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Dia da Adoção

Um ato de amor com muita responsabilidade

Por Redação Engeplus

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Foto: Divulgação

Marlene morava no interior de Nova Veneza. Lá, faltavam recursos naqueles tempos, mais de três décadas passadas. E ela queria muito um filho. Ou vários. De tanto tentar contra a natureza e a biologia inclementes, sofreu oito abortos. A saída: adotar. “Hoje sou mãe de quatro filhos adotivos e agora quero curtir meus netinhos”, conta Marlene Zata, orgulhosa mãe do coração e moradora de Içara. Nada melhor para ilustrar o Dia Nacional da Adoção, comemorado nesta quinta-feira.

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“Eu nunca vi a mãe barriguda em casa. De um dia para o outro, meus irmãos chegavam prontos”, recorda, aos risos, o professor e vereador Eduardo Zata. Primogênito do casal Marlene e Edenir, Eduardo está na proa do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Içara (GEAAI) e é dele o projeto transformado em lei que institui em Içara a Semana Municipal de Adoção. “Estamos com um grupo de oito pessoas fazem esse trabalho desde 2012 conscientizando as pessoas de Içara e Balneário Rincão sobre a importância da adoção com responsabilidade”, conta.

Eduardo foi adotado antes de nascer. “A mãe dele estava grávida no Balneário Arroio do Silva e queria dar a criança. Eu me ofereci, ela aceitou me entregar. Isso foi lá por 1982. Ela veio para Criciúma, deu à luz no Hospital São José, ficou 12 dias lá em casa e depois foi embora, nunca mais apareceu”, lembra Marlene. Eduardo chegou a ter seus períodos de revolta no começo da adolescência, mas hoje vê com naturalidade a situação. “A Marlene é minha mãe, ela quem me criou. Respeito a senhora que me gerou mas nem a conheço”, observa.

Neste ponto, a mãe do coração de Eduardo pondera sobre um aspecto muito importante. “A transparência. Eu sempre disse aos meus filhos que eles eram adotados, desde muito novos”, enfatiza. Depois de Eduardo vieram Matheus, hoje com 28 anos, Talita, atualmente com 18, e Pedro, 9 anos. “Todos com histórias diferentes, todos adotados recém nascidos. E todos tratados iguais, como nossos filhos. Se eu pudesse teria adotado mais”, reforça Marlene. Também pudera, para quem teve oito abortos, tentativa de ser mãe foi o que não faltou.

Não bastasse essa vocação adotiva, Marlene também exerce o papel de “mãe acolhedora”, dentro do projeto do Judiciário em que, de forma transitória, sua família se inclui entre as que recebem crianças e adolescentes em embaraço jurídico entre familiares e Estado. “Hoje as regras de adoção são muito mais duras”, lembra Eduardo. "No meu tempo, a gente deixava o nome no hospital e quando nascia uma criança que a mãe não queria nos chamavam. Era ir lá e buscar", lembra Marlene.

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Hoje os procedimentos chegam a levar um ano e meio no mínimo, desde o início da triagem das famílias interessadas até as últimas etapas. "Estou em processo com a minha esposa. É complicado mas entendemos que seja necessário, por conta da responsabilidade", comenta o criciumense Alex Dagostin. E por falta de amadurecer a decisão ocorrem devoluções de adotados. "Tem casais que entram na fila, recebem crianças e devolvem. "Em São Paulo tem 200 crianças e adolescentes que voltaram para abrigos depois de adotadas. Acabaram devolvidas", lamenta Eduardo. Em Içara há um caso assim. "Um adolescente que adotaram e devolveram depois de um tempo", completa.

Para marcar o Dia Nacional da Adoção, o GEAAI está promovendo nesta quinta-feira, às 19h, na Câmara de Içara, uma palestra com o juiz Mário Romano Maggioni, da comarca de Farroupilha (RS). Depois será servido um coquetel. O GEAAI produziu neste ano um calendário no qual figuram como personagens famílias e seus adotados. São as fotos que estão reproduzidas nesta postagem.

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