Por Redação Engeplus
Em
Especial: Willian Bongiolo
Share é um curta-metragem vencedor do prêmio de curta universitário de Cannes. E é realmente impressionante ver a qualidade de imagem, som e montagem em um filme feito por universitários. Além, claro, de tratar sobre um tema muito relevante nos dias atuais: compartilhamento de imagens pessoais sem consenso e assédio sexual.
A história gira em torno de uma personagem que se vê em meio ao inferno quando um vídeo seu vai parar na internet. E seu conteúdo é ainda mais pesado levando-se em conta que o teor vem de um assédio sexual, já que a personagem estava dormindo quando a filmagem aconteceu.
A direção de Pippa Bianco aposta em tons cinzas para apresentar a vida triste da personagem, ao passo que a única luz mais forte vem da tela do celular. Um recurso inteligente não apenas por deixar o espectador focado no objeto em si, mas também por representar que a vida da personagem principal está agora todo dependente dessa tecnologia.
Outro ponto a se destacar aqui é o uso do som como forma de transmitir sentimentos. Assim que a personagem principal chega ao colégio ouvimos as pessoas conversando, embora não consigamos entender sobre o que. Porém, a obviedade é clara e sentimos a personagem cada vez mais encolhida perante seus colegas. Além disso, o som das mensagens chegando em seu celular vai ficando cada vez mais forte e frequente, até o ponto em que se torna uma verdadeira incomodação e transforma-se num inferno.
Entretanto, há de se lamentar o curta ter apenas onze minutos de duração. Isso o deixa raso se comparado com outros longas do mesmo assunto, como é o caso de Depois de Lúcia, além de ter uma construção problemática em seu clímax, onde o filme não sabe em qual momento acabar. Mas, ainda assim, é uma obra necessária para todas as pessoas que ainda acham a vítima culpada pelo vazamento de fotos ou vídeos.
Por fim, Share não é uma obra que ficará marcada para sempre quando se falar sobre assédio e compartilhamento, mas ainda assim torna-se essencial em um ano que um abusador leva o Oscar de melhor ator.



































