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Criciúma

Um desabafo direto do lago podre da Gonçalves Ledo

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Foto: Arquivo Engeplus

Ela é uma criciumense. Começou como estudante, depois como funcionária de uma empresa, há uma década ela freqüenta a rua Gonçalves Ledo e seus arredores. E testemunha de perto a evolução, de dez anos para cá, das cheias nos fundos da Estação Rodoviária. “A coisa piorou de sete anos para cá”, conta ela.

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Não é de hoje também a promessa de soluções para o problema. Soluções que nunca chegaram. Se fala que falta conectar aquela região ao canal auxiliar ao Rio Criciúma, que passa não muito longe dali, do outro lado da Avenida Centenário.

Cansada das vezes em que viu seu carro boiar, e precisou usar plásticos nos pés para por ali passar, ela conta em primeira pessoa, ao Portal Engeplus, o drama que quem é dali vive. E encaminha esse apelo ao prefeito. Confira abaixo:

Pois é, prefeito. O senhor nem me conhece. Mas é possível que já tenha apertado minha mão por aí. Que já tenha pedido o meu voto. Quando eu comecei a freqüentar essa rua, lembro bem que o senhor estava se preparando para concorrer de novo. Era deputado, se não me engano. Isso foi lá por 2007. Eu estudava ali. Sabe a rua Gonçalves Ledo? Atrás da Rodoviária? Pois então, é dela que eu estou falando.

Eu tenho vergonha do que acontece ali. E o senhor, não tem, prefeito? Sei muito bem que nada se resolve em passe de mágica, que é preciso trabalho, dinheiro, tudo isso a gente sabe. Como eu preciso trabalhar e ter dinheiro também para pagar os muitos impostos que me cobram. Inclusive para a prefeitura. E eu os pago não para chegar na aula com os pés encharcados, como acontecia comigo ali nos tempos de estudante, ou agora também encharcar os pés quando chove pois, coincidência ou não, trabalho por ali também.

Sabe, prefeito, passei algumas noites ruim, com dores, até febre me deu, por ter que pisar naquela água podre para poder estudar. Já pegamos água no joelho ali. E tudo por ter chovido. Ou seja, para quem depende dos fundos da Rodoviária para algo, seja passar, trabalhar, estudar, embarcar, desembarcar, pode saber: se choveu, é alagamento na certa. E não me venham dizer que não, prefeito, pois faz dez anos que eu testemunho isso.

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Concordo que de uns sete anos para cá a coisa piorou. E muito. Aliás, o senhor já era prefeito na época. Eu sei que os proprietários de prédios, os empreendedores, os empresários, os que estão ali batalhando para gerar empregos, ter um ganho e também pagar os muitos impostos que os senhores cobram, eles já foram até a prefeitura buscar uma solução. E nada. Só resta rezar para a chuva não ser tão forte.

Já cheguei na calçada com meu carro boiando, depois de alguns minutos de chuva nem tão forte assim. Colegas também já viveram isso. Já vi gente que nem conheço chegando desesperada, pois havia estacionado ali por alguma razão, saído por minutos e, ao voltar, percebido que o carro havia boiado na correnteza da rua que parece rio, rio podre, fedorento. Tão fedorento que já exterminou alguns almoços do bravo restaurante que tenta funcionar por ali. Não poucas vezes, a turma, na necessidade de almoçar para logo retomar a rotina – afinal, todos tem que pagar os altos impostos que os senhores cobram –, tiveram que comer entortados por aquela fedentina miserável também.

Já coloquei sacos de lixo nas pernas, amarradas nos joelhos, para atravessar ali. E já tive que deixar de trabalhar um turno inteiro por simplesmente não conseguir atravessar calçadas e rua para chegar no serviço. Mas o imposto que pago não me foi descontado por causa disso.

Entre infecções urinárias, pés encharcados, calçados estragados, carro enguiçando, correntezas de tudo quanto é dejeto que regorgita das bocas de lobo que pouco fazem, construímos uma revolta. E essa revolta nos faz exigir do senhor, prefeito, uma solução. Os vizinhos do lago podre e temporário dos dias de chuva dos fundos da Rodoviária não agüentam mais. Olhe por nós e encontre uma solução, prefeito, já que a nossa solução, deixar de pagar o imposto para ver se resolve, não é do nosso feitio. Como o senhor bem disse outro dia, “criciumense não é velhaco”. Confirme isso para nós e nos livre de toda essa podridão.

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