Economia
A diferença entre bancos e cooperativas de crédito
Tema foi abordado em curso para jornalistas e formadores de opinião, no Rio Grande do Sul
Por Redação Engeplus
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A cooperativa de crédito tem algumas semelhanças com o banco, como a possibilidade do acesso a produtos e serviços bancários, mas também possui algumas diferenças, por isso o presidente da Sicredi Pioneira RS, Tiago Luiz Schmidt, explica que cooperativa não é banco. A afirmação foi feita durante um curso para jornalistas e formadores de opinião, que aconteceu na última sexta-feira e sábado, dias 4 e 5, em Porto Alegre e Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul.
O desafio, segundo Schmidt, é mudar o pensamento que muitas pessoas ainda tem sobre cooperativas, já que elas surgiram atendendo apenas agricultores. "Nas comunidades onde estamos inseridos conseguimos perceber dos próprios associados o sentimento deles de que um banco não está preocupado com o desenvolvimento da região, um banco não faz destinação do resultado, um banco trabalha a rentabilização do capital e nós enquanto cooperativa, trabalhamos o desenvolvimento das comunidades. Há diferenças absurdas entre banco e cooperativa".
Como exemplo, o presidente cita o voto. "No banco tem voto aquela pessoa que tem dinheiro. Então quanto mais dinheiro você tem no banco como acionista, maior é o teu voto. Aqui na cooperativa, todos os associados são convidados a participar das assembleias, independente de quanto dinheiro ele tem. O voto dele tem peso igual", ressalta Schmidt.

Atualmente o Sistema de Crédito Cooperativo opera em 116 cooperativas presentes em 21 estados do Brasil. São 3,7 milhões de associados. Sendo que existem R$ 13,1 milhões em patrimônio líquido e R$ 80,3 bilhões estão em ativos.
Para se ter uma ideia do que prega o cooperativismo, no ano passado a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Cooperativismo Brasileiro se uniram em prol da sustentabilidade, isso porque os valores e princípios das cooperativas já fazem com que elas pratiquem o desenvolvimento sustentável, como citado em um evento em São Paulo pelo agropecuarista e cooperativista há mais de 20 anos, Márcio Lopes de Freitas.
Já na palestra em Nova Petrópolis, neste ano, o vice-presidente da Central Sicredi Sul Sudeste Márcio Port , ao falar sobre os sete princípios do cooperativismo, mencionou que "após as grandes guerras, quem ajudou a reconstruir muitos países foram as cooperativas" e que durante o regime militar no Brasil muitas das coisas que as cooperativas faziam, foram proibidas de serem feitas, como por exemplo, as assembleias. "Naquele período muitas pessoas foram perseguidas por isso", disse. Após lembrar o fato histórico, ele ainda indagou sobre a situação atual do país. "No Brasil nunca tivemos guerra e talvez esse seja o problema: nos acomodamos", frizou.

O grande desafio da atualidade
As cooperativas atuam principalmente em pequenas e médias cidades, com menos de 20 mil habitantes. Segundo o vice-presidente da Central Sicredi Sul Sudeste Márcio Port, os bancos tem fechado várias agências bancárias principalmente em cidades pequenas, e as cooperativas continuam ampliando a abertura de agências em pequenas cidades.
Mas existe um grande desafio: crescer nas grandes cidades. "O Sicredi hoje é conhecido pela marca, mas isso não quer dizer que as pessoas saibam os serviços que são oferecidos. O que é uma cooperativa? E porque ela é melhor que um banco ou outra instituição financeira? Levar essas respostas à população, reduzindo o desconhecimento sobre cooperativismo é a missão atual, e para isso as cooperativas tem buscado itensificar os discursos em assembleias e divulgado cada vez mais o que é e como funciona uma cooperativa.
Crescimento chinês
"Há 18 anos, o crescimento das cooperativas é de 20% ao ano, quase um índice de desenvolvimento chinês", disse o presidente. Os produtos e serviços continuam crescendo e avançando em tecnologia. Os preços praticados pelas cooperativas no dia a dia também são normalmente menores que os preços que os bancos operam. "O conjunto de fatores faz com que as cooperativas creçam", explicou.
Um dos projetos a nível nacional, de acordo com Port, é ter o Sicredi em todos os estados. Na região Sul, existe um potencial de crescimento para o futuro. "Ainda temos um desafio de crescimento em Santa Catarina, já que apenas 4% da população é sócia do Sicredi. Para se ter uma ideia, podemos comparar com o Rio Grande do Sul, onde 20% da população adulta é sócia", finalizou.
O ciclo da formação cooperativa
A partir do momento que a pessoa se torna um associado, ela não é um cliente. Ela passa a ser um dos donos da cooperativa e, portanto, tem poder de decisão. Essa explicação foi dada pelo Diretor Executivo da Central Sicredi Sul/Sudeste Gerson Seefeld. "Por isso o primeiro contato com a cooperativa é o mais importante no ciclo da formação, para que o associado entenda como funciona", contou.
A segunda etapa é a formação dos associados. "É necessário que o associado saiba seus direitos e deveres. Há também o despertar para o conhecimento para a efetiva participação na cooperativa. A questão aqui esclarecida é: porque levar a sua conta do banco para a cooperativa?
A terceira etapa é a formação de coordenador de núcleo, para que haja organização e sejam feitos os processos de assembleias - onde são apontadas as decisões de melhorias discutidas e deliberadas em reuniões pelos associados.
A quarta etapa é a formação de conselheiros. Serve para capacitar as pessoas para que cumpram seu papel que é representar os associados.
O que decidem os associados?
Eles decidem desde quem será o presidente até as melhorias que são registradas em atas de posse do representante dos associados.



