Oração e reflexão aos mortos
Santuário Sagrado Coração Misericordioso de Jesus lança projeto da Igreja da Ressurreição
Local abrigará um columbário, espaço destinado para guardar urnas cinerárias
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O Santuário Sagrado Coração Misericordioso de Jesus (SSCMJ), de Içara, ganhará um novo espaço. Foi lançado nesta quinta-feira, dia 10, o projeto da Igreja da Ressurreição. O local, de aproximadamente 3 mil metros quadrados, deverá ficar pronto em até quatro anos e abrigará um columbário, destinado para guardar urnas de fiéis que optarem pela cremação.
A igreja foi elaborada para, inicialmente, conter 6 mil lóculos e cada um deles terá espaço para receber até quatro urnas cinerárias, totalizando 24 mil lugares. “É uma edificação inédita não só na região, mas no Sul do Brasil”, pontuou o reitor do SSCMJ, padre Antônio Vander. Cada lóculo será comercializado e as famílias que adquirem terão um contrato de direito de uso do espaço.
Antes mesmo da obra ficar pronta, o SSCMJ já começará a receber as cinzas dos fiéis. “A construção será feita com a arrecadação da venda dos lóculos. Os valores ainda serão definidos, mas a partir de janeiro de 2022 já teremos aqui um espaço reservado para guardar as urnas das famílias interessadas. Hoje, muitas pessoas guardam as cinzas em casa ou em um cemitério e quem quiser comprar um lóculo já poderá trazer as urnas para cá para que, assim que o columbário estiver pronto ser depositado lá”, detalhou o reitor.

Será cobrado também uma anuidade, que servirá como controle. “É que após cinco anos, caso haja abandono do lóculo, o local poderá ser comercializado para outra família. Isso estará previsto em contrato. O valor cobrado será destinado ainda para arcar com os custos, pois vamos precisar ter funcionários para manter o local conservado”, garantiu o padre.
Características da Igreja da Ressurreição
A nova igreja terá três pavimentos. A arquitetura também foi pensada para reforçar simbologias da igreja católica. “O portal de entrada remete à Capela do Senhor Morto, que é a 14ª estação da Via Sacra daqui do Santuário, dialogando com a reflexão da passagem da vida para a morte e da morte para a ressurreição. O prédio terá formato hexagonal, que é uma forma presente na natureza e no corpo humano e a cobertura será construída em forma oval, representando o ovo, que, na Páscoa representa a ressurreição, o nascimento”, explica Maurício Carneiro, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto.
Dentro da igreja haverá ainda um espaço destinado para celebrações. “Terá uma capacidade para aproximadamente 300 pessoas sentadas e mais 300 pessoas em pé. Ali serão celebradas missas semanais pelas almas das pessoas que estão nos lóculos. Ainda precisamos concluir os projetos e esperamos que em até um ano a gente possa iniciar a construção”, projetou Carneiro.
Outra sala dentro da nova igreja será a Espaço Memorial. “Essa pequena capela, podemos dizer assim, servirá para a realização de homenagens e orações particulares de familiares. A urna ela vai poder ser retirada do lóculo e levada até este espaço. Ali pode haver uma pequena celebração, um momento de oração, de reflexão”, acrescentou o arquiteto.

A igreja e a cremação

O reitor do santuário lembra que até 1963 a igreja católica não aceitava que os corpos fossem cremados. “As cerimônias de cremação começaram a crescer igreja não era muito clara em seu posicionamento. No dia 5 de julho daquele ano, a igreja se manifestou e destacou que fosse mantido o costume de enterrar os cadáveres dos cristãos, mas que a cremação não é em si mesma contrária a religião cristã”, enfatizou.
“A igreja determina desde sempre que os corpos sejam sepultados em um cemitério ou local sagrado. A igreja considera a sepultura dos mortos como uma obra da misericórdia corporal, favorecendo a memória, a oração e reflexão pelos fiéis mortos, assim como a veneração de mártires e dos santos”, emendou o pandre Antônio Vander.
O reitor lembrou que para que a cremação ocorra, seguindo as normas cristãs, é preciso que haja em vida a vontade explicita da pessoa falecida. “As cinzas devem ser conservadas em cemitério ou local sagrado destinado para estive fim para não afastar o defunto da oração, a recordação da família e da comunidade. Não é consentida a conservação das cinzas dentro de casa, a separação das cinzas entre familiares e nem dispersas no ar, na terra ou na água. A igreja também exclui a possibilidade de guardar as cinzas em peças de joalherias e outros objetos”, ponderou.



