Impasse
Um óbito, tumulto e dúvidas na Central Funerária
Por Redação Engeplus
3 min de leitura

Era para ser mais um atendimento de tantos na Central Funerária de Criciúma, mas teve confusão. O óbito de Thereza Réus Borges, 85 anos, ontem à noite, em Criciúma, resultou em um novo impasse envolvendo os serviços fúnebres na cidade.
“A dona Therezinha era minha amiga de muitos anos, a família também, então eles pediram que nós prestássemos o serviço”, informa Valdeli da Rosa, proprietária da Funerária Veneza, de Nova Veneza. Feito o encaminhamento legal, foram familiares e a agente funerária até a Central, na rua Vidal Ramos, no Centro.
Lá chegando, a família recebeu a notícia de que não seria possível efetuar os procedimentos com a funerária de Nova Veneza. “A dona da funerária nos disse que não poderia fazer o serviço dentro de Criciúma, mas de Criciúma para outro município sim. Quando chegamos, a Central nos colocou que nem isso era possível”, detalha o jornalista Janniter De Cordes, neto da falecida.
A negativa causou irritação na representante da funerária. “Pela licitação original, nós poderíamos fazer sim, mas depois veio uma lei complementar proibindo. Eu já fiz vários assim, de Criciúma para outros municípios”, reclama Valdeli. Ato contínuo, houve um clima tenso entre Valdeli e o fiscal que estava atendendo na Central por volta das 22h de ontem. “Teve bate boca. Eu orientei o colega a chamar a polícia. Não vai vir funerária de fora fazer baderna aqui”, responde a supervisora da Central Funerária, Dulce Salvato.

Afasc explica. Ou tenta
Há, porém, um certo desencontro de informações em relação ao serviço. A administração da Central cabe à Afasc cujo gerente financeiro assegura que a família tem plena autonomia de escolher a funerária que quer atendendo seu ente falecido. “Total liberdade. Nós regulamos a fila das seis funerárias credenciadas em Criciúma para casos em que os familiares não possuem uma preferência”, afirma Adriano Boaroli.
Mas a supervisora da Central dá outra orientação. “Moradores de Criciúma velados e enterrados em Criciúma só podem ser encaminhados por funerárias de Criciúma. Mas se o velório e sepultamento forem em outro município, pode ser chamada uma funerária deste município de destino”, explica Dulce, fazendo uso da lei 159/2015, exposta em um pequeno quadro sobre a sua mesa na Central Funerária. “A funerária tentou se impor no grito. Aqui todo mundo tem o mesmo tratamento dentro da lei”, reforça.
A supervisora conta que o impasse começou quando foi exposto o cenário acima, com uma funerária de Nova Veneza querendo recolher um corpo em Criciúma para um sepultamento em Içara. Thereza Borges foi enterrada no Cemitério Municipal de Içara na tarde desta quinta. “A missão da Central é orientar a população dentro da lei e das regras, pois aqui vamos mostrar as melhores opções. Nós não trabalhamos para as funerárias, mas sim para o cidadão”, completa Dulce.
Ainda indignada, a empresária de Nova Veneza promete tomar providências. “Vou procurar o prefeito Salvaro, a gente que trabalhar com decência. A família tem que ter o direito de usar a funerária que quiser, e não pagar o preço que eles impõe”, conclui Valdeli.



