Mochilão
Um pulinho em Criciúma antes de conhecer a América do Sul
Alemão e carioca vão mochilar pela América Latina e passaram três dias em Criciúma. Eles aproveitaram para conhecer a Serra do Rio do Rastro
O carioca Felipe Maciel, de 23 anos, e o alemão Philipp Uhl, de 24 anos, passaram três dias hospedados na casa do fisioterapeuta Duda Benedet para conhecer Criciúma e a Serra do Rio do Rastro. A visita faz parte do projeto 260 dias, 260 caronas e 260 mentiras – por meio do qual a dupla pretende, com um mochilão, conhecer toda a América do Sul. Eles saíram do Rio de Janeiro no dia 8 de janeiro e chegaram a Criciúma no último sábado, dia 25.
Com o final de semana chuvoso, a programação consistiu, basicamente, em conhecer a maior cidade do Sul de Santa Catarina e aproveitar o churrasco oferecido pelos criciumenses. Para os dois, Criciúma está de parabéns. “Já conhecíamos o time daqui, e achei a cidade maior e mais bonita do que eu imaginava”, conta o carioca Felipe.
A dupla aproveitou a segunda-feira de sol para conhecer a Serra do Rio do Rastro, destino turístico do Sul catarinense. A partir desta terça-feira, os dois voltam à estrada rumo ao Cânion do Itaimbezinho. Depois vão ao Rio Grande do Sul, passarão por Porto Alegre e seguem rumo ao Uruguai. “Depois disso começamos a ‘subir’, conhecendo todos os países latino-americanos, até voltar novamente ao Rio de Janeiro, destino final da viagem”, conta Phillip.
Felipe e Phillip se conheceram pelo CouchSurfing, um sistema de hospedagem gratuita baseado em relações sociais na internet. Duda, que hospedou o carioca e o alemão durante os três dias, havia oferecido a casa no site e convidou os dois para conhecerem a cidade. “Tanto quem hospeda, quanto quem é o hóspede, recebe um indicativo e algumas referências, para que o serviço seja confiável. É uma troca. Eu ofereço a casa hoje, e quando quiser viajar, posso me hospedar na casa de alguém em qualquer lugar do mundo”, explica.
Os viajantes alimentam o blog www.260caronas.wordpress.com com posts em português e em alemão. Eles contam como é a vida dos moradores das cidades por onde passaram, mas também contam como conseguiram as caronas e quais histórias inventaram por aí, aos motoristas que os ajudaram.
Felipe explica que a ideia do projeto 260 dias, 260 caronas e 260 mentiras é que os dois consigam conhecer todos os países neste tempo e com este número de caronas. “A parte da mentira fica por conta das histórias que contamos para conseguir as caronas, como forma de evitar a monotonia. Às vezes eu viro gringo, às vezes temos namoradas por aí, e sempre moramos em locais diferentes. Essa é a diversão”, conta Felipe.
Eles também carregam apenas R$ 25 para gastar diariamente, mas conseguem economizar por não pagar a hospedagem e, geralmente, a comida. Para emergências, caso não consigam onde ficar, Felipe e Philipp carregam uma barraca para acampar, um fogareiro, arroz e feijão e um equipamento que ajuda a tornar a água, mesmo poluída, potável. O alemão já conhece 40 países diferentes. O carioca conhece três.
Em seus primeiros dias de aventura pelo Brasil, a dupla teve alguns itens roubados. O saldo negativo foi de dois pares de tênis usados em trilhas, uma calça e uma meia. Depois disso, não registraram problema algum. “Nos damos o direito de também escolher. Se achamos que pegar carona com uma pessoa pode ser perigoso, desconversamos e tentamos com outro motorista”, explica Felipe.
O fisioterapeuta Duda, morou 10 anos em Oxford, na Inglaterra, e garante que a experiência de viajar ajuda a mudar a percepção sobre o mundo. “A dica que eu dou para quem deseja fazer mochilão é: corra o risco. A troca de culturas vale a pena”, recomenda.



