, não sabia que ali seria o divisor de águas de sua vida.
Conhecido por sua dedicação à profissão o mergulhador conta que não se imagina fazendo outra coisa. Dos inúmeros resgates que atuou em duas décadas nos bombeiros de Criciúma são os atendimentos com crianças que emocionam. “É gratificante demais salvar uma vida”, diz. Dos quatro filhos, a primogênita de 22 anos pretende seguir os caminhos do pai.



