A Síndrome
A Síndrome do Pólo e a metrópole do Sul
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre *
Segundo a teoria de localização das atividades econômicas, as cidades que têm seu desenvolvimento fundado no setor industrial costumam retardar o crescimento do setor de serviços, diferentemente das que, sem um embasamento industrial forte, têm no setor terciário a base de sua expansão. Santa Catarina tem exemplares dos dois modelos, como Criciúma e Tubarão, respectivamente, no sul catarinense.
Seguindo esse modelo, Criciúma evoluiu de uma pequena cidade mineira de 8 mil residentes, no ano cinqüenta, com economia alicerçada nas atividades de extração mineral, pequeno comércio e diminuta participação dos serviços, para um contingente urbano com mais de 170 mil moradores nos dias de hoje, oferecendo alguns serviços que atendem a quase todos os municípios do sul.
É de notar-se, primeiramente, que essa conquista de órgãos/setores importantes da prestação de serviços se dá, em Criciúma, de forma natural; muitas vezes eles nem são pleiteados por seus representantes, mas providenciados por instâncias superiores das áreas respectivas, diferentemente do que ocorre em Tubarão, cujas lideranças empresariais e políticas sempre tiveram mais consciência do pólo e, por isso, propugnam pela dominação de tais serviços visando polarizar os municípios sulinos.
Para citar um exemplo concreto, em 1991, quando a CELESC criou uma diretoria regional em cada mesorregião do Estado, Tubarão e Criciúma disputavam a sede da mesma, que acabou ficando com a cidade azul, fato amplamente comemorado pelos funcionários de sua agência regional, com churrascada e fogos de artifício, segundo consta.
À época, publicamos um artigo denominado “A Síndrome do Pólo”, cujo título ironizava a verdadeira obsessão das lideranças daquela cidade em sediar órgãos ou repartições que se traduzissem em meios de polarizar o espaço sul catarinense.
Observamos, na época, que Criciúma levava vantagem quando se tratava de sediar algum empreendimento de ordem econômica, valendo-se de seu maior potencial; já Tubarão costumava levar a melhor quando se propunha sediar algum órgão governamental, pela sua maior representatividade política e empenho para alcançar a já referida polarização do sul.
Com o crescimento da importância econômico-social e política de Criciúma, a disputa pela polarização do sul ficou mais acirrada. Com esse equilíbrio de forças verificado a partir dos anos noventa, a cidade teve bom desenvolvimento em alguns setores, que passaram a determinar a ascendência desses serviços sobre quase todos os municípios do sul, ou seja, atuando como um verdadeiro pólo mesorregional.
Como exemplos desses setores/serviços podem ser citados: saúde (sede da macrorregional, serviços do hemocentro, cardiologia, radioterapia), segurança pública( sede do Comando Regional Sul da PM, do Batalhão de Bombeiros, da Penitenciária do Sul, em implantação e, em breve, da Delegacia da Polícia Federal) e comunicações (única geradora comercial de televisão).
De registrar-se, igualmente, a expressiva representatividade política que o município ganhou, nos últimos anos, não só em nível de sul, como estadual. Exemplo disso é o já citado caso da CELESC, pois, em 1991, mesmo sendo a maior cidade do sul, Criciúma não teve peso político para sediar uma diretoria regional daquela importante estatal ao passo que, durante os anos noventa, conseguiu emplacar duas vezes a Presidência da mesma tendo, hoje, novamente um político da terra à frente daquela grande empresa, por um mandato que poderá estender-se por mais de três anos.
A grande oferta dos serviços hoje disponíveis deve-se, em parte, ao efeito populacional-aglomerativo e, em parte, ao desenvolvimento sócio-econômico alcançado pelo município, nos últimos 15 anos, com destaque para o setor industrial, cujo crescimento demanda sempre mais serviços para complementar as suas necessidades.
Com o crescimento constante do setor terciário Criciúma, já em processo de pré-metropolização torna-se, dia a dia, o pólo natural da mesorregião sul catarinense e, com um contingente demográfico próximo dos 200 mil habitantes, afigura-se como uma verdadeira Metrópole da Região Sul de Santa Catarina.
* Economista / MSC Desenvolvimento Regional - Email: ajfabre@gmail.com
