Dia dos Professores
Tífani Gondim Miguele: ‘não escolhi ser professora, a profissão me escolheu’
Ela é professora de inglês e espanhol há 16 anos
Por Rafaela Custódio
5 min de leitura

Crescer em uma sala de aula é a realidade de muitas pessoas. Estudar faz parte do crescimento pessoal de todo ser humano e não foi diferente com Tífani Gondim Miguele, de 32 anos. Além de estudar, ela decidiu ainda adolescente em ajudar o próximo dividindo seu conhecimento com estudantes que nunca havia visto e, desde então, se tornou professora, exercendo a profissão até hoje.
Tífani é formada em Relações Internacionais pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), mas começou a atuar como professora ainda adolescente ao ajudar alunos de escola pública com a disciplina de espanhol.
Nessa terça-feira, dia 13, o Portal Engeplus iniciou uma série de três reportagens sobre o Dia dos Professores que é comemorado na próxima quinta-feira, dia 15. Conheça a história de Luiz Eduardo Conti.

Tífani é paulista, mas mora em Santa Catarina desde 2003. A família veio para São Ludgero, pois Rogério, o pai da professora, foi transferido pela empresa para a cidade catarinense para trabalhar. “Me alfabetizei aos 8 anos em espanhol no Instituto Cultural Brasil Argentina, em Curitiba. Meu pai é engenheiro químico aposentado e morou na Argentina, e como eu ia visitá-lo, precisei estudar para conseguir me comunicar no outro país. Meus pais sempre investiram muito na minha educação”, conta. “Quando chegamos em Santa Catarina, comecei a dar aula particular para os filhos de amigos do meu pai, aos 13 anos. Mas meu primeiro emprego como professora foi aos 16”, acrescenta.
Para dar aula aos 13 anos, Tífani lembra como preparava as aulas. “Amava o que eu fazia. Preparava tudo com muita dedicação e assim nasceu uma vocação. Não foi algo que escolhi, foi naturalmente”, observa. “Sempre estudei em escola privada e, quando algum professor faltava na disciplina de espanhol, eu acaba explicando o conteúdo”, completa.
Mais conhecimento e o início de uma profissão
Aos 15 anos, a família de Tífani a colocou em uma escola de inglês, mesmo já conhecendo o idioma. “Sabia muitas palavras, porém não sabia o inglês de forma gramatical. Quando criança, eu cantava as músicas em inglês, porém não sabia a tradução das letras e isso incomodou meu pai, pois além da pronúncia errada, muitas vezes eu cantava algo e não sabia o que estava cantando”, relembra.

“Ainda adolescente, meu pai me chamou e entregou um dicionário e disse: ‘traduza as músicas antes de cantá-las’. Isso me ajudou, porque eu comecei a conhecer as palavras e também a tradução delas”, reconhece. “Minha diversão era traduzir letras de músicas em inglês. Passava horas e horas fazendo isso e me ajudou com o idioma”, frisa.
Ao entrar no curso de inglês, acabou surpreendendo o professor. “Realmente, eu conhecia muito do idioma em virtude do dicionário do meu pai. Faltava mais a parte gramatical e foi o que aprendi nessa escola. Minha mãe Tânia me levava e ficava uma hora me esperando. Sou muita grata aos meus pais pelas oportunidades que me deram com a educação”, afirma.
De aluna a professora
Foi na própria escola de inglês que conseguiu seu primeiro emprego. “O dono da escola me convidou para dar aula aos 16 anos e aceitei. Dava aulas de inglês e espanhol. Foi uma experiência única e que me ajudou muito”, destaca. “Meu primeiro aluno na escola se chamava Eduardo e foi algo muito natural. Expliquei o conteúdo e não me lembro de ter ficado nervosa”, relembra.
Tífani ainda participou do programa Amigos da Escola, um projeto social que visa ajudar instituições de ensino. “Me voluntariei em uma escola pública ainda adolescente e ensinava espanhol para as crianças. Foi algo único e que, com certeza, me ajudou”, comenta.
“Sou apaixonada pelo que faço. Não escolhi ser professora, a profissão me escolheu”.
Tífani Gondim Miguele
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Coronavírus: uma experiência inusitada
Atualmente, Tífani mora em Criciúma e trabalha em uma escola de idiomas na cidade. “Queria sair da casa dos meus pais e acabei vindo morar em Criciúma, e não me arrependo. Com a chegada da pandemia do coronavírus, precisamos se readaptar para dar aula virtual”, conta.

“Na aula online é necessário algo a mais. Para as crianças, precisamos dar ainda mais atenção, por exemplo. Sinto falta da sala de aula, sinto muito. Todo professor gosta muito de ver o aluno pessoalmente e de ver a evolução dele diariamente. Ensinar tem a ver com sentimento, dedicação e ir muito além de um conteúdo”, destaca.
Ao ser questionada sobre o que é ser professora, Tífani foi enfática. “Vida. Ser professor é trocar experiências, se comunicar, ter paixão pelo o que faz, é um sentimento inexplicável”, resume.
Além da dar aula, Tífani possui uma empresa de tradução. “Atuo para empresas como tradutora. Mas, atualmente, não me vejo fora das salas de aula. Já me questionei se devo trabalhar em outro ramo até porque sou formada em Relações Internacionais, mas não consigo largar as salas de aula”, finaliza.



