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Prevenção

Treviso dará continuidade a programa de saúde mental para professores após resultados positivos

Projeto piloto ocorreu durante o ano de 2025

Por Jessica Rosso Crepaldi

5 min de leitura

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Foto: Divulgação/Cristiane Aparecida Onghero

Um projeto pioneiro na rede municipal de ensino de Treviso trabalhou durante este ano a prevenção, a promoção e o tratamento da saúde mental dos professores. O Programa de Inteligência Emocional para Professores (PIEP) - 'Cuidando da Saúde Mental de quem Cuida' teve resultados significativos, de acordo com a Secretaria de Educação e terá continuidade em 2026.

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A psicóloga educacional e neuropsicóloga, Cristiane Aparecida Onghero, que trabalha há um ano e meio no município e é a idealizadora do projeto, explicou que há anos tinha o desejo de criar algo que contemplasse a saúde mental dos educadores.

“Como especialista em psicologia educacional, ouvindo-os e observando o seu dia a dia, percebi o quanto necessitavam de um momento para eles, para desabarem e trocarem experiências, para rir e chorar e se apoiar um no outro, pensei em tantas coisas: cursos, oficinas, formações continuadas, mas não era isso”, relembrou. No início do ano ela procurou a secretária da pasta, Helenita Moreti, que a incentivou e apoiou a ideia.

A gestora da Educação destacou que o projeto foi implementado visando oportunizar um momento para os professores, onde eles pudessem se sentir à vontade para explanar sobre questões da rotina sem se sentirem amedrontados. “Agora, finalizamos uma etapa deste projeto e pretendemos dar continuidade porque foi um pedido unânime. Também fizemos um trabalho com motoristas e monitoras e percebeu-se a necessidade de que eles também precisam ter esse trabalho contínuo”, frisou.

Inicialmente o projeto tinha duração de 1 hora, uma vez por mês, geralmente às 18 horas, ocorrendo em cada unidade escolar municipal. Depois, os encontros passaram a ser a cada dois meses, em horário escolar, nos dias de parada pedagógica, a pedido dos professores que estavam cansados naquele horário ou residiam em outras cidades. “Sabe-se que a rotina do professor é intensa, ele precisa planejar, ministrar, corrigir, avaliar, elaborar, registrar, mediar conflitos, estudar, atender pais e alunos, participar de reuniões, formações, muitas vezes comprometendo seu tempo de lazer e descanso”, pontuou a psicóloga

Os encontros foram realizados no formato Grupo de Apoio, com a participação de todos os professores regentes, de apoio e alguns das disciplinas específicas. No total, foram 47 educadores. Para deixar o momento mais descontraído, os encontros contavam com um lanche no início ou no término.

A professora Patrícia Felicio Bony dos Santos que atua no Centro de Educação Infantil (CEI) Noé Abati relatou que ainda não havia participado de nenhuma iniciativa semelhante voltada especificamente à saúde mental dos professores.

“Percebi resultados tanto no meu bem-estar emocional quanto na forma de lidar com os desafios do dia a dia na escola. É algo que nós professores precisamos muito: de espaços de cuidado e escuta. No dia a dia da escola, lidamos com muitas responsabilidades, demandas constantes, e quase nunca paramos para olhar para nós mesmos. O PIEP foi importante justamente por isso, por nos fez lembrar que o professor também precisa ser cuidado, acolhido e fortalecido emocionalmente para conseguir desenvolver bem o seu trabalho”, afirmou.

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A gestora da Escola Professora Maria Brogni de Treviso, Juliana Salvador, reforçou a necessidade de ter um espaço de convivência e troca de experiências, visando o bem-estar dos profissionais. “Foi uma experiência ímpar tornando-se muito amplo, pois além de estarmos reunidas, as técnicas orientadas pela psicóloga trabalharam nossas emoções, desde a concepção até a vida atual”, disse.

A professora Marioni Maciel elencou alguns pontos que percebeu durante a experiência. “Aumentou minha capacidade de lidar com os desafios diários, melhorou meu humor; o relacionamento com as colegas de trabalho ficou melhor; nas atividades em grupo, poder falar abertamente sem medo de ser julgada foi muito bom. É um projeto maravilhoso, que todos deveriam ter a oportunidade de participar”, detalhou.

A educadora Eliana Rizzatti Stangherlin relembrou que ao receber o convite para participar do projeto sentiu insegurança e medo, mas que também lhe fez refletir que saúde mental é aprender, dia após dia, a lidar com os próprios sentimentos. “No programa PIEP, encontrei um espaço de escuta verdadeira, onde pude falar sobre emoções muitas vezes guardadas em silêncio, me compreender melhor e aprender formas de enfrentar o estresse e a ansiedade. Com o programa saí mais fortalecida, com a certeza de que cuidar da minha saúde mental é essencial para continuar educando com empatia, equilíbrio e compromisso”, relatou.

A autora do projeto explicou que fatores como a sobrecarga de trabalho, pressão constante, problemas de comunicação interna, falta de reconhecimento e indisciplina em sala de aula, podem levar à desmotivação e ao esgotamento mental.

Segundo ela, esses fatores são precursores dos transtornos psiquiátricos que mais causam o afastamento de professores - como a Síndrome de Burnout, a depressão e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), muitas vezes coexistindo com o Transtorno de Pânico (TP) e a Fobia Social (TAS).

Cristiane destacou que o PIEP foi criado para ser o lugar do acolhimento, escuta, troca de experiências, de vivências, apoio emocional, para se sentir visto, querido e ouvido de verdade, para desabafar, falar o que ninguém ouve, vê, entende e por isso, na maioria das vezes não valoriza, o lugar da empatia, do respeito e da ética.

Além disso, segundo a psicóloga educacional, o programa de inteligência emocional para os professores impacta diretamente no desempenho escolar dos alunos, melhorando a qualidade do vínculo na relação professor-aluno, aumentando a motivação e o engajamento, facilitando a comunicação e permitindo que o ensino seja mais eficaz e significativo.

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