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Rica história: Memória criciumense atrelada ao futebol

Criciúma Esporte Clube busca recursos para tirar ideia do museu do papel

Por Redação Engeplus

5 min de leitura

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Não há como pensar a história de Criciúma sem fazer referência ao futebol. Este esporte está diretamente ligado à “construção” do município e faz parte da identidade do povo criciumense. Equipes que tiveram grande representatividade no cenário regional e estadual, como Metropol, Atlético Operário, Próspera e Comerciário (Criciúma) seguem preservadas na memória dos mais antigos. Porém, muitos documentos e objetos ligados a essas lembranças podem se perder por falta de cuidados específicos.

Uma parceria entre Unesc e Criciúma Esporte Clube deu início em 2011 a um projeto para elaborar um museu nas dependências do Heriberto Hülse. Mas, segundo a historiadora Lucy Ostetto, os trabalhos esbarraram na falta de verba. “Cumprimos a primeira etapa, que era fazer uma campanha em busca de materiais e fazer a catalogação. Depois, pensamos de que forma este museu seria elaborado. Mas na parte do projeto arquitetônico, acessibilidade, espaço, por exemplo, acabou parando devido aos custos. Tentamos uma emenda parlamentar, mas não foi possível”, explica a responsável.

De acordo com a ideia inicial, o local contemplaria um ambiente interativo, com café e vários itens para unir a sociedade em torno desta importante trajetória do esporte. “O objetivo é contar a história da cidade por meio da perspectiva do futebol, relacionando a questões econômicas, da mineração. É uma questão de identidade, de memória coletiva”, comenta Lucy.

O museu partiria da história do Criciúma, mas contaria também com referências de outros times do município. Conforme a pesquisadora, para que o projeto saísse do papel, seria preciso conscientização do empresariado local. “É preciso que as empresas se sensibilizem e entendam a importância de viabilizar esta ideia”, ressalta.

Não está na gaveta

Após algumas tentativas, a diretoria do clube tricolor garante que o projeto está novamente caminhando. Segundo o vice-presidente administrativo Carlos Henrique Alamini, na semana passada ficou definido o local onde ficará o museu: onde hoje está o departamento das categorias de base.

“Temos uma parceria com um arquiteto da Unesc, e já temos o desenho. Agora faremos o orçamento. Já estou buscando recursos junto a empresários e também através de parcerias com o poder público. É muito importante, muita gente nos cobra, e acreditamos que esta é a hora. Não saio do clube sem que este projeto esteja concretizado”, ressalta Alamini.

O dirigente confirma que a ideia é focar na história do Comerciário/Criciúma, mas que o ambiente contará com lembranças do futebol criciumense como um todo. “Terá uma sala exclusiva para abordar os demais clubes, desde a fundação da Larm (Liga Atlética da Região Mineira - 1948)”, finaliza.

Futebol e mineração

O futebol criciumense ganhou força, principalmente nos anos 1950 e 1960, com o aporte das empresas de mineração. Os elencos eram montados basicamente por trabalhadores das minas. Inclusive, muitos que vinham de outras cidades para jogar eram incorporados ao quadro de funcionários.

Esta relação peculiar do cenário criciumense resultava em investimentos para o futebol e os times ganhavam força e destaque. O Atlético Operário, por exemplo, foi a primeira equipe do Sul a viajar de avião. Depois, o Metropol fez uma excursão de três meses pela Europa.

Conforme a historiadora, o esporte era uma forma de entretenimento, mas também visava a manutenção do controle dos trabalhadores. “Além do lazer, era uma questão estratégica. As mineradoras ofereciam todo o suporte para o futebol e assim mantinham os operários sob controle”, explica Lucy.

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Neste contexto, o Comerciário surge de forma diferente. O clube é fundado por empresários do centro da cidade.

Lembranças da vida no esporte

Criciúma ainda conta com personagens que são testemunhas diretas da rica história do futebol da cidade. Muitos já faleceram, outros partiram para outras regiões, mas alguns continuam por aqui contando as muitas passagens emblemáticas daquele tempo para as novas gerações.

Flazio Campo, por exemplo, guarda camisa, faixas e fotografias do tempo em que era zagueiro central e capitão do Metropol. Morando próximo ao clássico estádio do clube, ele ressalta a força daquela equipe, que ganhou títulos estaduais e conquistou destaque nacional.

“Time igual aquele do Metropol não vai aparecer mais. Grandes jogadores passaram por aqui. Fizemos grandes jogos, inclusive na viagem à Europa”, destaca o ex-atleta.

O clube preserva em sua sede troféus e outros documentos referentes à época de ouro. Flazio também mantém em casa objetos que constantemente são apresentados a curiosos e pesquisadores. “Sempre vem alguém para ver, e faço questão de mostrar tudo. Infelizmente muitas coisas se perderam. Hoje me arrependo de não ter preservado melhor”, comenta. “Agora algumas escolas me procuram para falar com as crianças sobre esta história”, afirma orgulhoso.

O ex-zagueiro acredita que a cidade deveria cuidar melhor desta memória coletiva e organizar um museu dedicado ao futebol criciumense.

Dos tempos de Atlético Operário

Diferente de Comerciário/Criciúma, Metropol e Próspera, que ainda contam com sedes e preservam parte dos documentos históricos, o Atlético Operário acabou extinto e junto a ele muitas lembranças importantes.

Porém, ex-jogadores ainda guardam na memória e em objetos antigos a trajetória deste clube que também tem papel importante na formação do município. É o caso de Eugênio Apolinário, o Santinho, ex-meia direita da equipe. Em sua residência no bairro Santa Bárbara, ele preserva com cuidado algumas lembranças do time, mas acredita que muita coisa se perdeu e outras ainda podem ser resgatadas.

“Muitos troféus estavam na sede e depois acabaram sumindo. Estou em busca, pois devem estar encaixotados em algum lugar. Com uma campanha daria para encontrar muitas coisas daquele tempo”, ressalta.

Santinho se tornou árbitro depois da carreira como atleta. Hoje, com 80 anos, ele lembra com carinho da força do Atlético Operário. “As partidas sempre contavam com grande público. O campo sempre estava cheio. Durante um certo período, o Atlético se destacava na região e o Comerciário era o grande rival. Depois, o Metropol surgiu com força e ninguém mais ganhava deles”, lembra.

Assim como todos aqueles que de alguma forma se envolveram com os antigos times de Criciúma, Santinho lamenta que o município não tenha espaços e cuidados específicos dedicados a esta importante história.

Flazio (foto: Daniel Búrigo/Jornal da Manhã)
Santinho (foto: Lucas Sabino/Jornal da Manhã)

Colaboração Tadeu Spilere/Jornal da Manhã

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