Um criciumense
Um criciumense no futebol do Qatar
Por Redação Engeplus
3 min de leitura

Pequeno, porém rico, o Qatar será sede, em 2022, da primeira Copa do Mundo a ser disputada no Oriente Médio. Neste país vive, desde 2009, o criciumense Milton Mendes, 45 anos. Ex-jogador de futebol, Milton, que defendeu o Criciúma em 1986, está em férias em sua terra natal.
"O Qatar é um belo país, moderno e muito rico. Fará uma Copa excepcional", garante. Segundo Milton, os xeiques que comandam o Qatar investirão muito na construção de oito modernos estádios climatizados para receber os jogos. "Na época que a Copa será disputada, as temperaturas chegarão a 50 graus".
Milton começou no esporte jogando futsal no Comerciário, aos 12 anos. Ingressou no futebol ainda em Criciúma, depois no Internacional. Profissionalizou-se no Vasco. Após defender o Tigre, foi para Portugal, onde fez carreira como atleta e treinador. Atualmente, tem residência na Ilha da Madeira, onde vivem sua esposa, a brasileira Valéria, e seus filhos portugueses, Diego e Lara.
A oportunidade para trabalhar no Qatar veio em 2009, a convite de Sebastião Lazaroni. O ex-técnico da Seleção Brasileira levou Milton Mendes para ser seu auxiliar no Qatar Sport Club, onde estão até hoje. "No Qatar, só se treina à noite devido ao calor. Por isso nossas equipes ainda não são tão competitivas mundo afora".
O país está empenhado na importação de profissionais do futebol. "Eles aprenderão árabe, serão naturalizados e defenderão a seleção do Qatar pensando em 2022". Milton, porém, não planeja participar deste projeto. "Quero alçar voos mais altos no futebol".
Mendes conta que o Qatar precisará, gradualmente, adaptar seus costumes aos moldes ocidentais pensando na Copa. "As mulheres ainda ficam cobertas dos pés à cabeça. Não conseguimos requer ver os olhos delas". Milton conta que já viveu constrangimentos ao embarcar em elevadores com mulheres sem autorização para tal. "Em eventos sociais, homens entram por uma porta, mulheres por outra, e os grupos não se misturam".
Entre os hábitos masculinos no Qatar, estão as reuniões de amigos regadas a chá. As saudações entre homens são sempre com a mão direita e dois toques de um nariz com o outro. "A mão esquerda é utilizada somente para higiene pessoal pelos árabes".
O Qatar usufrui de grandes avanços sociais. Não há mendigos, nem favelas, muito menos desempregados. "Todos recebem bons salários, possuem bons carros e casas", conta. A criminalidade é zero, devido a uma rígida legislação. Bebidas alcoolicas são controladas. "Só podem comprar bebidas cidadãos que possuem um cartão para isto, somente para consumo próprio. Se o comprador distribuir as bebidas, é preso, castigado e expulso do País". O governo investe pesado na dessalinização da água do mar, para consumo dos cidadãos, além de importar água mineral de países vizinhos.
Monarquia absoluta, o Qatar é administrado por um rei. Um dos príncipes herdeiros administra o petróleo, maior riqueza nacional, e o futebol. "Os xeiques participam o tempo inteiro do futebol, em tudo", conta Milton. O criciumense embarca na sexta-feira para Portugal e no final de semana desloca-se para o Qatar.



