Seu Sadi
Seu Sadi e as histórias da ferrovia
Por Redação Engeplus
2 min de leitura
Existe um menino, um moleque morando dentro do nosso coração, cantou Milton Nascimento. Essa peraltice da infância, poetizada na música, poderia dar asas à imaginação de um garoto a inventar que ajudava os operários do trem há cerca de 60 anos. No entanto, na história de Jorge Fernando, seu Sadi, como é conhecido, 77 anos, o encontro com os trilhos ainda criança foi bem real.
Com 10 anos, em 1942 se tornou o “boxa”, carregador de água de poço e cozinheiro dos operários em Criciúma onde nasceu.”Acendia o fogo, esquentava água, passava o café, aquecia as quentinhas e assava carne no espeto de madeira”, lembra com nostalgia.
Nesse tempo, a Ferrovia Dona Tereza Cristina, acesso entre as cidades do sul do estado, se tornava promissora no transporte de passageiros e cargas. No ritmo da Maria Fumaça, com suas chegadas e partidas, tocada a carvão e água, Sadi aprendia novos ofícios em outras estações: comunicador com o advento do telefone e agente da estação na comunidade de Esperança em Içara onde casou e teve sete filhos.
O trabalhador era também uma liderança sendo presidente do Esporte Clube Brasil e candidato do PTB a vereador em 1962 sem se eleger. “Sempre gostei de política e em 1985 já no PMDB fui presidente do partido” explica.
Viúvo, está aposentado desde 1982 após 40 anos de atividade na sua única profissão. Segue os dias caminhando ao mercado e à farmácia perto da estrada de ferro que lhe remete eterna saudade.



