Engeplus
Política

Criciúma

A Câmara é um puxadinho da prefeitura?

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

Compartilhar:
Foto: Divulgação

Uma antiga expressão que Clésio Salvaro pautou no seu governo passado voltou ao vocabulário da política local ontem à noite: “a Câmara não é um puxadinho da prefeitura”. A frase sempre é utilizada em tom afirmativo para realçar a postura que o prefeito tenta imprimir na relação com o Legislativo, que vez por outra tem seus percalços.

Publicidade

Embora dono de avassaladora maioria nas urnas, Salvaro enfrentou dificuldades na gestão passada para conquistar uma maioria estável na Câmara. Vez por outra encarou dissabores. A eles, respondia com a máxima a respeito do “puxadinho” e usava definições reafirmadas agora, na semana que começou com duas derrotas para o Executivo. “A Câmara é uma casa política. O voto do vereador é político”, realça.

Ocorre que o governo Salvaro tinha a intenção de fazer aprovar nesta segunda e terça o financiamento internacional de obras de mobilidade via Fonplata e a dispensa de pareceres nas comissões da Câmara para o projeto que reestrutura a Afasc de acordo com o novo Marco Regulatório do governo federal. Rodou nos dois, com atuação decisiva de vereadores do PSD, integrantes da base na Câmara.

No Fonplata, faltou informação

Os vereadores Zairo Casagrande e Camila do Nascimento, do PSD, pediram vistas ao projeto do Executivo que buscava o aval da Câmara para o financiamento do Fonplata. “Nós só podemos aprovar uma operação de 15 milhões de dólares, que vai gerar um endividamento de R$ 50 milhões, se soubermos de várias informações que não constam no projeto que chegou na Comissão de Fiscalização”, justificou o vereador Zairo.

O parlamentar frisa que não está fornecido pela prefeitura o cálculo da capacidade de pagamento nem o cronograma de reposição. “Sabemos informalmente que haveria uma carência de quatro anos, ou seja, quem vai pagar esse empréstimo milionário é o próximo prefeito”, argumentou o pessedista.

Em contraponto, o prefeito garante que dúvidas já haviam sido esclarecidas aos vereadores. “Nossos técnicos foram a Brasília e no retorno repassaram essas informações. O curioso é que alguns que questionam agora votaram a favor no governo anterior. Estamos apenas fazendo adequações pois se trata de um empréstimo internacional”, observou Salvaro.

“Somente de juros o município precisará de R$ 170 mil mensais. Se o município está em grave dificuldade como assumirá desde já um encargo dessa natureza? Isso não é dinheiro de boteco nem dinheiro de sinuca. Segurar esse projeto é questão de juízo para esclarecer essas dúvidas básicas”, concluiu o vereador.

Publicidade

Não é puxadinho

Se Salvaro usa um ponto de exclamação ao garantir a harmonia entre os poderes, um vereador da base aliada apela para outra entonação. Júlio Kaminski (PSDB) ajudou a barrar no Legislativo a dispensa de pareceres requerida pelo Executivo na pauta do Marco Regulatório da Afasc.

“Tenho procurado ler bastante a lei e o atropelo, o afogadilho de ontem não foi bom, precisamos ter mais tempo para entender. Não podemos votar por impulso”, comentou o parlamentar. “A Câmara não é um puxadinho da prefeitura, é a casa legislativa que precisa ser respeitada”, concluiu.

Perda do vice-líder

No enredo político do começo da semana Salvaro corre o risco de perder o seu vice-líder na Câmara. O vereador Salésio Lima (PSD) está entregando o posto. “É uma conversa no partido, fomos procurar o prefeito e coloquei sim o cargo à disposição. Precisamos conversar, dialogar, há um descontentamento do partido”, arrematou Lima.

Embora a devolução do posto tenha sido comunicada pelo vereador, o prefeito não efetuou mudanças. Cabe destacar que o PSDB, partido de Salvaro, não desempenha a vice nem a liderança, que é responsabilidade do vereador Jair Alexandre (PSC).

Compartilhar:
Leia a seguirA busca por plataformas para o rio Araranguá
Publicidade