Raio-X do
Raio-X do caos nas delegacias da região
Por Redação Engeplus
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Os números de furtos crescem, assaltos idem, o tráfico se estende pela região de forma assustadora, mas o número de policiais civis só diminui.
Desdobrando-se para fazer registros de ocorrências, dar conta da parte burocrática, muitos são obrigados a deixar de lado o foco da Polícia Civil: investigar.
Em contato com delegacias da região, o Portal Engeplus realizou uma radiografia do problema e descobriu que a situação beira a caoticidade.
Os últimos concursos públicos estão longe de suprir o mínimo necessário para o bom funcionamento de uma unidade policial. Experientes, delegados e agentes afirmam: se está ruim, caso investimentos e mudanças urgentes não sejam efetuadas, a tendência é piorar muito. Do outro lado, de mãos atadas, à mercê da onda de violência, os contribuintes.
Central de Polícia de Criciúma
Tida como referência no combate ao crime a Central de Polícia de Criciúma está longe de ter o efetivo adequado. Criada inicialmente para atender a cidade e prestar apoio aos municípios vizinhos os policiais desdobram-se para atender de forma qualificada a grande demanda. Com 30 anos de profissão e recente passagem pela DEIC, delegacia especializada e modelo no Estado, o delegado Juarez de Souza Medeiros afirma que existe a necessidade de mais três escrivães, nove investigadores e um delegado. “No meu setor que é o de patrimônio (furtos e estelionatos) temos eu de delegado, três agentes e trabalhamos sem escrivão na equipe”, revela. Outros três grupos trabalham com um delegado, um escrivão e dois investigadores.
No alto de sua experiência o delegado defende a mudança no atual modelo adotado pela Polícia Civil de Criciúma. “Deveríamos voltar a ter três delegacias, uma no Centro, junto às outras duas já existentes, no Pinheirinho e Próspera. Essas unidades deveriam ter estrutura mínima para investigar pelo menos os furtos praticados em sua região”, aponta. Para Juarez ao invés da cidade ser dividida em zonas territoriais a Central de Polícia deveria ser divida em setores especializados. “Precisamos de uma unidade só para investigar furto de veículos, outra para homicídios e tentativas, tráfico, roubo, patrimônio”, considera.
“Nossos policiais civis fazem muito diante das atuais condições. Apesar dos últimos concursos, tínhamos efetivo maior na década de 80 do que hoje”, informa. No entanto, para a autoridade policial as mudanças ficarão estacionadas pelo menos por enquanto, em função da transição de governo.
Delegacia de Içara
Com 56,3 mil habitantes, área de 292.779 km², Içara é assistida por 15 policiais civis. O setor de investigação praticamente inexiste e apenas um agente tem que atuar em toda a extensão da Praia do Rincão. “De agentes apenas um trabalha no expediente e os demais são plantonistas. Aqui quem investiga é delegado e às vezes pedimos apoio ao plantonista, isso quando ele não está assoberbado porque não raro isso aqui parece o SUS”, dispara o delegado Rafael Iasco fazendo referência ao nosso caótico sistema de saúde pública. Ainda assim afirma que o quadro já foi pior.
“Teve uma melhora com a vinda do delegado Fernando de Faveri, mas a situação é delicada, precisaríamos de mais 12 policiais para atender a praia e a delegacia. Ao contrário do que o delegado deseja a tendência em Içara é piorar, pois até o final do ano pelo menos seis policiais civis devem se aposentar.
Delegacia de Orleans
Com 22 mil habitantes a DP de Orleans conta com oito policiais civis, dois estagiários e quatro funcionários cedidos pela prefeitura. Além do delegado Ulisses Gabriel e do escrivão, três agentes atuam no setor de Ciretran e outros três no plantão. “Trabalhamos no limite mínimo. É deficitário. Precisaria de pelo menos mais dois investigadores”, relata.
Delegacia de Forquilhinha
Em Forquilhinha quatro policiais trabalham para atender um espaço de 181.915 km² e 21 mil habitantes. O delegado da comarca, Carlos Emílio da Silva, prefere não se manifestar, mas em ofício encaminhado à Câmara de Vereadores, Executivo e Judiciário revela o problema da falta de efetivo.
Em relato a juíza manifestou-se: “Atualmente estamos apenas com dois policiais de campo para realizar registro de ocorrências, cumprimento de diligências diversas, intimações, cumprimento de mandados de prisão e de medidas protetivas, realização de investigações, diligências de localização de pessoas, prestação de informações, entrega de expedientes e plantões”.
Ainda no ofício a autoridade expõe que, em razão do contingente, no período noturno e finais de semana, a Polícia Civil trabalhará em sistema de sobreaviso no município.
Delegacias de Cocal do Sul, Nova Veneza e Siderópolis
Com 71.21 km²a delegacia de Cocal do Sul é de responsabilidade da comarca da Urussanga. Como se Urussanga fosse pequena. Na delegacia dois policiais civis atendem 15 mil habitantes.
Em Siderópolis atualmente um policial civil responde por uma área de 262.7 km² e 12,8 mil habitantes. “São dois policiais, mas um está de licença prêmio”, revelou por telefone a estagiária.
Nova Veneza não foge à regra no deficitário quadro de funcionários. Apenas dois policiais civis atendem a cidade, sendo que um deles está de licença médica. “O País ganhou muito em qualidade de vida nos últimos anos, o PIB aumentou, mas junto disso a criminalidade, não havendo investimentos pesados em segurança”, fala Nunes, 22 anos de experiência. O policial viu a cidade mudar, o número de habitantes dobrar, grandes indústrias serem instaladas, mas o efetivo policial é o mesmo há 22 anos. “Isso é normal?, questiona.



