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Saúde

Câncer raro

Um câncer raro, uma vida diferente

Sete pessoas da mesma família possuem o mesmo câncer (que é genético)

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Foto: Ioton Neto/ De verde: Maria Albertina Fernandes

Sete pessoas da mesma família de Criciúma possuem o mesmo tipo de câncer, conhecido como neoplasia endócrina múltipla, uma doença considerada rara no mundo todo e que possui caráter genético. Pouquíssimas pessoas em todo o Brasil tiveram este tipo de câncer, que pode afetar uma família inteira por diversas gerações.

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Da família criciumense, a primeira a descobrir o câncer foi Maria Albertina Fernandes, de 54 anos. Ela teve os primeiros sintomas da doença aos 27 anos, quando passou mal e precisou visitar diversos médicos. A paciente conta que rotineiramente sentia-se fraca, mas os médicos diziam que ela se alimentava mal, e por isso não conseguia ter forças para outras coisas. Ela conta que recebeu outros diagnósticos até descobrir a verdadeira doença que tinha. “Tive a sorte de ir a uma ginecologista que, na época, participava de um seminário sobre a neoplasia em São Paulo. Ela percebeu que os sintomas eram os mesmos que ela tinha estudado e me pediu para ir até o outro Estado visitar outros médicos”.

O câncer se manifestou, inicialmente, na hipófise. Após retirar o tumor, a doença voltou e atingiu outros órgãos, como pâncreas, baço, vesícula, duodeno, parte do fígado, e também foi localizado no pescoço e cabeça da paciente. A neoplasia endócrina múltipla não tem cura, mas pode ser tratada. A família realiza todo o tratamento em São Paulo, para onde viaja a cada dois meses. “Tenho três irmãos, um filho e uma sobrinha que têm o câncer. Um dos meus irmãos perdeu a batalha e faleceu. Ficamos depressivos e ansiosos quando descobrimos, mas agora sabemos que depende de nós. Temos que cuidar da alimentação e seguir o tratamento”, comenta.

Um dos irmãos de Maria Albertina descobriu a condição recentemente. Sua esposa, que preferiu não se identificar, explica que tanto o marido quanto a filha convivem com o mesmo câncer. “A descoberta recente foi difícil, mas agora batalhamos pelo tratamento. Sabemos que todos tinham pelo menos 50% de chance de ter a neoplasia”, afirma.

A endocrinologista Geórgia Nunes Antunes foi a primeira médica a ter contato com a família, há três anos, e desde então faz o acompanhamento médico dos pacientes. Ela explica que o caso é raro em todo o mundo, e é único em Criciúma. Mesmo no Brasil, explica Geórgia, os casos comprovados de neoplasia endócrina múltipla tipo 1 são pouquíssimos. “Há três anos diagnosticamos esse câncer, e eles foram encaminhados para São Paulo, onde existem exames e análises mais eficientes. Atualmente, eu cuido de três dos irmãos. Dois não estão realizando o acompanhamento e um deles faleceu por conta do câncer”, explica a médica.

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• A neoplasia endócrina múltipla tipo 1 atinge diversas glândulas do corpo, entre elas as paratireoides, hipófise e pâncreas;
• As chances de cada membro da família ser diagnosticado com a neoplasia endócrina múltipla são de 50%;
• Por ser de transmissão genética, a doença é passada de pai para filho. Caso o filho não seja diagnosticado com o câncer, seu filho (neto de quem possui a neoplasia) não correrá riscos;
• Os exames para descobrir a neoplasia endócrina múltipla tipo 1 são feitos a partir do histórico familiar. É possível que ela se desenvolva em qualquer idade, mas o mais comum é que se manifeste entre 40 e 50 anos.

De acordo com Geórgia, quanto antes o câncer for diagnosticado, existem mais chances de o tratamento dar certo. É possível que antes mesmo de os tumores aparecerem, o paciente descubra se possui ou não a chance de ter a doença. “Esse diagnóstico é feito por meio de uma análise genética. É possível saber se a criança ou o adulto possui ou não a mutação que traz o câncer”, avalia.

A médica também ressalta que os pacientes diagnosticados precocemente e tratados da maneira correta conseguem ter qualidade de vida. “Se a neoplasia for descoberta antes de os tumores aparecerem, o tratamento é feito por meio de medicamentos. Se já existirem tumores, eles são retirados através de cirurgia”, explica.

De acordo com a presidente da Associação Unidos Contra o Câncer, Gisele Pereira (de branco na foto acima), a família criciumense faz acompanhamentos psicológicos e sociais com a entidade. Todos conseguiram que uma empresa pague as passagens aéreas, mas precisam arcar com custos da viagem até Florianópolis, hotel e alimentação em São Paulo. Quem puder ajudar a família, pode entrar em contato com a Unidos Contra o Câncer pelo telefone (48) 3437-8149.

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