Aventura
Sobre duas rodas, uma expedição de 669km
Por Redação Engeplus
3 min de leitura

Há 65 anos, colonizadores italianos em busca de trabalho deixavam o interior de Nova Veneza e percorriam caminhos nem tão simples até as encostas da serra gaúcha. Para reviver esses tempos difíceis, um grupo empreendeu uma jornada épica de bicicleta. “Saímos daqui amigos e voltamos irmãos”. Assim, o empresário Alberto Ranacoski, o Betão, define a Expedição Caxias do Sul, a aventura que levou um grupo de ciclistas a partir na madrugada de 19 de maio de São Bento Baixo, sob temporal e frio, para pedalar até a serra gaúcha. E voltar.
“Foram 669 quilômetros. Pedalamos 36 horas e 40 minutos, percorremos uma soma de 8.565 quilômetros de elevações e queimamos 30,1 mil calorias”, computa, orgulhoso, Alessandro Nazário, um dos mais experientes do grupo que levou três dias para fazer o vai e vem sobre pedais.

“Essa expedição é resultado de uma pesquisa de cinco anos”, conta Nicola Gava, o historiador do grupo. “Pedalamos de São Bento Baixo até Terra de Areia, no Rio Grande do Sul, uns 140 quilômetros, quatro horas debaixo de chuva”, lembra o advogado André Spader, outro entusiasmado que se integrou à expedição. Um dos pontos que mais exigiu do físico da equipe veio na Rota do Sol, a estrada que faz a ligação da BR-101 gaúcha com a serra. “Subimos 13 quilômetros em uma hora e cinco minutos. Há lugares muito bonitos lá, mas é também muito cansativo”, atesta Betão.
Para quem pensa que é perigoso pedalar por rodovias, um lembrete. “Na estrada a maioria dos motoristas é mais atenciosa com os ciclistas. Respeitam mais, desde que fiquemos no acostamento, claro”, conta Alessandro. “Mas também temos mais problemas. Só eu furei cinco pneus da bicicleta subindo a Rota do Sol”, recorda Spader.
Uma equipe de apoio, formada pelas esposas dos expedicionários, carregou sanduíches, ovos, mel e muita água. “No primeiro dia, chegamos às nove e meia da noite no nosso destino, em Caxias do Sul. Saímos dali no dia 20, às 6 da manhã”, destaca Alessandro. O segundo dia foi desafiador. "Quando chegamos em Vacaria, sumiu o sinal do telefone, tudo saiu do ar. Região muito deserta. E pegamos noite ali", observa Betão. Foram mais de 100 quilômetros de isolamento até chegar em Lages, onde ocorreu o segundo pernoite da expedição.

"Não tinha visibilidade quando acordamos para o terceiro dia de viagem. A chuva era fina e constante, o frio castigava. Mas resolvemos encarar". Assim André pontua a reta final da epopeia. Nesse difícil cenário desceram a Serra do Rio do Rastro. "Foi o trecho mais difícil, com zero grau e complicado de ver o que vinha à frente. Só de Lages a São Joaquim encaramos uma elevação de 1,6 mil metros", sublinha Alessandro. Mas tudo acabou bem. "Eu, com 60 anos, me superei, venci meus limites e aprendi muito", agradece Betão. "Foi o cansaço dividindo espaço com a adrenalina em alta", refere Rodinei Fernandes, mais um dos que encararam os quase 700 quilômetros de ida e volta entre São Bento Baixo e Caxias do Sul. Com a saúde em dia, a história na mente e a bicicleta ao lado os guerreiros das duas rodas já fazem novos planos. "Queremos mais", conclui André.



