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Relocalização do

Relocalização do Estádio Heriberto Hülse

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre *

A partir do momento em que a diretoria do Tigre admite pensar em novo local para o Estádio Heriberto Hülse, abre-se o debate em torno dessa relocalização, pois, trata-se de uma decisão muito importante, que certamente mexerá com os interesses e a paixão de milhares de torcedores.

A direção está de parabéns ao pensar num projeto futurista, uma vez que o atual estádio foi inaugurado há mais de 50 anos, quando a cidade contava cerca de 15 mil habitantes e hoje acha-se defasado e sem espaço para expandir. A decisão pelo novo projeto (com arena multiuso, centro comercial e outros itens) poderá ser considerada arrojada e, também, polêmica, pelos calorosos debates que há de suscitar.

A decisão atende, em cheio, aos interesses da cidade de relocalizar empreendimentos, hoje implantados no centro urbano, que representem aglomeração de pessoas e veículos, resultando em concentração urbana e congestionamento de trânsito, um tema que tem sido alvo de debates pelo grupo que estuda o novo plano diretor urbano.

Contudo, as pessoas de nossa cidade reagem muito fortemente a mudanças de local, seja da igreja, da prefeitura ou do cemitério. Nos anos 60, quando o ex-prefeito Rui Hülse projetou o novo prédio da prefeitura, com um centro de compras, a localizar-se no começo da Rua São José, houve quem reclamasse, achando o novo local “muito longe”.

Portanto, a primeira dificuldade a enfrentar será convencer grande parte dos torcedores do Comerciário, centro e bairros próximos, da necessidade/vantagens de tirar o estádio dali, perto de suas casas, privando-lhes do acesso fácil e rápido aos jogos e qualquer tipo de espetáculo, como vem ocorrendo há cinco décadas.

Outra missão difícil será encontrar um terreno adequado para o moderno estádio que atenda, além das exigências funcionais do projeto, como tamanho, localização e acesso viário, também às exigências legais e institucionais do código de posturas da municipalidade.

Quando listamos, em artigo defendendo a revitalização da Rodovia Luiz Rosso, de janeiro/2007, alguns empreendimentos públicos ou privados previstos para serem implantados no bairro Primeira Linha, citamos timidamente a possibilidade de futura localização do Heriberto Hulse nas margens daquela rodovia, no referido bairro. Na época, consideramos o local como o mais indicado para localizar um novo terminal fechado da linha troncal e o futuro terminal rodoviário interurbano (estação rodoviária), além de outros equipamentos urbanos, como espaço para shows ao ar livre (tipo concha acústica) e parque público municipal (talvez conjugado com horto florestal).

A cidade precisa definir um novo vetor de crescimento econômico e demográfico e a opção natural para tanto é o eixo formado pela Rodovia Luiz Rosso, ligando o centro à BR-101, que sempre foi considerada a espinha dorsal do sistema rodoviário sul catarinense. Outros pontos de saída da cidade, como Próspera, São Simão e Pinheirinho não apresentam condições ideais para tal missão, como proximidade dos limites municipais, áreas já densamente povoadas e obstáculos de natureza topográfica.

Com a conclusão do anel de contorno viário, a localidade de Primeira Linha vai desempenhar o papel de entroncamento rodoviário intra-urbano, representado pela confluência da Rodovia Luiz Rosso com o segmento ali concluído da referida via de contorno, recebendo fluxos de veículos dos quatro pontos cardeais: do centro urbano (a norte), da BR-101(ao sul) , das localidades ao longo da SC-446 (a leste) e, finalmente, pelo segmento oeste, atrairá o fluxo da Rodovia Jorge Lacerda, procedente da BR-101, via Sangão ou de Forquilhinha e vale do Araranguá (eventualmente até da serra gaúcha).

Portanto, se implantado na Primeira Linha ou mesmo nas proximidades de Morro Estevão (Segunda Linha), o novo estádio receberia grande fluxo de torcedores motorizados utilizando as vias citadas, sem passar pelo centro da cidade. A localização próxima aos dois equipamentos rodoviários referidos (terminal urbano e rodoviária) facilitaria, em muito, o deslocamento de torcedores da cidade e de municípios vizinhos. Fora desse ponto estratégico, as dificuldades para o deslocamento de torcedores, especialmente os que dependem de transporte público, seriam muito maiores.

A idéia de localizar o novo estádio em um município vizinho parece totalmente fora de propósito e, certamente, os fanáticos torcedores do Tigre não aceitariam tal opção, que soaria como uma humilhação ou mesmo provocação.

Finalmente, escolhido o local do novo Heriberto Hülse e, implantado o projeto da arena multiuso, fica a pergunta: o que fazer no nobre espaço do velho estádio, para aproveitá-lo adequadamente, sem causar os problemas urbanos aqui apontados?
É uma boa questão para ser discutida em momento oportuno, não agora.

* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional
Consultor da Câmara Municipal para o projeto de recuperação econômica de Criciúma. E-mail: ajfabre@gmail.com

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