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Segunda Chance: mulheres presas recebem oportunidade de ressocializar com trabalho

Projeto da Prefeitura de Criciúma traz esperança a 10 mulheres da Penitenciária Sul

Por Thiago Hockmüller

4 min de leitura

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Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

Tímidas e com o receio dos olhares que as julgam, 10 mulheres presas na Penitenciária de Criciúma iniciaram o mês de agosto com um sentimento de esperança e em busca de dias melhores. Elas são presidiárias que cumprem pena em semiaberto e receberam a oportunidade de participar do projeto ‘Segunda Chance' criado pela Prefeitura de Criciúma por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Habitação. A ação foi repensada, reformulada e reativada para beneficiar presidiárias de boa conduta que poderão reduzir sua pena por meio de serviços prestados à comunidade.

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O contrato da Secretaria Municipal de Assistência Social e Habitação com o Governo Estadual prevê redução de um dia de pena a cada três dias trabalhados, e as apenadas recebem um bônus no valor de um salário mínimo pelos serviços prestados. Neste caso, 75% do valor pago vai para usufruto da própria detenta e os outros 25% são repassados para um fundo prisional que tem por objetivo abater o custo mensal dessa prisioneira.

As detentas beneficiadas pelo programa prestam serviços como limpeza de 19 praças, paisagismo e arborização urbana. Na manhã desta segunda-feira, dia 1, o prefeito de Criciúma Clésio Salvaro esteve no bairro Santa Luzia para acompanhar o primeiro dia de trabalho das mulheres.

“Elas vão nos ajudar a deixar a cidade ainda mais bonita. Já temos 50 homens das unidades prisionais que também trabalham conosco. Trabalhamos na ressocialização e por uma Criciúma ainda melhor”, ressaltou o prefeito.


Prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro. Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

Ao todo, a Penitenciária de Criciúma conta com 350 presas, porém apenas 10 delas foram selecionadas para o projeto. “Elas possuem bom comportamento e boa conduta dentro da unidade prisional e já saem nas saídas temporárias. Além disso, essas mulheres já prestam algum serviço dentro da penitenciária. Iniciamos o projeto com 10 mulheres, mas podemos aumentar o número dependendo da demanda da Prefeitura de Criciúma”, explica a diretora da Penitenciária de Criciúma, Bárbara Santos de Souza.

O principal objetivo do projeto é trabalhar a ressocialização das mulheres e inserí-las no mercado de trabalho. “Sabemos que com o dinheiro recebido elas poderão conviver com a sociedade e serão aceitas novamente. Quando elas cumprirem suas penas poderão atuar no mercado de trabalho. Estamos trabalhando pela ressocialização”, declara Bárbara.


Diretora da Penitenciária de Criciúma, Bárbara Santos de Souza. Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

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O transporte das presas para os locais de trabalho é feito pela Prefeitura de Criciúma. “Elas deixam a unidade para trabalhar e são funcionárias do Município. Receberão salários, terão alimentação e ao final do dia retornam para a penitenciária. Nós fiscalizamos esse trabalho e qualquer erro, a presa retorna para a penitenciária”, comenta a diretora.

O projeto já existia com presidiários, porém com mulheres presas é o primeiro caso no Sul de Santa Catarina. O secretário de Assistência Social e Habitação, Bruno Ferreira, e a primeira-dama de Criciúma, Adriana Salvaro, visitaram a penitenciária recentemente e trouxeram a ideia ao prefeito.

“Melhor coisa que Criciúma fez, isso não existe em outros lugares”

Natural de Itajaí, Maria* de 50 anos, está presa há 10 anos. Ela é uma das mulheres que recebeu a oportunidade de trabalhar. “Melhor coisa que Criciúma fez, isso não existe em outros lugares. Aqui, os diretores me deram uma segunda chance e me olharam como ser humano. Adorei a cidade de verdade. É um projeto que posso provar que sou uma mulher diferente. Estou contente e esperei muito por essa oportunidade”, afirmou.

Ela conta que vai trabalhar com limpeza. “Gosto de tudo limpo, sou bem enjoada com a organização e isso ajuda meu trabalho”, destacou. Ela ainda ressaltou que já trabalhou com carteira assinada, entretanto, após deixar a penitenciária será mais difícil em virtude do preconceito. “Sou formada em Letras. Quero ter uma nova chance e poder trabalhar quando deixar a unidade prisional e, por isso, é importante essa oportunidade que estamos recebendo. Meu sonho é ver meus sobrinhos crescerem e ficar perto da minha família”, pontuou.

*O nome utilizado na matéria é fictício para preservar a identidade da detenta.

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