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Veja a opinião dos gestores municipais da Região Carbonífera sobre os dados apresentados pelo Censo

Prefeitos e vices questionam números de habitantes apresentados pelo IBGE

Por Lucas Renan Domingos

6 min de leitura

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Foto: Divulgação/Arquivo Portal Engeplus

Os dados divulgados pelo IBGE sobre o número de habitantes dos municípios apurados pelo Censo 2022 não agradou os prefeitos das cidades que formam a Região Carbonífera. Procurados pelo Portal Engeplus, a maioria dos gestores contestaram as informações da pesquisa e acreditam que a quantidade da população de seus municípios está equivocada.

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Além da preocupação com a demonstração de crescimento das cidades, a indignação dos gestores tem também preocupação com a economia dos municípios. É que o número de habitantes estipulado pelo Censo tem impacto direto no Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O índice é utilizado no cálculo de recursos que devem ser repassados pela União aos municípios.

O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, por exemplo, esperava que o Censo 2022 apontasse que mais de 240 mil pessoas moram na cidade. Só que a pesquisa apontou que são 214 mil habitantes no município. Ele não descarta a possibilidade de ingressar com uma ação judicial pedindo pela revisão dos números.

Crescimento da população nos municípios da Região Carbonífera

Cidade População em 2010* População em 2022** Variação de 2010/2022 Criciúma 192.308 214.493 11,54% Cocal do Sul 15.159 17.240 13,73% Forquilhinha 22.548 31.431 39,40% Içara 58.833 59.035 0,34% Lauro Müller 14.367 14.381 0,1% Morro da Fumaça 16.126 18.537 14,95% Nova Veneza 13.309 13.664 2,67% Orleans 21.393 23.661 10,60% Siderópolis 12.998 13.714 5,51% Treviso 3.527 3.689 4,59% Urussanga 20.223 20.919 3,44% Balneário Rincão 10.923 (ainda pertencia a Içara) 15.981 46,31%

*Dados do Censo 2010 – IBGE
**Dados do Censo 2022 – IBGE

Na próxima terça-feira, dia 4, os prefeitos dos sete municípios que ainda fazem parte da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) irão se reunir para discutir quais ações serão realizadas sobre os dados do Censo 2022. No dia 11 de julho o grupo também estará em Florianópolis para se reunir com o superintendente do órgão para questionar os números.

Veja abaixo a opinião de gestores da Região Carbonífera sobre os dados apresentados pelo IBGE:



Eu tenho conversado com centenas de pessoas que dizem que na casa onde eles moram não passou ninguém do IBGE. Os números não estão certos, então não podemos considerar que é um censo. Eu discordo totalmente dos números apresentados sobre a cidade de Criciúma. Os números não são reais. Vamos contestar primeiro administrativamente e depois pela via jurídica. Não baixamos de 240 mil habitantes. O IBGE está errado

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Clésio Salvaro, prefeito de Criciúma



Não concordamos na totalidade com os números do IBGE. Tivemos um avanço de 15 mil para 17 mil habitantes, mas os dados não batem com as informações que temos nos nossos sistemas, principalmente o sistema da saúde, que temos um acompanhamento completo. Nos nossos controles, nossa população é de mais de 21 mil habitantes. Só de imigrantes de outros países temos mais de 700 pessoas. Temos dados que mais de 2 mil moradores de Cocal do Sul trabalham no exterior, por exemplo, em temporadas em sorveterias da Alemanha e eles podem não ter sido entrevistados. Vamos preparar um documento para confrontar com os dados do IBGE

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Fernando de Fáveri, prefeito de Cocal do Sul


Içara não tem só 59 mil habitantes. Não concordamos com esses números. Estamos certos que o trabalho foi mal feito. Içara deveria ter 53 recenseadores trabalhando simultaneamente e em nenhum momento chegamos a ter a metade disso. O próprio IBGE se contradiz. Em dezembro do ano passado a prévia do instituto era de mais de 64 mil habitantes e agora dizem que não temos nem 60 mil. Isso interfere no repasse do FPM e prejudica a cidade. Por isso, vamos à justiça e não vamos aceitar esse erro

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Dalvania Cardoso, prefeita de Içara



Quando fizeram a estimativa da população para Lauro Müller, os números nos causaram muita estranheza, até porque não batem com o que tivemos anualmente com o cadastro das agentes comunitárias de saúde. Na minha opinião não existe nada mais fidedigno que os dados das agentes. Sabemos que uma queda no número interfere diretamente nos repasses de recursos. Queremos que o censo seja realizado, sim, mas com maior precisão. Esta é a luta

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Saionara Bora, prefeita de Lauro Müller

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A maioria dos prefeitos da Amrec não concordam com os números. Vamos fazer uma reunião para discutir os números e vamos definir quais posicionamentos vamos tomar via associação. Os números podem impactar a economia dos municípios e temos que analisar com muita calma

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Agenor Coral (Noi), prefeito de Morro da Fumaça



Nós de Nova Veneza tínhamos uma estimativa de 15,5 mil habitantes. Mas não foi este o número final. Pelo IBGE, Nova Veneza tem 13.964 habitantes. É este número que vamos ter que lidar daqui para frente. Esses dados não fez o município diminuir o índice de FPM. Continuamos com um 1% da fatia dos repasses. Mas realmente foi um pouco decepcionante em com o resultado final em comparação com a estimativa que tínhamos

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Élzio Milanez, vice-prefeito de Nova Veneza



Não ficamos nada satisfeitos com os números do Censo. Todos nós prefeitos tínhamos uma expectativa de que as nossas cidades alcançariam um número maior de população do que foi apresentado pelo IBGE. Tínhamos uma projeção e ela não foi alcançada. A gente entende que o número de pessoas nas famílias vem diminuindo nas famílias, mas temos os cadastros municipais de saúde e outros dados que nos levam a crer que a população é maior do que a que foi apresentada pelo IBGE. Vamos mostrar a nossa insatisfação e questionar a pesquisa. Foi um Censo mal feito e a falta de recenseadores prejudicou o resultado

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Jorge Koch, prefeito de Orleans



Tivemos no Censo de 2010, 12.998 habitantes. O de 2022 foi concluído com 13.714 habitantes. Então significa que, em 12 anos, o município cresceu 716 habitantes no Censo do IBGE. Mesmo com esse crescimento, não estamos contentes com esse número, pois não condiz com os cadastros ativos no SUS, que somam 15.155 pessoas atendidas no município. Nós já havíamos questionado essa diferença quando foi apresentada uma prévia ao município no mês de março

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Franqui Salvaro, prefeito de Siderópolis



Os prefeitos da Amrec irão realizar uma reunião para tratar do assunto, pois Treviso não concorda com os dados divulgados, principalmente o número de habitantes que destoa dos números registrados nos cadastros da saúde, porque as agentes visitam mensalmente casa a casa e têm os dados atualizados

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Valério Moretti, prefeito de Treviso



Na próxima semana vamos nos reunir com os prefeitos da Amrec. Já participamos de outras reuniões sobre esse assunto. Hoje, temos 18.418 cadastros do SUS, por exemplo, em nossas Unidades de Saúde. Sabemos que o IBGE fez sua parte, mas acreditamos que os nosso números são superiores aos divulgados recentemente
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Luiz Laurindo, vice-prefeito de Balneário Rincão

*A reportagem também tentou contato com os prefeitos de Urussanga e Forquilhinha, mas não obteve retorno.

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