Por ivan.bento@engeplus.com.br
EmDizer que Clint Eastwood está num estágio soberbo, com um domínio da linguagem cinematográfica e uma eloqüência mordaz é chover no molhado. Mas não custa ressaltar as qualidades deste filme inusitado por excelência.
Em Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima - 2006), o contraponto japonês sobre o prisma norte-americano de A Conquista da Honra, não só se opõe àquele ponto de vista da batalha, como também lança um olhar completamente diferente sobre a guerra , sobre a vida e sobre a própria ilha.
Na mesma fotografia em sépia e falado em japonês, Clint filma belíssimos ângulos opostos da ilha, o interior das cavernas, a vila dos moradores (existiam moradores?) . Aqui Iwo Jima é tratada como um lugar sagrado e não mais apenas como um pedaço de terra a ser assaltado.
A esperança também é diferente. Os americanos esperam voltar pra casa, os japoneses apenas morrer na ilha com alguma honra. Além disso os inimigos, sendo os americanos, são tratados à distância como bons, maus, covardes, corajosos, éticos ou bandidos que matam desertores do outro lado à queima-roupa.
Os japoneses não são tratados com benevolência nem de forma caricatural. O olhar de Clint é, por assim dizer, humano e com credibilidade.
Ainda dá para escrever um tratado sobre as interpretações dos atores, Watanabe à frente, focadas nos olhares melancólicos e assustados.
Vamos e venhamos, este diretor de 77 anos é mais incisivo do que dez Michael Moore juntos.
Ivan Bento - editor do blog 15 Minutos (http://15-minutos.blogspot.com/)


































