Professores em Greve
"Tivemos muitos ganhos, mas podíamos ter tido mais", diz diretora regional do Sinte
Sindicato regional não está contente com decisão. Estudantes retornam às aulas na próxima terça-feira, dia 9
Por Redação Engeplus
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A greve dos professores da rede de ensino Estadual terminou na última quarta-feira, dia 3, após uma assembleia realizada em Chapecó, que contou com a participação de mais de três mil pessoas. No entanto, a decisão tomada após votação, não agrada o comando regional da paralisação, de Criciúma, que afirma ter sido vítima de uma manobra para acabar com a mobilização. Mesmo em desacordo, os estudantes das escolas estaduais da região devem retornar normalmente às salas de aula na próxima terça-feira, dia 9.
Segundo a diretora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), Janete Jane da Silva, estiveram presentes na assembleia pais, alunos, diretores e professores que não estavam em greve, e que inclusive tiveram ponto liberado pelas regionais para participar. "A assembleia do Sinte, é aberta, qualquer pessoa pode entrar. Mas não votar. O pai pode ir, o aluno pode ir, mas na hora da votação ninguém pode votar. Quem não é da categoria e não está em greve, por questões óbvias e éticas, não vota. E o que nós vimos lá foi um absurdo. No último quadro de greve que tiramos de Florianópolis, no dia 19 de maio, só pra se ter uma ideia, tínhamos em Xanxerê 20 professores em greve. E estavam na assembleia 53 professores. Então quer dizer que 33 que não estavam em greve, votaram para ela acabar", explica.
Ainda de acordo com Janete, a greve se concentrava mais no litoral. E segundo ela, o que estava acordado no sindicato, era continuar a paralisação, pelo menos até terça-feira, dia 9. "Nossa intenção era de ir para Florianópolis, na segunda-feira, e fazer um grande ato para pressionar e tentar arrancar alguma coisa a mais do governo, na mesa de negociação. E então na terça-feira, uma assembleia em Florianópolis. E foi aprovado nessa assembleia de quarta a suspensão da greve por 60 dias, marcando a próxima assembleia só para o dia 5 de agosto", aponta Janete.
Ou seja, se o governo não cumprir nesses 60 dias, na mesa de negociação, há possibilidades de, no dia 5 de agosto, a categoria deliberar uma nova greve. "Nossa indignação também foi por isso. Não foi por perdermos na votação, já perdemos muita. Mas foi a manobra da assembleia estadual que nos indignou", comenta a sindicalista.
Reivindicações e proposta do governo - A greve dos professores estaduais chegou aos 70 dias na última semana. A categoria reivindica o reajuste do piso anual federal retroativo à janeiro de 13,1%; a conservação da regência; não transformação dos professores ACTs em horistas; descompactar a tabela; contra a meritocracia e anistia das falta de 2012.
Destas, até dia 14 de maio, o governo propôs somente a anistia das faltas de 2012. Segundo Janete, foi preservando a paralisação, e após manifestações, que a categoria conquistou no último sábado, dia 30, a anistia das faltas de 2012 a 2014, o abono das faltas da greve deste ano com calendário de reposição em contrapartida; a retirada da meritocracia deste ano; e a não transformação de professores ACTs em horista.
"Todos estes itens que não tínhamos antes, conquistamos continuando em greve. Por isso queríamos continuar, para arrancar mais. Tivemos muitos ganhos com a greve, mas podíamos ter tido mais, se os trabalhadores em educação e se a maioria do nosso sindicato tivesse feito o dever de casa", aponta.
Na próxima semana, o Sinte regional deve estar realizando uma assembleia local para orientações e definição do calendário de reposição.



