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Rodovia Luiz Rosso: apontamentos para um projeto de revitalização

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre (*)

Quando se fala em retomada do crescimento da região sul, vem à mente a premência de concretização das grandes obras de infra-estrutura aero-rodoviária, em andamento: os aeroportos de Jaguaruna e Diomício Freitas, a duplicação da BR-101 e a implantação da Rodovia Interpraias.

Criciúma, em particular, aguarda com ansiedade a conclusão dos três primeiros segmentos da via de contorno viário, capaz de deslocar o tráfego pesado do centro urbano, bem como a definição do projeto da Via Rápida, um novo acesso para a BR-101, tido como obra fundamental para alavancar a retomada do crescimento industrial do município.

No entanto, em que pese a oportunidade da Via Rápida, cumpre lembrar que duas importantes obras em projeto na prefeitura municipal, para execução nos próximos anos, dificilmente deixarão de ser implantadas no eixo Criciúma - Quarta Linha, ou seja, ao longo da rodovia municipal Luiz Rosso.

São as obras de extensão da linha troncal do Sistema Integrado de Transportes, com estação terminal fechada prevista para Primeira Linha e o Terminal Interurbano de Passageiros (Estação Rodoviária), também previsto para o mesmo local, supostamente formando dois projetos integrados entre si.

Pela proximidade do centro e, dependendo das condições de trafegabilidade oferecidas, tal eixo rodoviário poderá atrair outros empreendimentos públicos ou privados, tais como: novo estádio do Criciúma Esporte Clube, espaço para shows ao ar livre (tipo concha acústica), parque público municipal (talvez conjugado com horto florestal), condomínios residenciais, etc.

Quando devidamente recuperada e modernizada e, sobretudo, se houver um programa especial de incentivos econômico-fisciais criado pelo poder público, a rodovia em questão voltará, por certo, a atrair novos empreendimentos industriais, dadas as excepcionais vantagens locacionais que oferece.

Será essa rodovia, também, o escoadouro natural do tráfego dos caminhões do Porto Seco, em fase de conclusão, situado no bairro São João, a três quilômetros do trevo de Primeira Linha. Fluirá, igualmente, pela referida rodovia, boa parte do tráfego desviado da cidade pela via de contorno viário, procedente do norte (SC-446), do leste (via Içara e Morro da Fumaça) e do oeste (via Forquilhinha, Nova Veneza e vale do Araranguá).

Note-se, porém, que esses novos fluxos, resultantes dos empreendimentos referidos, planejados ou previstos, projetarão sobre a rodovia um incremento de tráfego que ela não estará em condições de escoar, pois seu traçado original previa apenas mais um acesso da cidade para a estrada federal que acabara de ser inaugurada.

A rodovia Luiz Rosso, implantada há mais de 30 anos, acha-se em estado lastimável de conservação: são 12 quilômetros de pistas com camada irregular de asfalto, sem acostamento, iluminação parcial e precária, 13 lombadas mal distribuídas e de formato que não atende aos padrões do CNT e, pior que tudo, sem qualquer sinalização horizontal ou vertical.

Para que possa atender às novas exigências de um fluxo volumoso e pesado de veículos, a rodovia precisa ser totalmente recuperada e refeita. Sugere-se um projeto de total revitalização, contemplando os seguintes pontos, a serem executados por etapas, dependendo dos recursos alocados:

(a) recuperação da camada asfáltica em toda extensão da rodovia, substituídas as lombadas por sinalizadores eletrônicos e colocação de sinalização horizontal e vertical mínima;

(b) alargamento do trecho inicial de cerca de três quilômetros (do trevo do bairro São Luiz até o local dos futuros terminal urbano e estação rodoviária), com implantação do primeiro segmento de uma avenida com canteiro central e três pistas, uma delas reservada ao corredor da linha troncal (ônibus amarelos);

(c) construção de um túnel de pista dupla, cortando o morro das bananeiras, capaz de substituir o leito atual de 2 quilômetros, em curva, que circunda o referido morro; e, finalmente

(d) alargamento do restante do traçado atual para extensão da avenida, com três pistas, até o trevo da BR-101, antevendo-se futura expansão da linha troncal até Quarta Linha.

Mesmo com custos elevados, a transformação do chamado Acesso Centro em uma rodovia de primeira linha – na verdade seria uma grande e moderna avenida – justifica-se plenamente, pois trata-se de uma via urbana, com previsão de incremento constante de seu fluxo de veículos.

Além de tornar mais rápida e segura, essa ligação, hoje precária do centro à BR-101, desempenharia também a função de importante vetor de crescimento, revitalizando boa parcela de setores econômicos do município. Sem contar o papel decisivo para o descongestionamento do tráfego urbano, cada dia mais problemático.

É mais um desafio para a administração municipal.

* Economista / Msc. Desenvolvimento Regional - Email: ajfabre@gmail.com

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