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Torcida x

Torcida x gestos de Schwenck

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

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Foto: Paulo Estrela / Divulgação

* Paulo Fernando Estrela

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O clima do pré-jogo estava meio estranho. São Januário vivia seu momento de confusão em virtude da venda de ingressos para o primeiro jogo da final da Copa do Brasil. O local estava cheio de policiais. Um grupo de cerca de 50 torcedores do Vasco permaneciam na entrada das sociais, na esperança de obter ingressos. Pouco mais afastados estava um grupo de organizados do Duque de Caxias, e nós tivemos que comprar ingressos no meio deles. Eles estavam de braços cruzados e fazendo cara de mal. Mas não demos a mínima. A entrada das duas torcidas foi pelo mesmo portão. Com a face sisuda dos caxienses o clima era estranho, e era de se notar isso.

Lá dentro fizemos a nossa parte. Foi engraçado ensaiar com os parentes e amigos do Diogo Oliveira a música "Sou carvoeiro, sim senhor". O legal que eles tentaram aprender, mas sempre esqueciam o final. Normal. O que valeu foi a intenção deles em ajudar. Estávamos todos lá, faceiros, cantantes a empurrar o nosso tricolor. Quando saiu o primeiro gol foi uma festa, todo mundo indo para o alambrado comemorar. E a PM vindo com o seu cacetete. "Sai pra lá, no alambrado não!", falou o policial que estava doido para dar bordoadas em alguém.

O jogo foi seguindo e a nossa torcida zoando alguns jogadores do Caxias, como o Somália que comparamos ao humorista Jorge Lafond e seu personagem marcante, Vera Verão, já falecido.

O Tigre estava no ataque, e o Schwenck perdeu um gol feito. Não deu outra, uma parte da torcida iniciou um xingamento a ele. O coro não foi adiante, mas o suficiente para ele ouvir dentro de campo naquele estádio vazio. Em seguida ele fez um golaço. Na hora nem vimos o que ele fez para nós, fomos de novo correndo para o alambrado festejar. De repente, vimos o juiz expulsa-lo, não entendemos nada. Na mesma hora a mulher do Schwenck começou a falar um monte de coisas, discutir com alguns torcedores, quando me aproximei e ela começou a falar mal da nossa torcida. Aí não prestou, comecei a discutir com ela também. Então veio a informação de que ele tinha feito um gesto obsceno para nós. Ela por sua vez afirmava que não, que o marido era incapaz de fazer aquilo, que nós estávamos inventando porque ele é um homem religioso, evangélico. Ficou dando várias desculpas para protege-lo de seu ato imbecil.

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Estávamos em dúvida mas quando algumas pessoas que estavam assistindo ao jogo começaram a ligar dizendo que ele fez o gesto sim, e para a nossa direção. Não prestou, e eu disse para a esposa dele: "se ele não se retratar aqui, vai ter que dar explicações lá". E ela dizendo: "ele não fez, ele não fez!".

Passada a confusão, veio o segundo tempo e um gol tomado. Mas nada que tirasse o brilho da nossa vitória. Fomos embora felizes, aliviados mas pensando sobre o gesto de Schwenck...

Paulo Fernando Estrela é torcedor do Criciúma, mora no Rio de Janeiro e lidera a torcida Tigres no Rio. Escreveu e lançou recentemente o livro Um Tigre em minha vida.

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