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Rafaela Ferreira finaliza primeiro ano na F1 Academy com aprendizado e foco em 2026

Atleta está representando o Brasil no categoria pela Visa Cash App RB

Por Emanuela Teixeira

7 min de leitura

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Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

A pilota criciumense, Rafaela Ferreira, de 20 anos, chegou ao fim de sua primeira temporada na F1 Academy. A atleta está representando o Brasil no campeonato, pela Racing Bulls, que atualmente corre com o nome Visa Cash App RB (VCARB), equipe secundária da Red Bull. A categoria é exclusivamente feminina e gerida pelo Fórmula 1, com a intenção de capacitar mulheres para outras categorias no automobilismo.

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Para Rafaela, se pudesse resumir o ano em uma palavra, seria aprendizado. “Foi um ano bem complicado, para falar a verdade, mas em que aprendi bastante coisa. Cheguei lá, pensando saber tudo, mas é muito diferente. O time de lá, eles levam o automobilismo muito mais a sério. A própria competição em si, a F1 Academy, como as coisas funcionam, não só dentro do carro, mas fora também”, compartilhou.

Algo que marcou muito a piloto, e que ela contou não esperava, foi gostar tanto de correr na chuva. “Todos os momentos que teve chuva, andei muito bem. Era uma coisa que às vezes eu tinha um pouco de medo, quando comecei a correr. Durante o ano, toda vez que tinha chuva, eu falava assim, não, tá de boa, porque sei andar na chuva. As provas que eu conseguia ir melhor eram as que estava chovendo, então foi muito legal essa parte”, frisou.

Contato com o mundo da Fórmula 1

Outro ponto importante foi o fato de poder ter contato com a equipe da Racing Bulls e também da Red Bull. “Uma coisa muito especial para mim, fora dos carros, foi estar com a Visa, indo à fábrica, fazendo simulador e conhecer alguns pilotos que eu admirava pela TV e essa foi a primeira vez que, estava no mesmo espaço que eles”, relatou.

Dia em que conheceu Max Verstappen. (Divulgação/Redes socias (@rafaelaferreira.18)

Em especial, Rafaela citou dois pilotos, Max Verstappen e Daniel Ricardo, sendo que o segundo ela teve mais contato. “O Vertappen, foi bem querido, uma das pessoas que mais me deu a atenção dos pilotos. Eu estava esperando que ele fosse mais retraído e quieto. O Daniel Riccardo também me recepcionou muito bem, todas às vezes que estive com ele, pois fiz uma campanha com junto aos meus patrocinadores. Ele é muito engraçado, acho que a maioria das vezes a gente tentava fazer as coisas mais sérias, não conseguia e começava a rir”, expressou.

As diferenças entre os carros

Apesar de já ter corrido com vários estilos de carro, comparando com a Fórmula 4, em que mais disputou, o mais diferente são os pneus. “Tem uma diferença, sim, eu não diria que muito grande, é mais na asa traseira e da frente que muda um pouco. E tem alguns pontos no regulamento que não pode mexer, e poderia na Fórmula 4. Porém, o que mais muda para gente é o pneu. Aqui no Brasil andamos com um de uma marca, só que lá fora é outro e é muito diferente”, contou.

Seu carro na categoria. (Divulgação/Redes socias (@rafaelaferreira.18)

“Muda totalmente o jeito que anda no carro, como freia, como precisa se comportar numa corrida. Essa foi a parte que mais me pegou quando eu mudei. Hoje acho que o carro que ando na F1 é muito melhor, mas ele exige mais. Que tu sejas mais corajosa para na quali, porque não admite muito erro, normalmente você tem uma volta boa e acabou. Então tem que acertar bem certinho de primeira”, afirmou.

Segundo ano na F1 Academy

A atleta renovou com a Racing Bulls para mais um ano, o anúncio foi feito antes da última etapa da temporada, que iniciou no dia 20 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Rafaela pontuou que está focada em 2026 e que seu principal objetivo é estar pronta para ter um ano ainda melhor.

“A Academy tem 2 anos, então esse vai ser o meu segundo e último ano. Então tô me esforçando, me dedicando e trabalhando para fazer um ano bem feito. E acho que o que aprendi esse ano tem que levar agora como aprendizado para o próximo e realmente lutar para conseguir o título”, ressaltou.

Rafaela destacou que um dos objetivos para a próxima temporada é se manter sempre na zona de pontuação. “Para mim a meta seria um pódio, depois estar lutando por uma vitória e, principalmente, diria que é ter uma constância para sempre estar pontuando. Acho que isso é essencial hoje no automobilismo. Se a gente perde uma corrida e não faz pontos, é muito ruim. Então sempre tá se mantendo ali no top 5, acho que é o que vai fazer a diferença no fim”, pontuou.

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Apesar de gostar de correr nessa categoria, a piloto não descarta correr em outros tipos de carros e competições. “Não tenho uma carreira extremamente definida ainda, porque a gente sabe que o automobilismo hoje demanda bastante orçamento e muitas outras coisas. Eu nunca descarto nada na minha vida, não digo que eu sou uma pilota só de fórmula. Gosto de fazer outras coisas também e talvez num futuro eu possa voltar para o Brasil, correr em alguma categoria aqui e consolidar a minha carreira”, completou.

A vida dentro dos boxes

A preparação antes das corridas é muitas vezes mais trabalhoso do que as corridas em si. “No começo do ano eu comparava, a Fórmula 1 Academy com a Fórmula 4 e falava, sete etapas, vai ser o mesmo. Mais é totalmente diferente, fazemos simulador antes das etapas. E também tem a parte do marketing e da carreira, que é muito mais, do que aqui no Brasil, porque aparece bastante”, destacou.

Segundo a piloto, todas as etapas da F1 Academy coincidem com algumas corridas da F1. Dessa forma, elas conseguem assistir às disputas de dentro dos boxes. “A gente tá bem perto ali da Fórmula 1 e acompanha de perto. A maioria das corridas que ocorrem no mesmo lugar a gente consegue tá dentro do box assistindo com eles. É bem legal ter essa participação, digo que caí na equipe certa assim. Porque a VCarb é uma equipe muito família”, detalhou.

Como fica a família nisso tudo?

Ela e sua colegas de equipe. (Divulgação/Redes socias (@rafaelaferreira.18)

Rafaela contou que por conta das viagem e disputas em locais diferentes é difícil que sua família esteja junto nas corridas. “A maioria das vezes vou sozinha, eu e o meu empresário. Eles vão em algumas corridas, nos treinos a maioria das vezes vou sozinha. Até porque conheço a minha equipe, tenho ambas as meninas que correm comigo que são minhas parceiras de equipe, então a gente acaba dividindo hotel, apartamento e é mais fácil”, afirmou.

Um dos principais sacrifícios para a piloto no automobilismo, é a questão da proximidade com os familiares. “Eu diria que é um dos maiores sacrifícios hoje é essa parte realmente de viajar e estar fora. Renunciamos muita coisa, ter amigos, família, vida social para estar lá trabalhando e se esforçando”, relatou.

De todas as etapas que acontecem durante o ano, a favorita de Rafaela foi a do Canada. “Na etapa em si, tive alguns erros, bati e acabei não pontuando. Mas na etapa sabia estava rápida, me esforcei muito, fiz dias e dias de simulador. E tinha tudo para dar certo, mas acabou dando errado. Mas estava bom, é a minha pista preferida do ano, e tô animada que a gente vai correr lá de novo”, destacou.

Rafaela em sua vitória em Interlagos. (Divulgação/Redes socias (@rafaelaferreira.18)

Mais uma vitória em Interlagos

Antes de finalizar a temporada na F1 Academy, Rafaela correu a etapa de Interlagos, no dia 9 de novembro, pela Fórmula 4 Brasil, campeonato que ela também disputa. A atleta subiu no lugar mais alto do pódio, conquistando o primeiro lugar. “Foi um alívio, porque eu me esforcei tanto esse ano. Sei o quanto esse tempo lá fora fez eu evoluir como piloto e em todas as áreas da minha vida. Esses momentos de pódio, e vitória, principalmente, trazem uma motivação extra”, complementou.

“Foi muito legal estar aqui no Brasil, com a minha equipe e a minha família foi também assistir. Tinha muita gente torcendo, eu não sabia que tinha tanto apoio aqui no Brasil, todo mundo me conhecia. Na hora do pódio o pessoal da VCarb também estava ali torcendo e me apoiando, foi muito legal dividir aquele momento com eles. Espero que a gente possa ter um também na Fórmula 1 Academy”, finalizou.

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