Suicídios
Unidos pela vida!
Números de suicídios na Região Carbonífera levam entidades a discutir formas de prevenção e atendimentos às vítimas e familiares
Por Redação Engeplus
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Um assunto polêmico será tratado com mais ênfase em Criciúma. O suicídio, que no ano passado vitimou 47 pessoas na Região Carbonífera e neste ano já contabiliza 19 mortes, preocupa entidades do maior município do Sul do Estado. Em 2013, neste mesmo período, foram registradas 14 mortes. Nesta manhã, no salão Ouro Negro, na prefeitura de Criciúma, entidades discutiram uma campanha de prevenção e atendimentos às vítimas e familiares.
Conforme a coordenadora do Núcleo de Prevenção das Violências e Promoção da Saúde (Nuprevips), Ana Losso, o objetivo é atender toda comunidade. Fazendo um chamamento à vida, à prevenção e à melhor informação da sociedade, propõe-se o movimento Criciúma Viva. “Nos últimos 40 anos houve um aumento de 60% no número de suicídios. A cada 20 segundos, uma pessoa tira sua própria vida no mundo. A Região Carbonífera apresenta um número expressivo destes crimes, sendo que o Brasil está entre os dez países onde mais ocorrem suicídios. Ou seja, é uma questão de saúde pública, temos que falar sobre o assunto, orientar, levar informação para essas pessoas”, frisa.
Além dos casos confirmados, as tentativas são ainda maiores. No ano passado, na Região Carbonífera, foram 255 tentativas, segundo dados do Nuprevips. “A tentativa de suicídio é um pedido de ajuda. Essa pessoa não quer tirar sua própria vida, ela quer se livrar de uma dor e é nisso que as pessoas devem prestar atenção, os amigos, os familiares, o colega de trabalho. Ela quer ser ouvida, mas hoje em dia ninguém conversa com ninguém. As pessoas interagem pelo celular, por exemplo, mas pelo aparelho não é possível ver o rosto, ver o que outro está sentido”, alerta.
Para que os números parem de crescer, um material gráfico será elaborado e distribuído em escolas e instituições. Segundo o perito do Instituto Médico Legal (IML) de Criciúma, Almir Fernandes, esse é um passo importante para a prevenção. “Essa campanha visa evitar futuros suicídios. O importante é trabalhar na prevenção das tentativas, bem como divulgar os locais de ajuda e conscientizar as pessoas a procurarem auxílio”, esclarece.
Além das entidades que podem auxiliar as pessoas com mente suicida, segundo a psicóloga e coordenadora da Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental (Creres), Cecília Urbina, o cidadão também pode contribuir e salvar vidas. “Todos somos responsáveis, mas ninguém faz nada. Muitas vezes vemos aquela pessoa quieta e não vamos conversar com ela ou tem aquele que está com a cara fechada, conte uma piada, converse com essa pessoas, que precisa ser ouvida”, pontua.
Locais de prevenção:
Núcleo de Prevenção das Violências e Promoção da Saúde (Nuprevips) - 3431-2764
Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental (Creres) - 3437-3655
Centro de Atenção Psicossocial (Caps III) - 3443-7870
Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) - 3437-3419
Secretária de Saúde de Criciúma - 3445-8400
Centro de Valorização da Vida (CVV) - 141 ou 3439-0222
Mitos e realidades sobre suicídio:
Mito: Só acontece em classe social baixa.
Realidade: Errado! Acontece em todas as classes sociais, indistintamente.Mito: Quem quer praticar suicídio, não avisa.
Realidade: Errado! A grande maioria está pedindo ajuda e dá pistas.Mito: Todo suicida quer morrer.
Realidade: Errado! Ele quer parar de sofrer, não quer morrer, quer solucionar o seu problema.Mito: Quem tenta suicídio é corajoso ou covarde.
Realidade: Nem um, nem outro, mas é a única solução que ele vê para solucionar o seu problema naquele momento.Mito: Quem já tentou suicídio, vai tentar outras vezes.
Realidade: Verdade! E poderá até conseguir, mas se alguém lhe escutar, poderá desistir da ideia.Mito: Deprimidos. Hereditariedade, alcoólatras, drogados, doentes mentais são pessoas de riscos na tentativa.
Realidade: Sim, na maioria dos casos, mas nem sempre! Qualquer pessoa pode ser um suicida em potencial.Mito: O perigo passou, quando não ocorre a morte.
Realidade: Errado! Devemos ficar em alerta! Pode ser que a aparente tranquilidade após a tentativa seja pelo fato de já estar decidido e já ter escolhido uma forma mais efetiva para fazê-lo.Mito: Quem ameaça não faz.
Realidade: Errado! Faz sim, todo tipo de ameaça deve ser valorizada como: bilhetes, pequenas frases, deixar de fazer o que gostava, ficar fechado em si mesmo.



