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Terceira Idade

Um grande aliado à cidadania e à vida

Centro de Convivência da Terceira idade completa dois anos de atividade

Por Redação Engeplus

7 min de leitura

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Foto: Ana Paula Cardoso

Há dois anos – completados neste mês de maio – Criciúma ganhou uma estrutura para abrigar vida. Mas não se trata de uma maternidade, porém, para muitos, significa o renascimento e redescobrimento de si. Os cidadãos que lá frequentam não fazem jus à idade que têm, superam-se a cada dia em oficinas de dança, artesanato/patchwork, violão, vivência (psicologia) e computação. Esse pessoal da terceira idade que frequenta o Centro de Convivência construído especialmente para ele não é fraco não.

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Esses idosos não 'dão bola' nem para a distância que têm que percorrer para chegar ao local, no Morro Cechinel. O que parecia ser um entrave insuperável é compensado pelo prazer de lotar um carro e ir com a turma ou pegar um ônibus e encontrar os companheiros de oficina durante o trajeto. Quando chegam lá em cima, no alto do morro, são compensados com acolhida e uma vista belíssima da cidade.

“Aqui eles buscam comunicação, convivência comum alguns por serem solitários até mesmo dentro do convívio familiar, outros por sofrerem perdas materiais e familiares e encontram conforto. A gente não costuma dizer que tenta transformar essas vidas; a gente consegue”, comemora a orientadora pedagógica das oficinas, Bárbara Dagostim. “Muitos chegam aqui tristes, encaminhados pelos programas de assistência social, outros vêm por conta própria. E todos se apegam ao ambiente. Encaram o Centro de Convivência como sua segunda casa. Aqui, eles que mandam”, completa.

Cada idoso pode participar de cinco oficinas (disponíveis à tarde e à noite), sem repeti-las em horários diferentes. Hoje, 60 idosos compõem uma lista de espera para entrar em alguma oficina. A aposentada Terezinha Foltz, 65 anos, chegou determinada ao Centro de Convivência: quer participar das oficinas de dança e computação e ainda a de vivência. “Não quero aprender crochê, quero uma oficina que me expanda, quero namorar pela internet. Apesar da idade, minha cabeça é jovem, gosto de me arrumar. Faz muito tempo que me separei e fico muito dentro de casa. Tenho esperança de encontrar aqui vida e muita alegria”.



De acordo com a assistente social Edla Mazzuco Coan, o serviço oferecido é de convivência e fortalecimento de vínculos com idosos em vulnerabilidade seja qual seja ela qual for, para aquele idoso que mora sozinho, com a família, que esteja balado também emocionalmente. A psicóloga Jadna Mendes acrescenta que há idosos independentes, mas com cargas de sofrimento muito grandes. “Aqui eles aprendem a ter autonomia, criticidade, a se colocar em grupos, participar de debates, fazer valer sua opinião e seus direitos e aumentam sua rede de relacionamentos. É inegável que a terceira idade traga limitações, mas é preciso superação e que a dor seja esquecida e dê lugar a algo mais saudável”, esclarece.

Entre tantos benefícios, o ambiente desmistifica que o idoso é inútil e está fadado ao isolamento. Aqui, salienta Edla, a velhice é vista de outra forma. “Para participar, é simples: basta morar em Criciúma e ter idade a partir de 60 anos”. Nair Amoroso Figueiredo, 70 anoa de idade, tem uma meta: quer apenas viver e ser feliz. Viúva há 13 anos e ostomizada, cuidou muitos anos de crianças. Depois, se deu conta que também precisava cuidar de si para ter uma velhice mais feliz. “Faço oficina de artesanato. É bom para a cabeça. Aqui esqueço do passado e do sofrimento que tem que ser superado diariamente. Tive câncer no intestino e passei muito trabalho. Hoje, a doença não é mais identificada nos meus exames. Meu apelido é guerreira por tudo isso, é assim que me chamam”, diz orgulhosa. Para frequentar o Centro, ela vai com irmã ou com amigas. E se alguém chega triste no grupo, “ ´alto lá!´, a turma é muito animada, a gente anima qualquer um”, resume a moradora do bairro São Sebastião.

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Numa sala, muito papo, a boca trabalha junto com os olhos atentos ao artesanato; na outra, dedos curiosos passeiam pelo violão aos cuidados do professor Tiago Maciel, que se descobriu um professor paciente e criativo. Seu propósito não é formar músicos, mas oportunizar a quebra de tabus e mais sorrisos. Há um ano ele é responsável pelas aulas de violão. “Sempre ensinei gente muito nova e com raciocínio rápido. Quando recebi este desafio de trabalhar com idosos criei um método especial, com cifras maiores nas partituras, alongamento especial do corpo para evitar problemas de saúde. Já recebi alunos que estavam prestes a fazer cirurgias e depressivos. Com as aulas saíram da depressão e não precisaram do procedimento cirúrgico”.

Na oficina de violão, novas descobertas e desejos realizados. “Sempre tive vontade de tocar violão, mas o trabalho me tirava esse prazer, precisava trabalhar para manter a casa. Mas agora tenho tempo de sobra. Até já sai um sonzinho. Gosto muito de cantar e na praia participo de uma banda chamada A Banda Bebe. Agora tenho um acompanhamento”, diverte-se Maria Gorete Ferreira de Oliveira, 60 anos, moradora do bairro Santo Antônio. Persistente e motivada para tocar na igreja, Carola Padilha Aguirra, 63, do bairro Vida Nova, diz que quando quer algo, aprende. Com apoio da família, segue firme nas aulas. “É difícil tocar, mas não vou desistir. Estar aqui areja a memória e trabalha a coordenação motora. Tem muito motivo para estar aqui: violão e aula de graça. A vontade a gente traz no ônibus”.



O Centro de Convivência da Terceira Idade integra os serviços da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc), que tem um “braço”, o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), no qual o Centro está inserido. Zolnei Vargas é o gerente desse serviço, que fica de olho em todos os idosos da cidade. “Trata-se de um serviço de proteção social básica que envolve todos os idosos. Porque o idoso que chega aqui ele vem dos bairros, dos clubes. Onde quer que seja, aqui no Centro ou nos bairros, se algum tipo de problema é identificado com algum idoso, encaminhamos ao serviço de assistência social para que seja esclarecida a necessidade e direcionada para sanar com o serviço específico que a prefeitura oferece. Dessa forma garantimos o lazer, a moradia, a alimentação, enfim o básico para o idoso viver bem”.

A presidente da Afasc, Izabel Cristina Grijó Búrigo, avalia que os idosos de hoje são muito ativos e sempre em busca de diversão e lazer. “O serviço que oferecemos é uma forma de a cidade e a região aceitar e mostrar que a terceira idade existe em grande quantidade, que podemos valorizar e dar a atenção que eles precisam. Quando valorizamos os idosos mostramos que a cidade está preparada para a longevidade, já que este é o futuro de todos”, defende. Vargas, que se diz um defensor dos cidadãos dessa faixa etária e que o Centro ajudar a despertar nos idosos a consciência de seus direitos. “Trabalho no Centro há um ano. A aceitação da metodologia de trabalho é muito rápida, não imaginava que teríamos algo tão bem sucedido”.

O futuro é de ampliação - O espaço, conforme a coordenadora da Assistência Social da Afasc, Naiany Colombo Dias, terá em breve capacidade para receber mais 200 a 300 idosos. No projeto de ampliação horizontal estão previstas quatro salas. Uma delas será o atual anfiteatro, que hoje é aberto e receberá paredes para abrigar oficinas de teatro e dança. Além disso, uma sala para dominó e cartas, uma cancha de bocha em tamanho oficial para treinos visando os Jogos Abertos da Terceira Idade (Jasti) será construída também e estuda-se a implantação de aulas de yoga.




O Centro está localizado no Morro Cechinel, em Criciúma - Oferece oficinas nos períodos da manhã e tarde nas modalidades de artesanato/patchwork, dança e alongamento, informática e letramento e vivência e conversa acolhedora com psicóloga. Paralelo às oficinas, estão disponíveis serviços de orientação jurídica e psicológica e assistência social. Para participar, basta ter idade acima de 60 anos e morar em Criciúma. Mais informações pelo telefone (48) 3438-8229.

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